A “guerra” pela energia

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Enquanto não há solução para a disputa pela Endesa (Espanha), a França faz uma jogada brilhante e cria a segunda maior empresa de serviços públicos da Europa.< Enquanto não há solução para a disputa pela Endesa (Espanha), a França faz uma jogada brilhante e cria a segunda maior empresa de serviços públicos da Europa.
Na segunda-feira, o governo francês anunciou que a estatal Gaz de France (GDF) havia comprado a empresa Suez S.A. (energia e água). O valor da operação foi de 46 bilhões de dólares (39 bilhões de euros) e fez nau-fragar as intenções da italiana Enel (energia) que já havia feito uma proposta pela Suez.
A nova empresa (GDF + Suez) terá a maior rede de transporte e distribuição de gás da Europa e 214 mi-lhões de clientes no mundo (controle de outras empresas na África, na Ásia e na América Latina).
O governo italiano saiu em defesa da Enel e pediu uma investigação oficial da União Européia. Uma estatal francesa (GDF) compra uma mega-empresa privada francesa (Suez) e o governo da Itália sente as dores por uma empresa privada do seu país que também disputava o negócio. E “eles” ainda nos dizem que o bom é pri-vatizar os serviços públicos e que o Estado não deve se meter com a economia

– Em tempo 1: a maior empresa de serviços públicos da Europa, atualmente, é também uma estatal fran-cesa, a EDF (Electricité de France), que comprou a Light (Rio de Janeiro) durante as privatizações do governo FHC e agora quer vender.
– Em tempo 2: a Endesa, gigante espanhola da área de energia (que domina também no Chile, Argentina, Colômbia, Peru, Brasil e outros) que está sendo disputada entre a Gas-Natural (espanhola) e a E.On (alemã), era uma empresa estatal até 1998, quando foi privatizada através da oferta de ações na bolsa de valores da Espanha.

O lucro da energia.
A empresa espanhola Gas-Natural, que no Rio de Janeiro controla a CEG e a CEG-Rio e causou recente prejuízo aos trabalhadores da Álcalis e da Perynas, em Arraial do Cabo (ver nossos Infor-mativos anteriores), anunciou, nesta semana, seu lucro em 2005: 749,2 milhões de euros (crescimento de 16,7% em relação a 2004)!
Só com a venda de gás na Espanha, na Itália e na América Latina, seu lucro operacional cresceu 73,9%. As vendas de energia elétrica cresceram 41,3%. A Gas-Natural, recentemente, anunciou sua oferta para comprar a Endesa, outra gigante espanhola do setor de energia.

No RS, maior ocupação dos últimos cinco anos.
O MST reuniu cerca de 2 mil pessoas de 14 acam-pamentos do estado e ocupou, na manhã de terça-feira, a Fazenda Guerra, no município de Coqueiros do Sul, região norte do Rio Grande do Sul. Desde o fim da década de 1990 o MST não realizava uma ocupação com tantas pessoas de diferentes acampamentos no estado.

Uma prova de que a ocupação não pretende ser provisória é que as famílias estão construindo os barracos com madeira ao invés de lonas. Um dos primeiros barracos construído é o da escola itinerante. A pauta de rei-vindicações do MST nesta luta tem apenas um item: o assentamento imediato das 2.500 famílias acampadas no Rio Grande do Sul. Algumas famílias estão há 7 anos embaixo das lonas pretas.

A Fazenda Guerra é um dos maiores latifúndios do estado, com 7 mil hectares que ocupam os municípios de Coqueiros do Sul, Carazinho e Pontão. O proprietário, Felix Tubino Guerra, tem um histórico de dívidas bancá-rias e de descumprimento da legislação trabalhista. A área é suficiente para assentar cerca de 350 famílias. Esta é a terceira vez que o MST ocupa este latifúndio.

Monsanto quer comercializar semente estéril.
A Monsanto, maior companhia de sementes e biotec-nologia do mundo, estabeleceu um compromisso público em 1999 de não comercializar mais a tecnologia co-nhecida como Terminator – vegetais preparados geneticamente para produzir sementes estéreis. Agora mudou de idéia e quer que essas sementes sejam utilizadas no cultivo de alimentos.
Em resposta, mais de 300 organizações sociais declararam seu apoio para uma proibição global da tecnolo-gia Terminator argumentando que as sementes estéreis ameaçam a biodiversidade e destruirão as formas de vivência e a cultura dos mais de 1,4 milhão de pessoas que dependem da semente tradicional.

Terminator = bioescravidão.
Em fins dos anos 90 o governo dos EUA desenvolveu, através da empre-sa Delta & Pine Land, a tecnologia transgênica Terminator destinada a produzir sementes estéreis na segunda geração. O objetivo é impedir que os agricultores reproduzam sua própria semente, obrigando-os a comprar novas em cada ciclo de semeadura.

Em 2000, o Convênio de Diversidade Biológica (CDB) da ONU pediu aos governos do mundo para não permi-tir a experiência e comercialização da tecnologia Terminator. O Brasil e a Índia já proibiram a utilização desta tecnologia nos seus países. Para mais informação: www.terminarterminator.org.

Em espanhol, uma excelente matéria em www.jornada.unam.mx/2006/03/02/a03a1cie.php

Em janeiro, 398 mortos pela violência.
O Grupo de Apoio Mútuo (GAM), da Guatemala, divulga os números da violência e violação dos direitos humanos no país: computando os feminicídios, ações dos “esqua-drões da morte”, assassinatos de meninos e meninas de rua e ataques a lideranças populares foram registrados 398 assassinatos apenas no primeiro mês do ano. 350 foram homens, 37 mulheres e 11 crianças menores de zero a 15 anos. Muitas destas mortes ocorreram com brutalidade, para gerar temor na sociedade.

A CIA matou Torrijos.
John Perkins, um economista estadunidense aposentado, é autor de um livro que já causou muitas polêmicas: “As Confissões de um Assassino Econômico”. Neste livro, ele confessa haver traba-lhado para o governo dos EUA e para o Banco Mundial minando as economias dos países pobres para torná-los ainda mais dependentes. Descreve como eram subornados funcionários e autoridades para fazer aprovar as vontades de Washington.

Agora ele causa uma polêmica ainda maior.
Em uma declaração ao jornal La Prensa (Panamá), Perkins diz que a CIA matou o general Omar Torrijos e que o acidente com seu avião acontecido em 31 de julho de 1981, foi “arranjado” pela Agência que o considerava “um obstáculo para seus interesses”.

Uma resposta digna.
O hotel Sheraton do México, aquele que expulsou a delegação cubana que estava negociando com empresários mexicanos, recebeu “o troco”. Pressionadas pela população local, autoridades municipais mandaram fechar o hotel por haver violado a Lei para Funcionamento de Estabelecimentos Mercan-tis do Distrito Federal. Na terça-feira (28), a direção do Sheraton foi informada que teria apenas 24 horas para transferir todos os seus 550 hóspedes e fechar as portas.

Os fiscais municipais encontraram 15 violações graves da legislação, entre elas: inexistência de um serviço interno de proteção civil, não ter escadas de emergência para o exterior, operar dois bares internos sem licença de funcionamento, falta de vagas no estacionamento para todos os hóspedes, etc. Uma comissão municipal, acompanhada pela população local, lacrou as portas do hotel às 13 horas do dia 1 de março.

270 mil trabalhadores em greve.
Mais de 270 mil trabalhadores dos setores de mineração, siderurgia e metalurgia do México estão em greve desde o dia 1 de março. O movimento é um protesto contra as ações do governo mexicano que não reconheceu a representatividade de um dirigente eleito do sindicato, indicou um interventor e mandou congelar as contas bancárias da entidade.

Resistência no Equador.
A anulação do Acordo de Livre Comércio que está sendo negociado com Wa-shington, a saída do exército estadunidense da base de Manta e a convocação de uma Assembléia Constituinte para refundar o país, são três eixos que fizeram o povo equatoriano se revoltar e ir para as ruas. O povo acusa o atual governo de descumprir as promessas feitas, após a derrubada de Gutiérrez.

Além dessas reivindicações, os manifestantes denunciam também a petroleira OXY: “Há mais de vinte anos, a petroleira estadunidense rouba recursos naturais, saúde, educação e meios de vida do povo equatoriano”. A OXY é responsável por dez poços e uma usina de produção que antes pertenciam ao Estado e que de maneira irresponsável foram privatizados.
As marchas de protesto de estudantes e trabalhadores são constantes nas ruas de Quito e são reprimidas violentamente pelo exército. Os manifestantes protestam porque dizem que “o governo prepara uma manobra para renegociar com a petroleira que violou mais de 40 normas legais e contratuais”.

Indígenas do Equador querem nacionalização do petróleo.
O mesmo movimento que já havia to-mado conta da Bolívia agora sacode o Equador. Os indígenas Kichwas encaminharam ao presidente um docu-mento pedindo a imediata nacionalização do petróleo equatoriano e ameaçam com um movimento nacional de protesto.

“A proposta do movimento indígena é a recuperação e controle político do petróleo por parte do Estado”, disse Humberto Cholango, líder do movimento Ecuarunari. E conclui dizendo que “todas as empresas transna-cionais abusaram na nossa Amazônia, entraram ilegalmente, mudaram muitas coisas que são significativas para os povos indígenas e o que restou disso tudo foi desflorestamento, pobreza e deslocamento de povos.”

Uruguai abre arquivos da ditadura.
No início da semana, o governo do Uruguai entregou aos familia-res dos desaparecidos e exilados políticos os arquivos do Ministério de Relações Exteriores, comprovando que houve vigilância de uruguaios mesmo quando estavam fora do país.
O trabalho de levantamento e organização desses arquivos ainda não está completo e só deve terminar no próximo ano. Autoridades do Uruguai esclarecem que os dados estão sendo entregues aos parentes das vítimas da ditadura, mas não serão tornados públicos para garantir o direito dos envolvidos. A matéria completa sobre os arquivos está em www.ultimasnoticias.com.uy

Exploração infantil na América Latina.

Novos números estão sendo divulgados pela Organização In-ternacional do Trabalho (OIT). A exploração da pobreza faz ainda mais vítimas entre as crianças latino-americanas: são mais de 17 milhões de menores de 17 anos que trabalham! Recebem até 80% menos que o salário de um adulto e chegam a cumprir jornadas de 12 horas diárias. Deste total, mais de 2 milhões são ex-plorados sexualmente.

Dois milhões de trabalhadores informais.
Em apenas seis anos, o número de trabalhadores informais no Paraguai superou 2 milhões, enquanto os empregos no mercado formal privado nunca ultrapassaram 430 mil vagas. Os números fazem parte do informe divulgado pela Fundação para o Desenvolvimento Humano Sus-tentável (FDHS).

A maior parte dos informais são os vendedores autônomos e trabalhadores que prestam serviços temporá-rios, com carga inferior a 30 horas semanais.

Soldados estadunidenses no Paraguai.
Brigadas militares estadunidenses se deslocam livremente no território paraguaio, amparados pelo acordo bilateral supostamente para realização de “exercícios conjuntos combinados”.

Por decisão do Congresso Nacional, os soldados dos EUA têm “imunidades diplomáticas” com validade até 31 de dezembro de 2006, podendo ser prorrogadas. O acordo garante ao governo Bush, só nesta primeira fase de operações, a transferência para o Paraguai de 13 contigentes (499 soldados), aviões, armas, equipamentos e munições. O local escolhido foi a base “Mariscal Estigarribia”, a 250 quilômetros da fronteira com a Bolívia, onde já existe um aeroporto construído pelos EUA onde podem pousar os aviões Galaxys (os gigantes aéreos).

Principais bases na América Latina.

As principais bases estadunidenses na América Latina são: Guan-tánamo (Cuba), Fort Buchanan e Roosevelt Roads (Porto Rico), Reina Beatrix (Aruba), Hato Rey (Curaçao), Comalapa (El Salvador) e Manta (Equador). Além de manter mais de 1.000 soldados na Colômbia sob pretexto de “combater os narcotraficantes”.

Mais estadunidenses precisam receber ajuda para sobreviver.
Mais de 25 milhões de estaduniden-ses precisaram receber os alimentos distribuídos pelos serviços sociais para sobreviver. Os números foram di-vulgados pela maior rede de assistência dos EUA, a America’s Second Harvest. Segundo as informações da instituição, 9 milhões são crianças e 3 milhões são idosos.

Os números agora divulgados mostram que a quantidade de pessoas que dependem dessa ajuda cresceu 18%, em relação a 1997, e 9% comparados com 2001.

Desviando as atenções?
No dia 6 de fevereiro, em um discurso voltado para a opinião pública do seu país, Bush disse que “os EUA vão reduzir sua dependência do petróleo do Oriente Médio em 75%, até 2.025.” Nem um só cientista ou estudioso dos problemas energéticos o levou a sério. A Agência Internacional de Ener-gia, por exemplo, divulgou um estudo (muito conservador) dizendo que o consumo de petróleo vai crescer 1,76 e o de gás 2,3%, até 2.030.

Os EUA não precisam do petróleo do Oriente Médio? Parece que a senhorita Condoleezza Rice pensa de for-ma diferente ao assegurar que “é impossível para os EUA deixar o Iraque” porque isto deixaria “a região nas mãos de assassinos bárbaros e inimigos da humanidade.”

Bush foi avisado.
Uma fita de vídeo agora divulgada pela AP (Associeted Press) e comentada em um programa da BBC está causando muita polêmica nos EUA. Ao contrário do que havia sido divulgado pelo gover-no, Bush foi avisado com bastante antecedência sobre a aproximação do furacão Katrina e sobre sua violência. O filme mostra que Bush foi avisado sobre a potencial força destrutiva do furacão um dia antes da tragédia.

O filme mostra que os funcionários diziam a Bush e ao secretário de Segurança Nacional que os fortes ven-tos poderiam destruir o estádio Superdome e ouve-se Bush dizendo que “estamos preparados, não há problema”.

Ainda buscam cadáveres.
O jornal da Globo mostrou, com sorrisos do casal 20, o carnaval em Nova Orleans, o chamado Mardi Gras, para mostrar que tudo já voltou ao normal na cidade devastada pelo furacão Katrina. Mas não disse que a nova cidade está discriminando a população pobre, impedida de voltar aos antigos bairros.

Pior ainda, a matéria do Jornal da Globo não mostrou que, mal passado o “carnaval”, recomeçaram as bus-cas por cadáveres nas localidades mais atingidas. Os trabalhos para a limpeza nos bairros pobres e a busca pelos desaparecidos estão muito atrasados por falta da verba que o governo Bush havia prometido mas preferiu desviar para o Iraque.

Gastos com a guerra do Iraque.
De acordo com os cálculos de Linda Bilmes, da Universidade Harvard, e do prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, da Universidade Columbia, os Estados Unidos gastaram 251 bilhões de dólares na invasão do Iraque. Até o final da operação, o orçamento pode aumentar entre US$ 750 bilhões a US$ 1.184 trilhões. Antes do início da guerra, a assessoria do Bush estimava que os custos deveriam chegar a US$ 60 bilhões.

Os estudiosos dizem ainda que será preciso computar também outros gastos como: tratamento médico; custo dos ferimentos; indenizações por invalidez; custo de desmobilização; necessidade de despesas militares adicionais (em parte devido aos custos de recrutamento mais elevados no pós-guerra) e juros adicionais sobre a dívida.

Invasão do Iraque aumentou os riscos.
Uma pesquisa realizada em 33 países e divulgada no início da semana pela BBC mostra que, para a maior parte das pessoas, a invasão do Iraque pelas tropas estaduniden-ses e britânicas, em março de 2003, aumentou a ameaça terrorista no planeta.

Mais de 60% dos entrevistados considera que a invasão contribuiu para o aumento dos riscos e das ameaças de terrorismo no mundo. Os países mais críticos são a China (85%), a Coréia do Sul (84%), Egito (83%), Itália (81%), Alemanha (80%) e Espanha (79%).

Greve se alastra na Alemanha.
Os jornais locais já estavam classificando como “a maior greve do se-tor público alemão nos últimos 14 anos” e o movimento se ampliou ainda mais nesta quinta-feira depois que os trabalhadores de Bremen aderiram. Agora são 10 estados em greve e a economia já está sendo bastante afeta-da.

A mobilização é contra uma proposta de aumentar a jornada de trabalho para 40 horas semanais (hoje, por lei, é de 38,5 horas), sem pagamento das horas extras.

Reprimindo imigrantes.
A Europa quer envolver os países da África subsahariana na luta contra a imi-gração ilegal e os deslocamentos para o Velho Continente. Para isto, a Espanha está montando um novo proje-to de formação e treinamento de militares do Senegal, Mauritânia e Cabo Verde.

A União Européia está destinando um orçamento de 2 milhões de euros, nos próximos três anos, para armar e treinar os policiais africanos na repressão aos imigrantes. Uma tática antiga: jogar africanos contra africanos, dividir para conquistar. Vão criar uma elite de policiais desses países para prender, torturar e matar seus conci-dadãos que tentam chegar à Europa em busca de um emprego ou de um simples prato de comida. O jornal espanhol La Vanguardia está publicando uma série de matérias sobre o assunto, nem sempre favoráveis aos imigrantes.