O dia do rio São Francisco

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José Cristian Góes É claro que o dia do rio São Francisco não é hoje. É 4 de outubro, mesmo dia do santo. Mas hoje, 31 de janeiro de 2005, vai ficar registrado como uma data de resistência do povo sergipano contra um crime, a transposição, que o Governo Lula quer praticar contra o rio, contra o meio ambiente, contra a população. Hoje, a partir das 16 horas uma multidão vai impedir a audiência pública no Cefet que pretende legalizar ambientalmente a transposição. Como disse o maior especialista sobre hidrologia, João Abner, uma obra socialmente injusta, economicamente inviável e politicamente inconseqüente. O Governo Lula mente de forma absurda quando garante que a água do rio vai “matar” a sede dos nossos irmãos do Nordeste Setentrional. É pura mentira. É tanto descaramento que os altos técnicos do Governo já jogaram a tolha e confessaram: a transposição é para a indústria, a criação de camarões, para as grandes empreiteiras. Nada contra o desenvolvimento econômico do Nordeste Setentrional. O problema é como justificar retirar um volume estúpido “sangue” a um preço terrivelmente gigante de um paciente está praticamente morrendo juntamente por falta de “sangue”. O mais incrível é que a alta conta desse processo será paga pelos mais pobres da região. O mais grave é o caráter arbitrário, truculento, antidemocrático do Governo Lula nesta e em outras questões. Profundos e respeitadíssimos estudos sobre a transposição e inúmeras manifestações contrárias a esse absurdo são desconsideras e sufocadas pelo Governo Lula, logo ele, que vergonha. Os 13 milhões de habitantes da bacia do São Francisco dispõem apenas de 360 metros cúbicos por segundo para atender o consumo atual, o que é impeditivo ao crescimento da região hoje. Praticamente não há sobra, mesmo assim o Governo Lula quer retirar 127 metros cúbicos por segundo para levar água para onde já tem muita água. Isso mesmo é chover no molhado. No Estado do Ceará, por exemplo, os 7,5 milhões de habitantes têm hoje uma oferta de água de 215 metros cúbicos por segundo e o consumo lá só chega aos 54 metros cúbicos por segundo. O Rio Grande do Norte é outro exemplo. Ali a vazão garantida é de 70 metros cúbicos por segundo e o consumo atual não chega aos 34 metros cúbicos por segundo. A transposição não resolve em hipótese alguma o problema da seca no Nordeste. A água do “Velho Chico” não chegará as populações mais necessitadas, como as da região do Seridó, no Rio Grande do Norte. Para nós do baixo São Francisco a transposição significará receber o atestado de óbito do rio e de milhares de ribeirinhos. Segundo o professor João Abner a obra deve custar inicialmente mais de R$ 10 bilhões e se estender pelos próximos 15, 20 anos, o que oficializa a indústria a seca. O problema é que, ao contrário do discurso do desenvolvimento, a transposição reduzirá profundamente a capacidade de geração de energia o que provocará instalação definitiva do caos social. Ainda é tempo do presidente Lula impedir a transposição. Se isto não acontecer às populações de Sergipe, Bahia, Alagoas, Minas Gerais e Pernambuco, locais em que Lula sempre foi bem votado, vão responder numa linguagem que boa dos políticos entende: o voto, a fragorosa derrota nas urnas. Esta é uma convocação para a resistência. Hoje, dia 31, a partir das 16 horas, em frente ao Cefet (antiga Escola Técnica), todo mundo lá para gritar “não a transposição, não a morte do São Francisco, e sim a vida”. Quer ventilador? A Secretaria de Educação do Estado comprou ventiladores de parede por R$ 252,00 cada. Isso mesmo. Foram adquiridos 324 ventiladores de parede a empresa Cequipel Paraná Ltda e o valor total da compra foi R$ 81.648,00. Detalhe: a empresa no Paraná, mais precisamente em São José dos Pinhais, não tem ventiladores. Ela só revende. Pedágio a caminho A ponte que vai ligar Aracaju, através do Mosqueiro, ao município de Itaporanga (Caueira) vai ter pedágio. O DER já contratou uma empresa para fazer o estudo de viabilidade para a sua implantação. A empresa é a Essencial Tecnologia e Gestão Empresarial. Só esse estudo custou ao Governo do Estado R$ 34,8 mil, imagine o pedágio. Água nas Escolas O Governo do Estado, através da Secretaria da Comunicação, pagou a empresa “Frente Produções Artísticas” a bagatela de R$ 76 mil para produzir uma cartilhazinha de oito páginas com o tema “Água nas Escolas”. “Água em pedra dura…” Mais de R$ 4 milhões O falido e bombardeado IPES/Saúde acabou de fechar uma parceira com a SASE – Saúde Sergipe – uma Oscip – organização da sociedade civil de interesse público – uma espécie de ONG cheia de brechas que possibilita a instalação de vários esquemas com verbas públicas. Valor do contrato R$ 4,2 milhões para estabelecer “uma conjunção de esforços no sentido de operacionalizar programas, projetos e atividades do IPES”. Entendeu? R$ 4,2 milhões? O que faz Clóvis Silveira? Alguma alma viva neste em Sergipe sabe o que faz, o que produz, qual o fruto do serviço público que presta o senhor Clóvis Silveira, secretário especial de assuntos parlamentares? É uma vergonha. Um escândalo. Talvez o Mineiro da PMA saiba. Sabe-se apenas que de 21 a 26 de janeiro, a mando do governador João Alves, o senhor Silveira estava ganhando milhares de reais pagos pelos cofres públicos, por nós, para conhecer países da Europa, especialmente Portugal e Espanha. Passagem cara O prefeito Marcelo Déda disse que o valor da passagem dos ônibus de Aracaju é uma das mais baratas. Um “valor razoável”, disse ele. Não é. Mesmo com a integração do sistema, proporcionalmente a área percorrida pelos ônibus, a passagem de Aracaju é cara sim. Observe os percursos percorridos dentro de Manaus, por exemplo, e o trajeto que os ônibus percorrem em Aracaju. Lá o preço da tarifa é R$ 1,50. Assim se observa nas demais capitais. E tem exemplos piores, como Belém, que tem uma área territorial muito maior que a nossa e o valor da tarifa lá é R$ 1,15. E aí? Fim do “Parreiras Horta” O médico Raimundo Sotero, PFL, assumiu a diretoria de promoção da Saúde do IPES e se mantêm na presidência do Instituto Parreiras Horta até a sua extinção definitiva, o que deve acontecer por estes dias. O IPH é peça fundamental na história na saúde pública de Sergipe, foi criado pela Lei 836 de 14 de novembro de 1922 e infelizmente foi extinto pelo governador João Alves.