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Falta de infraestrutura nas escolas inviabiliza ensino médio em tempo integral

Escrito por Caroline Santos Ligado . Publicado em Rede Estadual

Essa é a "quadra de esportes" do Colégio Estadual Raimundo Mendonça Araújo em IndiarobaEssa é a "quadra de esportes" do Colégio Estadual Raimundo Mendonça Araújo em Indiaroba

Uma série de reportagens publicadas no jornal O Estado de São Paulo no último domingo, dia 04, mostra que a falta de infraestrutura é um dos entraves para a efetivação da Reforma do Ensino Médio (que envolve entre outras mudanças a ampliação da carga horária para até 1400 horas anuais e a adoção de itinerários formativos).

O jornal paulista ouviu gestores estaduais e municipais, professores e diretores de escolas no Maranhão, Minas Gerais, Alagoas, Tocantins e em alguns municípios e nas falas de cada fica claro que as escolas não têm a estrutura física necessária para tais mudanças. Em várias cidades há somente uma escola do ensino médio, nas que existem mais de uma elas não tem condições de oferecer todos os itinerários formativos. A falta de diagnóstico por parte do Ministério da Educação antes impor (através de Medida Provisória) a Reforma do Ensino Médio) é também é vislumbrando nas reportagens.

O debate levantando pelo jornal paulista tem sido feito pelo SINTESE desde que a gestão de Jorge Carvalho na Secretaria de Estado da Educação tomou como missão impor um modelo de ensino médio em tempo integral sem qualquer diagnóstico ou debate com as comunidades escolares envolvidas e com SINTESE, legítimo representante dos professores.

A vontade de impor um modelo chegou ao ponto em que decisões de escolas (que não aceitaram imposição da SEED) foram desconsideradas (caso do Colégio Estadual Santos Dumont) e outros em que o processo foi viciado (como no ocorrido no Colégio Estadual José Alves do Nascimento).

Praticamente todos os dias chegam denúncias ao SINTESE sobre os problemas vividos pelas 18 escolas onde a SEED conseguiu impor o modelo de ensino médio em tempo integral.

Uma dessas denúncias foi a do Colégio Estadual José Rollemberg Leite em Aracaju. Professores e estudantes denunciam que a escola não tem a mínima estrutura para que todos fiquem entre sete e nove horas na escola.

Lousa no Colégio Estadual José Rollemberg Leite em AracajuLousa no Colégio Estadual José Rollemberg Leite em Aracaju

Não há espaço adequado para que os estudantes façam suas refeições, o colégio não conta com refeitório, além disso, a cozinha é pouco equipada. A quadra esportiva não tem cobertura e o piso é de cimento batido. A biblioteca está alagada e com o teto comprometido. O telhado do Colégio é esburacado por isso quando chove não só a biblioteca, mas também as salas de aula ficam alagadas. Os quadros das salas de aula estão velhos e esburacados inviabilizando completamente seu uso. Os ventiladores das salas estão quebrados, os que as tornam verdadeiras “saunas de aula”. O Colégio também não conta com vestiários e nem laboratórios.

A situação é semelhante no Colégio Estadual Raimundo Mendonça de Araújo em Indiaroba. Os estudantes fizeram vídeos mostrando a total inadequação da escola ao modelo imposto pela SEED. Além da falta de espaço, não há sequer refeições decentes. Durante o vídeo uma estudante mostra o almoço do dia (macarrão sem tempero com salsicha).

“Nossa vivência com o que tem ocorrido em Sergipe e as experiências mostradas pelo jornal paulistano mostram que a Reforma do Ensino Médio promovida pelo governo golpista de Michel Temer e repetida pelo governo Jackson Barreto e por Jorge Carvalho não tem como objetivo a melhora da Educação, mas sim um rebaixamento na formação dos futuros trabalhadores e trabalhadoras brasileiros”, aponta o vice-presidente do SINTESE, Roberto Silva dos Santos.

Confira mais textos sobre a imposição do modelo de Ensino Médio em Tempo Integral pela SEED clicando na foto

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