SINTESE é contra a transposição do rio São Francisco

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Os professores da rede pública de ensino estiveram presentes, hoje, no plenário da Assembléia Legislativa para manifestar posição contrária ao Projeto de Transposição das Águas do Rio São Francisco, atualmente chamado pelo Governo Federal de Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias do Nordeste Setentrional. O SINTESE é contra a retirada de água em dois locais do rio para levar aos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba, especialmente para grandes projetos de irrigação. A categoria é solidária à situação de carência em que vive a população do semi-árido nordestino, mas repudia a atitude do Governo Federal de utilizar o sofrimento provocado pela seca para justificar a realização de um projeto que vai favorecer apenas grandes empresários. A transposição do rio São Francisco privilegia a agroindústria e a criação de camarões nos estados do Rio Grande do Norte e Ceará, que possuem água estocada nos açudes e subtilizada, prejudicando toda a bacia hidrográfica. Desobediência à lei O projeto de transposição pretende levar 70% da água retirada do rio São Francisco para irrigação, 26% para abastecimento das cidades e 4% para consumo humano. Essa divisão desobedece a Lei 9.433/97, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos e determina prioridade do uso da água para consumo humano e dessedentação animal. Além disso, o projeto vai beneficiar apenas 0,28% da população total da região, que corresponde a cerca de 5% do semi-árido nordestino. O SINTESE aprovou posição contrária à transposição e a favor da revitalização do Velho Chico, durante o X Congresso dos educadores, realizado ano passado, defendendo que a transposição das águas, sem a devida revitalização, significa aprofundar os problemas socioambientais enfrentados pelo rio São Francisco e por sua população ribeirinha. O Velho Chico necessita, de fato, de ações e projetos que tenham o objetivo de recuperar, preservar a área da bacia hidrográfica e utilizar suas águas de forma racional, respeitando a legislação brasileira de recursos hídricos.