Um projeto Joanino de Educação

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O Governo do Estado fica nu, a cortina de fumaça da publicidade, da virtualidade, tudo some quando um secretário, um auxiliar direto do governador deixa o Governo. Os escândalos afloram e é revelado qual é mesmo o projeto do Governo para Sergipe. O campo da Educação, para citar apenas um exemplo, é fértil neste aspecto. Primeiro foi o médico Marcos Prado que foi praticamente expulso da Secretaria de Estado da Educação. Diante de uma gestão terrivelmente desastrosa e que vinha sendo permanente denunciada, surgiu com sua saída um rombo inicial superior aos R$ 30 milhões. Um dos primeiros escândalos da terceira gestão de João Alves Filho. Entra em seu lugar o engenheiro Gilmar Mendes que já vem “auxiliando” governos faz tempo. Sem entender patavina de nada de educação, faz uma gestão financeira sofrível e mantém intocáveis as mesmas figurinhas da gestão de Marcos Prado. Resultado: manutenção dos esquemas e greve de mais de 40 dias dos professores. A educação é um caos e continuou assim. Agora com a saída de Max Andrade da Secretaria da Fazenda em circunstâncias surpreendentes e que serão reveladas mais à frente, a Educação volta a ser alvo de uma nova investida. O engenheiro que estava lá foi para a Fazenda e em seu lugar outro engenheiro assume o seu lugar, o Lindberg Lucena, senhor bem entendido de asfalto, tratores e peões e que só hoje pela manhã tomou conhecimento através de um programa de rádio que a LDB é a principal legislação da educação no Brasil. Longe de criticar a formação de Lucena e sua indicação para a Secretaria da Educação, a ação revela que o Governo do Estado não tem um projeto que promova a educação em Sergipe. Os fatos provam que a educação pública para o Governo do Estado tem outra concepção. A situação continua a mesma: escolas caindo aos pedaços, sem equipamentos pedagógicos, professores mal remunerados, sem formação continuada e vítimas de perseguições, e alunos cada vez distantes da formação cidadã. Mas até a ausência de um projeto de Educação revela um projeto terrível de Governo, isto é, promover a deseducação do povo. Aquela lógica de que população desinformada, deseducada é população manipulada, uma massa de manobra fácil para políticos inescrupulosos. Este é um projeto de governo, coronelista, arbitrário, truculento, concorde você ou não. Até 2006 este projeto continuar em vigor e em plena força. O que resta saber é se a população, de uma maneira geral, ainda sofrendo com as ações de um projeto Joanino de Educação, que desinforma, que deseduca, terá forças para abrir os olhos e dizer não a este modelo. Por José Cristian Góes cristiangoes@infonet.com.br