Em conta-gotas: escassez e falta de alimentação escolar são realidade de escolas estaduais, em Tobias Barreto

Escrito por Luana Capistrano Ligado .

A escassez de alimentos é realidade em três das sete escolas estaduais em Tobias Barreto

Novecentos e trinta e quatro estudantes e um saco de batatas. Aproximadamente 370 estudantes e 2 quilos de melancia, 2 quilos banana, 2 quilos de batata doce. É assim, em conta-gotas, que a alimentação escolar chega às escolas da rede estadual, em Tobias Barreto... e quando chega.

Representantes do SINTESE e o promotor do Ministério Público Estadual, em Tobias Barreto, Dr. Paulo José Francisco Alves Filho, puderam constatar que em pelo menos três, das sete unidades de ensino da rede estadual, localizadas em Tobias Barreto, estudantes sofrem com a falta de alimentação escolar.

Na terça-feira, 13, representantes do SINTESE e o promotor do Ministério Público estiveram em três unidades de ensino da Rede Estadual: Escola Estadual Rosinha Felipe, Colégio Estadual Abelardo Barreto do Rosário e Escola Estadual João Antônio César. O objetivo da visita foi checar se havia alimentação escolar nas unidades de ensino e qual a sua regularidade.

“O SINTESE denuncia constantemente a falta de alimentação escolar nas escolas da rede estadual, em Tobias Barreto. Aproveitamos que o promotor, doutor Paulo José, tinha ido constatar in loco problemas estruturais da Escola Municipal Paulo Freire, os quais a prefeitura se comprometeu a resolver, para também irmos às escolas da rede estadual. O promotor quis ver de perto como estava a realidade da alimentação escolar nas escolas da rede estadual, aqui de Tobias Barreto”, explica o coordenador da subsede do SINTESE na região Centro Sul, professor Estefane Lindenberg.

A primeira escola a ser visitada foi a Rosinha Felipe. A Escola Estadual Rosinha Felipe atende crianças a partir dos cinco anos de idade até o 5º ano, do ensino fundamental. Na escola não há alimentação escolar. A diretora conta que este cenário de falta de alimentação se arrasta há muito tempo e que esta realidade não é diferente nas demais escolas estaduais que atendem a estudantes do ensino fundamental.

Para checar a realidade nas unidades que atendem ao Ensino Médio, representantes do SINTESE e o promotor do Ministério Público foram ao Colégio Estadual Abelardo Barreto do Rosário, maior colégio estadual de Tobias Barreto, com 934 estudantes matriculados (de acordo com dado do site da Secretaria de Estado da Educação -SEED). Ao chegarem na unidade de ensino puderam constatar que lá também não havia alimentação escolar.

De acordo com a equipe diretiva do Colégio, a quantidade de comida enviada pela Secretaria de Estado da Educação (SEED) para o Colégio Estadual Abelardo Barreto do Rosário não é suficiente, desta forma os estudantes têm alimentação um dia e passam dois ou três dias sem ter o que comer.

A terceira unidade de ensino visitada foi a Escola Estadual João Antônio César, que sofre com sérios problemas estruturais. A madeira que sustenta o telhado está tomada por cupins. O local onde deveria funcionar a biblioteca, virou um grande depósito. Livros estão junto a geladeira e freezer, mesa de ping pong, armários de arquivo...um verdadeiro caos.

Na Escola Estadual João Antônio César também falta alimentação escolar e o diretor relatou um outro problema: segundo o diretor, atualmente, a Escola tem aproximadamente 370 estudantes, e para alimentar todos estes meninos e meninas a SEED enviou 2 quilos de melancia, 2 quilos de batata doce, 2 quilos de banana.

“Os alimentos são mandados em quantidades ínfimas. Parece que a SEED está brincando com nossa cara, uma brincadeira cruel e de muito mau gosto. E esta realidade também é vivida no o Colégio Estadual Abelardo Barreto do Rosário. Na semana passada a SEED mandou entregar no Abelardo um saco de batatas, um saco de batatas não dá nem para um dia, o Abelardo Barreto tem mais de 900 estudantes, funciona nos três turnos. Não temos dúvida que a falta de alimentação escolar está presente em todas as escolas da rede estadual, em Tobias Barreto. A situação é absurda e revoltante, e precisa ser solucionada o quanto antes”, exige o coordenador da subsede do SINTESE na região Centro Sul, professor Estefane Lindenberg.

O promotor do Ministério Público Estadual, Dr. Paulo José Francisco Alves Filho, afirmou que irá chamar o Governo do Estado de Sergipe para prestar esclarecimento e exigir que o problema de alimentação escolar, nas unidades de ensino da rede estadual, localizadas em Tobias Barreto, seja prontamente resolvido.