Exploração sexual de crianças em SE: o começo

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Cristian Góes Até que fim. Na manhã desta terça-feira, dia 23, a Polícia Federal em Sergipe iniciou uma operação para prender algumas figuras que praticavam direta ou indiretamente a exploração sexual de crianças e adolescentes no estado. Algumas pessoas já foram presas, entre elas um homem que seria auditor da Receita Federal e marido de uma vereadora eleita em Nossa Senhora do Socorro Quem conhece um pouco dos bastidores da polícia e da política deste estado sabe perfeitamente que esse e outros crimes correm soltos em Sergipe faz tempo, envolvendo altas figuras de vários setores da sociedade. Por isso, é preciso festejar muito essa rara ação da Polícia Federal aqui e torcer para que os “grandes” nomes sejam desmascarados. Na verdade a PF já vem realizando operações como essa em outros estados e uma série de figurinhas foram presas. Em Sergipe, ao que parece, a operação apenas envolve a questão da prostituição infanto-juvenil, mas já é um começo. O ideal que a Polícia Federal fizesse um pente fino em ações do crime organizado aqui e que tem muitas ramificações poderosas. Não ia ficar pedra sobre pedra. Compra de votos, sonegação de impostos, fraudes em licitações, esquemas de empenho, comissão em obras, decisões arranjadas, queima de arquivo, assassinatos, roubos em apartamento de luxo, aquisição de terras, exploração sexual de crianças e adolescentes e muitos fatos poderiam render o desmantelamento de uma rede gigantesca de corrupção em Sergipe. Quem é mais atento e acompanha esta coluna desde seu início sabe que, por várias vezes defendi a intervenção da Polícia Federal em Sergipe para a realização de operações como essa de hoje. É óbvio que a ação não acaba um câncer social vergonhoso como a exploração sexual de crianças e adolescentes, mas é um passo fundamental para intimidar outras ações criminosas nesse mesmo caminho. A sociedade sergipana precisa deixar de ser tão hipócrita e cada um, dentro de sua condição, fiscalizar e denunciar, não permitindo que crianças e adolescentes sejam alvos de qualquer tipo de exploração. Além disso, exige-se de cada um o compromisso em relação aos recursos e princípios de uma gestão verdadeiramente pública, tanto no Executivo, Judiciário e Legislativo.