Avaliação de Desempenho que Governo Déda quer impor em Sergipe NÃO deu certo nos Estados Unidos

Escrito por Roberto Santos Ligado . Publicado em Roberto Santos


A publicação do livro da gestora do sistema de avaliação de desempenho docente e escolar dos Estados Unidos, Diane Ravitch – ex-secretária adjunta de educação no governo de George Bush e ex-chefe do instituto responsável pelos testes federais americanos (National Assessment Governing Board) na gestão de Bill Clinton cai como uma bomba contra aqueles que insistem em impor avaliação de desempenho meritocrático e de monitoramento. Daiane, atualmente, é a pessoa mais crítica a essa política de matriz meritória e nada eficiente para as políticas educacionais.

No livro The Death and Life of the Great American School System (a morte e a vida do grande sistema escolar americano), Diane expõe os problemas da avaliação, destacando a punição às escolas, diretores e professores que não atingem as pontuações estabelecidas pela gestão educacional. Nos EUA a Secretaria de Educação chegou ao cúmulo de fechar as escolas e de demitir as equipes profissionais que ficaram abaixo das metas nacionais. É esse modelo falido nos Estados Unidos que o Governo Déda que impor em Sergipe através do Índice Guia de Avaliação de Desempenho coprado por R$ 360 mil reais.

Pelo Índice Guia/compromisso de gestão as escolas que não atingirem as metas definidas pelos gestores da SEED serão punidas, inclusive com demissão da equipe diretora e dos professores. As metas definidas referem-se aos resultados das provas externas (prova Brasil, provinha Brasil e Enem) sem qualquer preocupação com a qualidade do ensino.

Segundo Diane, os riscos para a tendência de bonificar através de Avaliação de Desempenho de caráter meritocrático induz os sistemas e as unidades escolares a rebaixarem os padrões do ensino com foco no desempenho dos testes nacionais padronizados. Estes, por sua vez, direcionam para a redução do currículo, comprometendo a qualidade social da educação.

A CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação tem posição contrária a política do MEC baseada nas expectativas de aprendizagem (calcadas no currículo mínimo) e da transformação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) no principal instrumento para medir a qualidade da educação, mesmo com os componentes restritos que compõem as provas estandardizadas aplicadas pelo Inep/MEC. A CNTE espera que as ações públicas do executivo e do parlamento comecem a rever a trajetória equivocada do padrão de qualidade para a educação básica, direcionando-o para as deliberações da 1ª Conferência Nacional de Educação, sobretudo para a instituição do sistema nacional de educação, para o aumento dos investimentos financeiros (10% do PIB até que a dívida educacional seja reparada) e aplicação do conceito de Custo Aluno Qualidade, para a gestão democrática das escolas e dos sistemas e para os conteúdos e práticas curriculares que valorizem os anseios sociais e a cultura das comunidades escolares.

Com informações do site da CNTE