SINTESE faz balanço do X Congresso de Educadores

26

O X Congresso Estadual dos Trabalhadores em Educação, realizado pelo SINTESE de 4 a 7 de novembro, reuniu 1.927 participantes, entre delegados, observadores, organizadores e convidados, de 73 municípios sergipanos. Os educadores tiveram a oportunidade de adquirir novas informações e debater assuntos relevantes para o exercício da profissão e a organização da categoria, além de definir, através da tese guia, o caminho que o magistério público deverá seguir nos próximos dois anos. Para começar as discussões, o conferencista Valter Pomar, Secretário Municipal de Cultura de Campinas (SP), fez uma apresentação da conjuntura atual, do país e do mundo, destacando os desafios dos movimentos sociais diante dos acontecimentos. Essa conferência despertou grande interesse nos educadores pela relação feita entre os problemas enfrentados pela Educação pública e os fatos político-econômicos que, muitas vezes, parecem estar distantes do cotidiano do educador. Temas em debate O financiamento da Educação pública no Brasil foi outro tema importante para os congressistas, principalmente no que diz respeito às propostas de aumento dos investimentos em Educação e de implantação do FUNDEB, um fundo que atende toda a Educação básica, ou seja, Educação Infantil, Ensino Fundamental, Médio, Educação Especial, de Jovens e Adultos, Indígena e Quilombola. Os conferencistas sergipanos, Iran Barbosa e Alexandrina Conceição, também deram sua contribuição no X Congresso abordando um tema de interesse local, que envolve a participação do magistério público. Trata-se da construção dos Planos Estadual e Municipais de Educação, que o Governo não demonstra interesse em concretizar e para os quais o SINTESE já elaborou algumas propostas. No último dia dedicado às conferências, os educadores discutiram a proposta das reformas sindical e trabalhista, apresentada pelo Fórum Nacional do Trabalho – FNT -, criado no Governo Lula, com a participação de empregadores, empregados e do Governo. As reformas dividem posições na CUT e ameaçam a organização dos trabalhadores no que se refere à liberdade e à autonomia sindical. A professora Aparecida Neri, da Faculdade de Educação da Unicamp (SP) fechou o ciclo de conferências mostrando que o reconhecimento da identidade do educador é fundamental para realizar o plano de lutas do sindicato. Neri fez ainda uma abordagem sobre a crise de identidade dos trabalhadores em Educação no exercício da profissão e ressaltou que, apesar do contexto de crise, o educador continua acreditando na construção de uma nova sociedade através do magistério. Aprovação da tese guia No domingo, os professores delegados pelos municípios se organizaram em grupos de trabalho para estudar e apresentar emendas à tese guia, documento que norteia as discussões, e alterações ao estatuto do sindicato. Segundo Joel de Almeida, presidente do SINTESE, os professores tiveram uma participação satisfatória nos trabalhos em grupo, mostrando disposição para a luta da categoria, além de formaram um plenário unido no momento de votação das emendas. Joel destaca que as alterações no estatuto, que acontecem durante o congresso, a cada dois anos, significam uma resposta política aos desafios da atualidade propostos à categoria e não apenas um procedimento burocrático da entidade sindical. Os professores aprovaram o Plano de Lutas do SINTESE para 2005 e 2006, que contém alternativas de enfrentamento aos problemas estruturais e conjunturais referentes ao magistério público. Moções de repúdio Um dos momentos importantes do X Congresso é a votação das moções, que tratam de assuntos de relevância local, nacional e internacional. As moções representam o posicionamento político do SINTESE em relação aos fatos sociais e manifestam o envolvimento do sindicato com questões que interferem na vida da sociedade. Os educadores delegados aprovaram, por unanimidade, entre outras, as moções de repúdio à transposição das águas do rio São Francisco, à política ambiental do Governo Federal, de repúdio a qualquer iniciativa que vise discutir uma nova regra de financiamento para a educação, desconsiderando todas as demandas sociais por Educação Básica, e de repúdio a qualquer iniciativa para desvincular os recursos destinados à Educação pela Constituição Brasileira.