Obama: acordo não é o desejado, mas encerra longo processo

Escrito por David Brooks, do La Jornada - Carta Maior Ligado . Publicado em Mundo

Após uma intensa negociação de última hora entre a liderança política suprema do país, o presidente Barack Obama anunciou na Casa Branca, em mensagem transmitida ao vivo ao mundo: líderes de ambos partidos em ambas câmaras conseguiram chegar um acordo que reduzirá o déficit e evitará a suspensão de pagamentos, que provocaria um efeito devastador sobre nossa economia. Apenas 48 horas antes da data fatídica, na qual o governo poderia deixar de cumprir suas obrigações financeiras, Obama informou que o acordo eleva o teto da dívida (atualmente de 14,3 trilhões de dólares) e propõe cortes de aproximadamente 2,5 trilhões nos gastos públicos, ao longo dos próximos dez anos. Embora não seja o acordo desejado, disse Obama, ele põe fim a um processo demasiadamente longo e desordenado.


Obama convocou os legisladores a aprovar a proposta negociada nos próximos dias. O acordo terá que ser votado nas duas câmaras do Congresso e depois promulgado por Obama, processo que iniciará nesta segunda-feira. A duração deste processo dependerá das dificuldades em negociar votos suficientes para a aprovação do acordo, sobretudo na Câmara de Representantes. Ali, tanto legisladores democratas liberais [mais à esquerda, na linguagem política norte-americana] quanto republicanos ultraconservadores expressaram sua rejeição ao acordo firmado.

O acordo inclui uma primeira etapa de cortes de pouco menos de 1 trilhão de dólares nos gastos federais, e estabelece uma comissão bipartidária para recomendar outros 1,5 trilhões de dólares em cortes no orçamento, que serão aplicados mais trade por ação legislativa ou de maneira automática (se o Congresso falhar nesta ação), e que deverão afetar desde o gasto militar até os programas sociais.

Poucas horas antes, com os indícios de um acordo iminente, mudou o clima em Washington e Wall Street ao se perceber que a cúpula política estava finalmente a ponto de resolver o que quase se converteu em uma crise nacional. Os mercados financeiros começaram a responder de maneira positiva ante a expectativa do anúncio de um acordo e de uma votação legislativa sobre o assunto.

Mas as consequências políticas continuarão se manifestando daqui em diante. Após semanas de intensa disputa sobre o assunto, que alarmou os mercados financeiros e extenuou os cidadãos, o espetáculo político em Washington poderia ter severas consequências eleitorais tanto para o presidente Obama como para a liderança republicana. De fato, para alguns analistas, tudo o que ocorreu foi mais teatro político com fins eleitorais do que uma disputa em torno do assunto da dívida. Elevar esse teto é quase sempre um procedimento automático e ocorre em média quase duas vezes por ano desde 1940, sem que tenha se verificado nada parecido ao que aconteceu nesta ocasião, assinalam.

Tradução: Katarina Peixoto