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Agências de espionagens utilizam aplicativos para rastreamento de suspeitos

Escrito por Rodrigo Giordano - Carta Maior Ligado . Publicado em Mundo

Ao executar o aplicativo Angry Birds - baixado por mais de 1 bilhão de pessoas em todo mundo - qualquer um pode ter seus dados (localização, idade, sexo) acessados pela NSA (National Security Agency) e seu homólogo britânico, a GCHQ (Government Communications Headquarters).


É o que apontam documentos confidenciais entregues aos jornais The Guardian, The New York Times e ao site ProPublica, pelo delator e ex-funcionário da NSA, Edward Snowden. As agências têm trabalhado juntas desde 2007 na coleta de cada vez mais dados de suspeitos de terrorismo e outros alvos, e nos últimos anos os smartphones têm sido cada vez mais utilizados na tarefa.

As agências tiram vantagem do que chamam de "leaky apps", aplicativos que transmitem informações de volta para seu criador, havendo nessa passagem uma tecnologia de rastreamento colocada por empresas de propaganda. Um relatório secreto mostrou que apenas atualizando seu Android (sistema operacional para dispositivos móveis), um usuário envia mais de 500 linhas de dados sobre a história e uso do telefone. Tais informações ajudam as agências de propaganda a traçarem perfis detalhados de usuários baseado na forma como usam o aparelho e quais sites e aplicativos utilizam. As agências de espionagem, então, recolhem essas informações, explorando-as e comparando com as que já possuem.

Os espiões possuem interesse particular no Google Maps, pela facilidade com que permite descobrir a localização de um alvo. Postagens nas versões mobile de redes como Facebook, Twitter e Flickr, permitem saber que lugares o usuário andou visitando. Mas o alcance de informações vai ainda mais longe. Um documento secreto da Inteligência Britânica mostra que é possível coletar dados como orientação sexual e ideologia política de um usuário através de determinados aplicativos e funções de um smartphone.

Já era sabido que as agências buscavam rastrear alvos através de cookies gerados por buscas no google ou qualquer outro site do tipo. No entanto, as informações transmitidas pelos aplicativos oferecem muito mais dados. Os documentos não especificam quanto de informação é coletada por dia ou quantos usuários são afetados, mas deixam claro que a quantidade de dados é bem vasta.

A NSA já gastou mais de 1 bilhão de dólares em seus esforços de vigilância através de celulares para encontrar alvos. O aparelho é substancialmente usado por suspeitos de terrorismo no planejamento de atividades. A agência afirma que já evitou ataques e prendeu suspeitos graças ao serviço.

O foco nos aplicativos, porém, mostra como ferramentas de lazer, usadas no dia a dia e aparentemente inofensivas, podem se tornar instrumentos de espionagem. A NSA, respondendo questões sobre o programa, afirmou que não busca perfis de americanos comuns, mas que isso pode ocorrer acidentalmente. A agência fez questão de ressaltar que existem leis de proteção para tais casos e que eles se estendem a "cidadãos estrangeiros inocentes". Já a GCHQ recusou comentar sobre qualquer programa específico, mas disse que todas suas atividades estão de acordo com as leis britânicas. Companhias citadas nos documentos, como o Google, disseram desconhecer o programa.

Apesar de recentemente anunciar novas restrições, a fim de proteger a privacidade de americanos e estrangeiros comuns, as quais incluem a limitação do uso de dados através de celulares, o presidente Barack Obama não citou o uso de aplicativos e funções de smartphones.

*com informações de Guardian, The New York Times e ProPublica