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É preciso desconstruir a imagem atual que temos da escola

Escrito por Caroline Santos Ligado . Publicado em XII Conferência

Essa foi a tônica nas falas das três educadoras que fizeram parte da mesa “Currículo e Avaliação Alternativos” na XII Conferência Estadual de Educação. Maria Tereza Esteban do Valle da Universidade Federal Fluminense, Glaucia Ferreira da Unicamp e Maria Emília Caixeta da Universidade Federal de Minas Gerais trouxeram para a plenária a discussão de que é preciso rever a forma como vemos e trabalhamos na escola.

Para ajudar na reflexão Glaucia Ferreira trouxe um resgate histórico de como se deu a formação da escola como conhecemos hoje e uma análise crítica da sua atuação desde a antiguidade até os dias atuais. A escola que era algo prazeroso foi se tornando, a partir das mudanças na sociedade e das pressões ideológicas, algo tão homogeneizado, metodizado e hierarquizado que traz como consequência uma imensa dificuldade de se ter um olhar diferenciado para ela.

Em seus estudos, a professora da Unicamp busca formas de auxiliar a retomada da escola em um ambiente em que as relações não sejam estabelecidas tendo como pressupostos a competição, a passividade, a repetição e o tarefismo. “A escola tornou-se um lugar que massifica, despersonaliza e é preciso que reconheçamos que não é fácil mudá-la, pois se não fazemos isso desvalorizamos o nosso próprio trabalho”, apontou.

Mostrando exemplos de instituições de ensino que se utilizaram da Pedagogia de Freinet ela mostrou que é possível sim, construir uma escola onde o acontecimento seja colocado como centro do processo educativo e que as relações sejam autênticas e cooperativas.

Maria Emília Caixeta, da Universidade Federal de Minas Gerais contribuiu no debate mostrando argumentos econômicos, democráticos e sócio-culturais, tudo isso permeado pelos valores de mercado, no processo de adoção de um currículo homogeneizante. E que dentro dessa lógica, os professores se transformam em “salvadores da pátria, mágicos, bruxos, milagreiros, vendedores de sonhos” ou “como os técnicos de futebol, somos treinadores/instrutores de pessoas”.

Caixeta também foi na linha de que é preciso ter um novo olhar não só para a escola, mas também para as práticas pedagógicas. Os educadores precisam ultrapassar o “mero ensino de conteúdos conceituais”. Para ela é fundamental considerar não somente os conteúdos e conhecimentos pré-estabelecidos, mas também trazer elementos dos saberes culturais, da história daqueles estudantes para responder às questões postas hoje. “Precisamos compreender que se deve estabelecer um diálogo entre o mundo que se descortina fora da escola e os compromissos que se afirmam dentro dela”, ressalta Maria Emília.

“Nenhuma turma pode ser reduzida a um conjunto de bolinhas marcadas” disse Maria Teresa Esteban da Universidade Federal Fluminense sobre as avaliações nacionais por quais são submetidos os estudantes da educação básica. Para ela, as atuais formas de avaliar acabam tendo como consequência a redução e homogeneização das expectativas, pois trabalham com uma visão única: a capacidade da criança de responder àquelas questões e não necessariamente sobre o que efetivamente aprendeu.

Para ela a avaliação deve ser um instrumento de investigação e não deve ser usado para caracterizar negativamente estudantes e, consequentemente, professores. “A dificuldade de aprendizagem é algo que nos caracteriza, mas na escola esse aspecto recebe somente um matiz negativo”, apontou. Para ela a avaliação precisa perder o seu caráter de controle e coerção.