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Pré-conferência discute qual educação popular que queremos

Escrito por Caroline Santos Ligado . Publicado em Rede Estadual


A educação popular que queremos é aquela que forma o cidadão, que possibilita que ele (ou ela) compreenda qual o seu papel na transformação do mundo. E essa educação popular não deixa de fora a diversidade (sexo, religião, local de trabalho, raça, local de moradia), está conectada com a realidade dos indivíduos e, com certeza, não é proposta para formar homens e mulheres que estão aptos apenas para a realização de tarefas laborais.

Isso é o que se pode concluir da Pré-Conferência Popular de Educação realizada na manhã desta sexta, 09, por movimentos sociais e sindicais realizam na manhã desta sexta, no Sindicato dos Bancários. O evento é preparatório para a Conferência Estadual Popular de Educação que acontece nos dias 23 e 24 na Universidade Federal de Sergipe. A pré-conferência tratou de Educação Popular e Diversidade.

O debate da Educação Popular surgiu nas reuniões do fórum em Sergipe porque o documento norteador da Conferência Nacional Popular de Educação precisa de contribuição de qual é a concepção de Educação Popular que defendemos.

“Começamos na pré-conferência e, com certeza, na conferência estadual iremos construir um documento onde a sociedade civil organizada de Sergipe irá apresentar uma concepção de Educação Popular que irá contribuir para o debate nacional”, aponta Ivonete Cruz, presidenta do SINTESE.

Os desafios para a construção de uma Educação Popular são muitos, a começar pela própria percepção do que seja uma Educação Popular. A essência da Educação Popular é o comprometimento com formação de pessoas e não de sujeitos aptos para executar tarefas. “Para a construção da Educação Popular é necessário que se tenha clareza do projeto de sociedade que se quer”, apontou Rafaela Alves, professora e dirigente nacional do MPA – Movimento de Pequenos Agricultores.

Já Marilene Batista professora doutora da Universidade Federal de Sergipe enfocou na Educaçao do Campo que queremos. Ela lembrou das concepções de educação no campo existentes (voltada para o agronegócio e a outra que enfoca a agricultura familiar) e ressaltou que é preciso que a educação no campo enfatize os sujeitos do campo e que não os discrimine e os afaste do campo. 

A professora e assistente social Adriana Lohanna colocou que a educação e, consequentemente, a escola precisa ter uma perspectiva inclusiva. Ela refletiu também que não basta apresentar as questões de diversidade somente para os estudantes. “É necessário formar não somente o estudante, mas também o professor e a professora que está em sala de aula, para a equipe diretiva, a merendeira, o porteiro o executor de serviços básicos. Não adianta os estudantes terem consciência se os demais atores do espaço escolar não tem a mesma percepção”, apontou.

Já a professora do Departamento de Direito da Universidade Federal de Sergipe Karyna Sposato colocou reflexões sobre as diferenças sobre diversidade e desigualdade, começando a falar sobre ciclo de pobreza e da correlação entre a situação das crianças abrigadas e dos jovens que não têm acesso a Educação e nem ao Trabalho.

Irivan de Assis que representa o Fórum Sergipano das Religiões de Matrizes Africanas trouxe o debate, a partir da contextualização do papel da negritude e africanidade na construção da sociedade brasileira, a luta por uma educação para as relações étnicos-raciais e para efetivação do ensino da história e cultura africana na Educação. “A obrigatoriedade do ensino da africanidade nas escolas é de 2003, mas já estamos chegando a 15 anos e quase nada mudou no cenário”, apontou.

A professora da Universidade Federal de Sergipe Edinéia Tavares colocou os desafios para a Educação Escolar Indígena e Quilombola e que o Fórum Popular de Educação e a Conferência Nacional Popular de Educação serão espaços importantes para garantir que estas modalidades de ensino não sejam preteridas em nome de, por exemplo, uma Base Nacional Comum Curricular que não contempla as necessidades das comunidades indígenas e quilombolas não só em Sergipe, mas em todo o Brasil.

A Conferência Estadual Popular de Educação acontece nos dias 23 e 24 de março na Universidade Federal de Sergipe. A programação dos debates e grupos de trabalho será posteriormente divulgada.

Como surgiu o debate da educação popular

A partir das medidas tomadas pelo governo golpista de Michel Temer que esvaziar o debate do Fórum Nacional de Educação, transformando-o em um apêndice do Ministério da Educação, além da Emenda Constitucional 95 que congelou os gastos públicos para os próximos 20 anos, o debate enviesado da Base Nacional Comum Curricular, Reforma do Ensino Médio, as entidades que buscam a ampla discussão sobre a educação se retiraram do Fórum Nacional de Educação e construíram o Fórum Nacional Popular de Educação.

Em todo o Brasil as entidades têm realizado, através dos fóruns estaduais, debates, conferências e pré-conferências na perspectiva de realizar entre os dias 26 e 28 de maio em Belo Horizonte a Conferência Nacional Popular de Educação, onde os que lutam por uma educação pública de qualidade social para todos e todas irão apresentar suas propostas para a educação que se quer no Brasil.