Governo do Estado implanta política de perdas para a Educação 21.02

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A política de Educação do Governo do Estado torna-se cada ano mais perversa, retirando direitos conquistados pelo magistério, prejudicando o trabalho dos professores e estimulando a perda de recursos através da migração dos alunos para a rede municipal de ensino. Este ano, os educadores iniciaram as aulas em meio a um emaranhado de problemas, a exemplo da remoção dos profissionais, uniformização do currículo escolar e o programa de reordenamento da rede estadual, que vem causando transtornos ao sistema de ensino público desde o ano passado. O governo decidiu implantar nas escolas estaduais apenas um nível de ensino, portanto existem escolas que oferecem apenas o ensino médio, outras trabalham com a educação infantil e outras com a primeira etapa do ensino fundamental. Esse programa do governo, de reordenamento da rede, resultou na falta de alunos para preencherem as vagas disponíveis, principalmente no ensino fundamental. Professores removidos A outra medida do Governo do Estado foi reduzir o número de aulas de história, geografia e educação física, uniformizando o currículo das escolas e gerando uma fila de professores à espera de uma sala de aula para desempenharem sua função. Na condição de ociosos, os profissionais estão sendo devolvidos às diretorias regionais de educação ou à Diretoria de Educação de Aracaju – DEA. Essa situação cria um clima tenso entre os professores, que temem a ociosidade e a perda da gratificação de regência de classe, por estarem fora das salas de aula, além de perderem a identidade com a escola, aspecto importante para a construção de uma proposta pedagógica no ambiente onde trabalham. Existe professor que lecionou numa escola durante 20 anos e foi removido para outra, desconsiderando os critérios previstos no estatuto do magistério e interrompendo o desenvolvimento de uma proposta educativa. Perda de matrículas “É com essa política de Educação que o governador pretende chegar ao ensino público de qualidade, que tanto divulga na imprensa sergipana?”, questiona Roberto Silva, diretor do Departamento de Comunicação Sindical do SINTESE. Roberto informa que a rede estadual está perdendo matrículas em conseqüência da política adotada pelo governo. A Secretaria de Estado da Educação – SEED – garantiu à diretoria do SINTESE que faria campanha de matrícula para este ano, mas nenhuma ação foi realizada. Segundo dados do censo escolar, realizado pelo Ministério da Educação e Cultura, o número de alunos da rede estadual de Sergipe matriculados no ensino fundamental vem diminuindo desde 1998, que foi de 210.409 e chegou a 146.522 no ano passado. Em 1999, o número total de matrículas, somando os níveis de ensino fundamental e médio, também começou a cair, passou de 250.492 para 222.800, em 2004. “Com a redução de matrículas, o Estado perde recursos, já que a quantidade de recursos é igualmente proporcional ao número de alunos matriculados na rede. Portanto, quanto mais alunos, mais dinheiro para a Educação”, explica o diretor de comunicação sindical. A diretoria do SINTESE vai entrar com ação judicial contra o Governo do Estado para resolver a situação dos professores que estão sendo removidos de forma irregular. Esta não é a primeira ação que tramita na Justiça referente ao problema e o SINTESE já conquistou muitas vitórias.