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Um tributo ao amicompanheiro José dos Santos

Escrito por Joel Almeida Ligado . Publicado em Joel Almeida

É sempre muito doído quando parte alguém por quem nutrimos muita admiração. O verbo partir deveria ser o início do verbo retornar. Sem dúvida a vida seria mais atraente se os homens “dessem um tempo somente”. Mas nosso companheiro Zé dos Santos partiu para um outro plano, e já não poderemos encontrar com o seu corpo físico. Do barro que gerou Zé nasceu árvores frondosas, luzes, seres que entenderam que é sempre bom dar algo a mais para o próximo ou para os companheiros, seus irmãos refletem um pouco disso, e nosso Zé ousou mais, mesmo sendo um dos mais contidos no movimento do corpo.

Zé era assim, dos santos, dos deuses, de Lucinalva, da chuva, da poesia, da luta, da liberdade...Discreto, franzino... do sol, do sal, um “nobre” José dos Santos. Um corpo marcado e freado pelas chagas da infância que contrastava com uma mente poderosa, livre, que passeava pelo vago infinito com a elegância e destreza de um condor. “ *Quando voa o condor, com o céu por detrás, traz na alma um sonho... voa condor, que a gente voa atrás...”

Sua opção óbvia foi a de juntar-se a todos que lutam por justiça, seu caminho o da escola, o da universidade, o do Sintese, o de estar livre para ajudar na libertação de outros. A sua arma, a poesia, a sua alma, a inquietude, o seu olhar, o de um visionário do exato momento de romper a tensão ou a apatia.

Zé escreveu sobre si “Não sou de ninguém, não tenho dono nem dona...;” sobre Aracaju “ Aracaju metropolitana nordestinada, cicloviada formosa, como é bom viver aqui, “Mirando as ondas do mar mirando...;” sobre Ana Lúcia “ Ela é mariojorgeAna de sangue e “poesia visceral”, revolucionária, paulofreireAna irretocável por convicção e amor à humanidade, sinteseAna de raiz fundante...;” sobre o Sintese “ Quem é esse sindicato, que não retrocede, não se vende, na se rende, não se confunde, não pode ser derrotado?” sobre a luta dos educadores “ô abram alas..” “desebarguem por favor porque a Progressão é nossa!”

José dos Santos escreveu um livro “Utopia Peregrina” e foi homenageado por muitos educadores. Que bom que houve tempo! Em um dia de muita alegria, tive a felicidade de ser homenageado com uma poesia do amigo Zé. Ela se chama “Um Sonho”, e em certo momento, ele fala do seu sonho:

“ Que outros se desesperem com você, liberdade...

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E eu nunca deixarei de cantar a esperança. Tenho um sonho,

Companheiros e companheiras. Deveras eu também tenho

Um sonho. Um inapagável sonho,

Professoras e professores, Que um belo dia estejamos todos

Reunidos Para celebrar a nossa vitória. A fragorosa vitória da

Classe trabalhadora

A vitória do POVO!

Quer mesmo saber... eu nunca me desespero. ’’

Quando foi sepultado Zé estava ao lado de sua família, de amigos e companheiros. Ele foi um vitorioso, não se desesperou... nunca. E assim parafraseando o seu poeta maior : ‘Vai Zé ser guache na vida.’