Imprimir

É preciso reestruturar a Seed

Escrito por Joel Almeida Ligado . Publicado em Joel Almeida

 

Sejam bem  vindos a este espaço, aqui tratarei de questõesjoelalmeidajoelalmeida relativas a diversos temas que se interligam no nosso cotidiano. Vamos ao debate!

 

 “ De muito gorda a porca já não anda, de muito usada a faca já não corta, como é difícil pai abrir a porta....  ( Milton Nascimento) ”

Ao final de mais uma década, o Congresso Nacional recepciona mais uma proposta de PNE ( Plano Nacional de Educação), que substituirá o último PNE que já nasceu desidratado, fraco e flácido nas mãos de FHC em Brasília, que inviabilizou mais recursos para educação, vetando todos os artigos que tratavam de investimentos novos. E o nosso Sergipe, que recebeu o velho plano no início dessa década pelas mãos de Albano Franco, ainda com cheiro neoliberal, e sequer deu cabo de fazer o seu PEE (Plano Estadual de Educação).

Albano, João e Deda não fizeram o PEE, uma década sem um plano estadual, uma geração que não planejou o seu futuro na educação. Faço esse preâmbulo para mostrar a importância que os governantes têm dado a educação do seu povo até agora, e como Sergipe se encarrega de piorar as coisas.

O nosso estado há anos vive um vazio de políticas públicas na educação, sobretudo para os ensinos fundamental e médio. Aqui nos acostumamos  a reproduzir políticas nacionais e copiar experiências regionais, sem o diálogo com os que terão de implementá-las, e sem  a audição dos que vão recepcioná-las, pois simplesmente, os que requentam a nossa educação, estão muito distantes das escolas, temem o debate, não querem ouvir, nem ousam ser ouvidos.

 A trilogia Seed- Diretorias Regionais – Escolas virou um turbilhão de trapalhadas, negação e omissão. Assim, sem projeto, sem planejamento,sem gerenciamento e sem diálogo todos se acusam e se defendem. Embora resista ainda a vontade de mudança por parte de muitos educadores e gestores, o ímpeto se esvai quando se deparam com a máquina enferrujada que regula a política de pessoal e de ensino da Seed, e pelos que lá foram alçados a postos importantes pelo QI, ou por aquele comissionado ousado pelo político que dita normas, fere princípios e arrasta a marinete ao precipício.

A estrutura da Seed de Sergipe é uma das mais antigas do Brasil. Não há uma legislação que redifina órgãos, função, quantitativo de pessoal, tamanho e alcance, isto, na contramão da política de educação nacional que passou por inúmeras alterações nessa década. A única definição é para as escolas, e a que parece mais fácil e menos perigosa é a de não deixar turmas funcionando com poucos alunos, mas o que fazer com os professores que não têm alunos e não estão nas escolas? A rede estadual de Sergipe tem mais professores em seu quadro do que há dez anos, paradoxalmente, temos bem menos alunos do que na última década. No entanto, as escolas continuam precisando de professores como o ar que respiramos. Alguma coisa está fora da ordem! Mas não perguntemos pelos jabutis, há os que são de ouro.

As nossas escolas vivem uma crise de gerenciamento. Jogadas à própria sorte, largam-se os diretores no caminho das Dre’s, em busca de bons presságios, quase sempre invisíveis. Há no papel um dinossauro criado por Albano Franco denominado de comitê comunitário, que é um faz de conta, ilegal, ineficiente, mas que o estado ainda insiste em mantê-lo como o espaço de administração dos recursos da escola. Não há comitê que funcione. Invariavelmente são os  diretores  que direcionam e redirecionam  as compras e mancamente vão arrastando a escola ao seu destino final.  As escolas não constituem uma comunidade escolar. Os professores, funcionários, pais e alunos não se conhecem. Não há debate sobre sua vocação, não se sabe o seu rendimento, muito menos seu regimento. Não existe uma constituinte escolar.

A ausência de uma gestão democrática tem custado muito ao sistema. É impressionante como somos os mais atrasados nisso. Há um debate falso que se tenta passar para a sociedade que a eleição para diretor poderia partidarizar as escolas, e que a meritocracia seria a saída. Não devemos abrir mão da liderança na condução de um projeto transformador para as escolas, mas temos a clareza de que este líder precisa estar bem formado para enfrentar os desafios de gerir uma escola. Uma coisa não é incompatível com a outra. O acúmulo de conhecimento sem a possibilidade de estabelecer relações democráticas nas escolas, pode redundar em um exercício perigoso de vaidade e de autoritarismo.

Há muito ainda a debater, questões que envolvem transporte, alimentação escolar, e valorização do professor serão tratadas aqui nesse espaço. Os desafios são imensos, e esperamos que no segundo governo de Marcelo Déda a esperança sobreviva ao desencanto, e que a educação seja de fato tratada como algo estratégico. Que o bom senso prevaleça! “ ... De que adianta ser filho da santa? melhor seria ser filho da outra, outra realidade menos morta....”