Processo seletivo para diretor não é gestão democrática

Escrito por Caroline Santos Ligado .

A Secretaria de Estado da Educação do Esporte e da Cultura - SEDUC divulga desde ontem (06) que está aberto processo seletivo para escolha de 284 diretores das escolas estaduais.

O SINTESE é contrário e repudia a tal ação, pois o que a princípio pode parecer algo positivo, na verdade manipula a opinião pública sobre a gestão democrática nas escolas. A processo seletivo não vai eliminar a indicação política e também não dará autonomia aos gestores, ou seja, tudo permanece do jeito que está. A SEDUC continuará impondo políticas sem ouvir o coletivo da comunidade escolar.

A gestão democrática vai além de uma escolha de quem vai gerir a escola, envolve diálogos entre aqueles que fazem parte da unidade escolar (estudantes, funcionários, corpo docente, pais, mães e responsáveis) sobre temas que envolvem: projeto político e pedagógico, calendário letivo, orçamento não só das unidades de ensino, mas como serão usados os recursos da Educação nas escolas, diretorias regionais e na Secretaria da Educação.

A comunidade escolar precisa fazer parte do dia-a-dia das unidades de ensino e isso só se faz com uma verdadeira gestão democrática.

Mas o que se vê hoje na SEDUC e no governo do Estado é uma má vontade em cumprir o estabelecido pelos planos Nacional e Estadual de Educação. Ambos preveem a implantação da Gestão Democrática através de lei aprovada na Assemblei Legislativa, mas até agora o envio deste projeto só ficou na promessa de campanha do governador Belivaldo Chagas.

“Processo seletivo para diretor não é gestão democrática, mas sim um simulacro de democracia, pois não é a comunidade escolar que vai decidir quem será o gestor. O governo do Estado ao invés de fazer este processo deveria cumprir o Plano Estadual encaminhar projeto de lei para Assembleia Legislativa para verdadeiramente começar a implantar uma gestão democrática nas escolas da rede estadual”, aponta professora Ivonete Cruz.