Educação Física na ginástica do desrespeito

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Poderíamos iniciar o nosso texto enfocando toda a trajetória histórica da educação física, pois sabemos da importância dos fatos históricos para nos contextualizarmos no momento atual, em especial no tocante ao ensino público. Portanto, práticas e postura adotadas por muitos companheiros nas escola públicas tem alavancado a educação física mostrando sua importância enquanto componente curricular obrigatório. Rompeu-se assim, a visão técnica e pragmática de que o professor tem que ser atleta, ou até mesmo que aula de educação física é apenas o alunado correndo em volta da quadra, ou melhor, do terreno, ou quem sabe, da praça. É muito perceptível que a responsabilidade e compromisso do professor de construir uma educação física na escola pública que seja mais um instrumento que liberte os filhos dos trabalhadores e usuários da escola pública e os leve ao exercício consciente da cidadania, não foi acompanhado pela SEED. A educação física tem, ao longo dos tempos, sofrido na rede estadual diversos ataques, e dentre eles é muito claro o desrespeito à Legislação Educacional vigente. Não se respeita a Constituição Federal, a LDB, o ECA, até mesmo a portaria expedida pela SEED. No bojo do pacote da política de negação e retirada de direitos do Governo João Alves, os professores de educação física não poderiam ficar de fora. Como se não bastasse a falta de condições de trabalho e as diversas situações em que o professor tem até que ser mágico para poder dar uma boa aula, a SEED impõe que os professores de educação física recém nomeados não assumam a turmas de 1º a 4º séries do ensino fundamental (isso mesmo ensino fundamental) onde, de acordo com o art.26 da LDB, o art.1º da portaria nº 401/2004, é componente curricular obrigatório. Sem contar o desrespeito ao ECA, retirando do aluno o direito ao esporte e ao lazer conforme art. 53 e 54. Todo esse desrespeito à Legislação e à categoria, não tem nenhuma fundamentação legal para tal perversidade, muito menos fundamentação pedagógica. Dessa forma, a categoria tem sofrido conseqüências como: esfacelamento da jornada de trabalho em duas ou mais unidades de ensino; choques desnecessários de horário, já que muitos de nós para sobrevivermos temos direito a mais de um vínculo, que é garantido por lei. Portanto companheiros, é imprescindível reagirmos ao autoritarismo e ao desrespeito da SEED. Que possamos enquanto educadores exercer nosso direitos e partirmos em defesa da disciplina que abraçamos, pois corremos um enorme risco, diante da concepção de que este governo tem de sermos encurralarmos mais ainda, já alteraram ainda mais nossa grade curricular (de três para dois dias), sofremos com o reordenamento, agora querem nos impedir de atuarmos onde a Legislação nos acoberta. Amanhã o quê será que irão nos retirar? *Professor de Educação Física e Diretor do Departamento de Políticas Socias – CUT/SE.