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Protesto unificado 'Mulheres em luta e resistência: contra a violência, por direitos e democracia' ocupa ruas de Aracaju no dia 8 de Março

Escrito por Iracema Corso - CUT/SE Ligado . Publicado em Sociedade

“Hoje ainda não é o nosso dia! Ainda existem mulheres trabalhando sem carteira assinada, trabalhando mais e recebendo menos, sofrendo abusos, estupros, violência física, psicológica, sendo assassinadas... Ainda falta muito para chegar o nosso dia, mas o nosso dia chegará”, afirmou a dirigente do SINDOMESTICO, Quitéria Santos, no protesto unificado 'Mulheres em luta e resistência: contra a violência, por direitos e democracia', em Aracaju-SE, na manhã desta quinta-feira, dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

O protesto reuniu trabalhadoras do campo e da cidade, estudantes, lideranças sindicais e militantes do movimento social, saiu do Viaduto do DIA, passando pelo Terminal de Ônibus e seguindo em marcha rumo ao Palácio dos Despachos.

No Palácio dos Despachos foi entregue um documento cobrando ações do Governo do Estado para combater a violência contra mulheres. A secretária da Mulher da CUT/SE, Ana Luzia, também alertou sobre a falta de delegacias especializadas para atender às mulheres violentadas e a falta de investimento em políticas públicas para a mulher. “Vamos denunciar o descaso do Estado com as violências praticadas e os assassinatos de mulheres, pois após o golpe nós estamos vendo o desmonte de todas as políticas públicas para as mulheres criadas pelo governo do PT. O número de casos de violência contra a mulher no nosso estado tem crescido de forma assustadora. Em 2017, foram 600 casos de violência praticados e 13 assassinatos só em Aracaju. Em Sergipe, foram 63 assassinatos. Cadê a Casa da Mulher Brasileira? Onde vão parar as mulheres que sofreram violência em casa do marido, namorado, irmão, pai ou seja lá de quem for? Onde vão buscar abrigo e proteção? Essa é uma casa necessária para garantir a vida das mulheres”.

Dirigente nacional da CUT, a professora Ângela Melo denunciou outra forma de violência contra a mulher que foi intensificada após o golpe à democracia brasileira: a retirada de direitos que acontece nacionalmente através da Reforma da Previdência. Em Sergipe, Ângela citou que através de Ofício Circular, a Procuradoria Geral do Estado manifestou seu apoio à criminalização do aborto. “O estado de Sergipe não pode sentenciar a mulher trabalhadora, a mulher negra, a mulher da periferia, porque as mulheres ricas abortam, mas elas têm à sua disposição todos os cuidados necessários nos melhores hospitais. A mulher pobre só tem um caminho: o de ariscar sua vida, podendo morrer durante o aborto. Agora esta atitude desesperada também será criminalizada porque quando ela for procurar um posto de saúde para pedir socorro, o médico vai atestar que ela fez um aborto. Se isso acontecer, muitas não vão procurar o atendimento em hospitais públicos. Isso vai aumentar o número de mulheres mortas por aborto”, denunciou.

As organizações sindicais e do movimento social que construíram o protesto foram a CUT/SE, o Motu (Movimento dos Trabalhadores Urbanos por Moradia), o Sindoméstico, a Fetase (trabalhadores rurais), a UBM (União Brasileira de Mulheres), o Sintese (Sindicato dos Professores- Sergipe), o MST (Movimento Sem Terra), Sindipema (Sindicato dos Professores – Aracaju), Amorsetrans, Casaamor, Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, Consulta Popular, CONTAG, CTB, Levante Popular da Juventude, Diretoria de Mulheres - Psol, MMM (Marcha Mundial das Mulheres), MCP, MMC, MMS, MPA, MPS, MTST, Mulheres Quilombolas, RUA, Adufs (docentes da UFS), Sindipetro (petroleiros), Sinasefe (servidores federais), Sintufs (trabalhadores da UFS), UJS (União da Juventude Socialista) e o Coletivo de Mulheres de Aracaju. A deputada estadual Ana Lúcia (PT) e sua assessoria também participaram do protesto.