Alfabetização: Brasil a uma década de Chile, Argentina e Uruguai

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“Nos últimos 20 anos, a taxa de analfabetismo no Brasil vem caindo, mas em velocidade baixa. Se não aumentarmos a velocidade, em 2015, teremos índice igual ao do atual analfabetismo no Chile e, em 2020, semelhante às taxas, hoje, da Argentina e Uruguai”, disse Henriques. O diagnóstico é de Ricardo Henriques, secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (Secad/MEC). Para enfrentar o desafio ele propõe aumentar a escolaridade e a velocidade do estudo, sair da “agenda da culpa” e priorizar estados e municípios para fazer os alfabetizados continuarem estudando. O país tem hoje 16,2 milhões de analfabetos absolutos, 33 milhões de analfabetos funcionais e 65,9 milhões de pessoas, acima de 15 anos de idade, que não concluíram o ensino fundamental. Os maiores contingentes de analfabetos encontram-se em São Paulo, Bahia e Minas Gerais, mas as maiores taxas de analfabetismo — entre 20% e 33% — estão nas regiões Norte e Nordeste, superando a média nacional, que é de 13% de pessoas acima de 15 anos que não sabem ler e escrever. “No Sul, onde estão os menores índices, o percentual de analfabetos está acima do desejado”, disse Ricardo Henriques. “A fotografia de nosso desafio” Ele fez um diagnóstico da necessidade de alfabetização de jovens e adultos no Brasil, no Fórum das Estatais pela Educação, terça-feira (26), em Brasília. “É a fotografia do nosso desafio”, disse. O diagnóstico revela elevada intensidade do atraso educacional, fruto da alta desigualdade e concentração de renda. “A taxa de reincidência no analfabetismo — quem se alfabetiza, pára os estudos e volta quase à situação anterior — é alta mesmo entre os jovens”, agregou. Para combater o problema, o MEC tem tomado importantes medidas. Em vez de convênios e repasse de recursos a ONGs, prioriza a transferência direta de recursos a estados e municípios no programa Brasil Alfabetizado e Educação de Jovens e Adultos (EJA). O ministério estipulou piso de R$ 120 aos alfabetizadores mais R$ 7 por aluno alfabetizado e aumentou o período de alfabetização de seis para oito meses. Também vai criar um sistema de avaliação do Brasil Alfabetizado para saber como se desenvolve o processo e o impacto do programa nos estados. O MEC está liberando,ainda, aos alfabetizados, cartilha sobre Direitos Humanos, além de ter convênio com o Sesi e o Ministério da Saúde para distribuir óculos aos alunos com problemas de visão. Fonte: Vermelho