Professores de Macambira enfrentam descaso da prefeitura com a educação

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Há dois anos, os professores do município lutam pela aprovação do novo Plano de Carreira e Estatuto do Magistério, que resolveriam muitos de seus problemas, especialmente a situação dos monitores. Os representantes do SINTESE já se reuniram várias vezes com a administração municipal para corrigir erros referentes à educação, mas o prefeito Fabiano Santos Alves continua ignorando as dificuldades do magistério, passando por cima até de decisão judicial. A prefeitura removeu muitos professores, no início deste ano, sem critérios e por perseguição política. Foi necessário até entrar com ação na Justiça para pedir o retorno dos educadores aos seus locais de trabalho. A Justiça considerou o pedido do magistério e concedeu uma liminar, no dia 13 de junho, obrigando a prefeitura a conduzir os professores de volta aos seus lugares, imediatamente. “Apesar da decisão judicial, até agora a administração de Macambira não cumpriu a liminar. O prefeito informou que daria resposta sobre o assunto até o dia 21 de junho, mas até o momento nada e não quer conversar com o sindicato”, afirma Clésia Lapa, representante do SINTESE em Macambira. Reivindicações Entre os abusos cometidos pela prefeitura, está o pagamento da gratificação de regência de classe a professores que não trabalham em sala de aula. O abuso continua na nomeação de diretores para escolas com menos de 150 alunos, descumprindo o atual plano de carreira. Além disso, as reivindicações dos professores não estão sendo atendidas. Os educadores pedem o pagamento de férias referente a 45 dias por ano, pois, atualmente, recebem apenas por 30 dias. Outra reivindicação antiga dos professores de Macambira é a realização de concurso público para o magistério, que não acontece desde 1998. Sem Material A prefeitura recebe verba federal para a compra de material, mas algumas escolas sequer possuem um mimeógrafo para fazer cópias dos exercícios e testes dos alunos. Os professores recebem orientação para usar o papel chamex apenas nas cópias dos testes. Mesmo conhecendo essas necessidades, o prefeito Fabiano Alves decidiu implantar o ensino médio, em vez de estruturar as escolas do ensino fundamental. Transporte de risco As verbas de educação chegam também para o transporte, mas os alunos do povoado Sem Terra enfrentam os riscos da viagem de caminhão até outro povoado, onde pegam o ônibus para chegarem à escola, em Macambira. Já os professores são obrigados a esperar o ônibus lotado de estudantes para retornarem à cidade, enquanto a Topic da Secretaria Municipal de Educação segue para Aracaju à serviço da Secretaria Municipal de Saúde. Falta transparência Os educadores de macambira não entendem por que a administração municipal se julga transparente e não disponibiliza a folha de pagamento da Secretaria Municipal de Educação para o Conselho do Fundef. Sem as informações dessa folha, o conselho não pode verificar se os professores estão recebendo seus salários pelas fontes de recursos corretas. Para comprovar ainda mais a falta de transparência da administração municipal, o parecer do Conselho do Fundef não passa por seus membros, é assinado apenas pela presidente e enviado por ela.