Criação de emprego com carteira assinada

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A criação de empregos com carteira assinada em fevereiro bateu recorde para o período e superou os números de 2004, até então os melhores da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. A criação de empregos com carteira assinada em fevereiro bateu recorde para o período e superou os números de 2004, até então os melhores da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Os números divulgados mostram que foram gerados 176.632 novos em-pregos formais no mês passado. Este é o maior resultado já registrado para meses de fevereiro e representa uma expansão de 0,68% em relação a janeiro. No primeiro bimestre, a criação de postos de trabalho chegou a 263.248, também o melhor desempenho para o período. O último recorde para o bimestre foi em 2004, quando foram criados 239.180 empregos.

Brasileiro está mais otimista
O brasileiro está mais otimista quanto à inflação, ao emprego e à ren-da. É o que revela o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec). Divulgado pela Confederação Nacio-nal da Indústria (CNI), o Inec atingiu 104,9 pontos no primeiro trimestre deste ano, taxa 3,3% superior aos 101,58 pontos registrados no mesmo período de 2005. A pesquisa foi realizada este mês entre 2.002 pessoas em todo o país. Para o gerente da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, esse otimismo é resultado das condições favoráveis da economia. Ele disse que a recuperação do mercado de trabalho reduz o medo do desemprego e alimenta expectativas positivas da população.

Policiais desrespeitam direito de mulheres no RS
No início da semana, seis policiais fortemente armados e o delegado Rudimar de Freitas invadiram a sede da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Rio Grande do Sul, em Passo Fundo. Eles arrombaram o portão da casa e, sem se identificar, encurralaram sete mulheres e uma criança na cozinha. Os policias reviraram a sede da Associação e apreenderam computadores, CD’s, disquetes, dinheiro, cheques, cadernos e outros objetos sem fazer a listagem do que foi retirado, para controle da Justiça.

Além disso, as mulheres foram obrigadas a assinar, sem a presença de um advogado, uma intimação para depor. Os agentes envolvidos eram de Passo Fundo e Barra do Ribeiro, município onde foi ocupada a fábrica da Aracruz Celulose em 8 de março, Dia Internacional da Mulher. A empresa, que pede reparos por mudas de eu-calipto perdidas na ocupação, está envolvida em denúncias de crime ambiental e violação aos direitos huma-nos, especialmente em uma área indígena do Espírito Santo.

Gripe pode causar desemprego em massa
A queda nas exportações de frango, decorrente do avan-ço da gripe aviária, faz a indústria avícola brasileira reduzir a produção e anunciar férias coletivas e individuais, informou a Contac (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Alimentação), da CUT. A retração no mercado aponta para o risco de desemprego em massa no setor.

Na terça-feira (28), Contac e a CUT irão à Brasília para uma reunião com os ministérios do Trabalho e da Saúde para levar as reivindicações dos trabalhadores do setor.

Comunidades negras desaparecem
A presença da cultura negra no Espírito Santo é bastante ex-pressiva, com registro no censo de 1991 de 1,6 milhões de negros, totalizando 65% da população estadual. Dispersos hoje por todo território, a maior concentração ainda está no norte do Espírito Santo. As entidades de Movimento Negro cadastraram 35 comunidades negras rurais ainda resistentes – são cerca de 1.300 famílias remanescentes.

Mas as comunidades negras rurais e remanescentes de quilombos do Norte do Espírito Santo, região de-nominada Sapê do Norte, estão sofrendo com o impacto causado pela monocultura do eucalipto desde que, há cerca de 40 anos, a Aracruz Celulose se estabeleceu na região. Antes da chegada da empresa, havia 2000 co-munidades, com 10 mil famílias. Hoje restaram 35 comunidades, com cerca de 1.300 famílias. Indígenas e qui-lombolas do norte do estado venderam suas terras diante da promessa da empresa de oferecer trabalho e ren-da para todos, sem saber que isso não seria possível, já que a indústria é altamente mecanizada e usa de mão-de-obra qualificada. Restaram, então, os ofícios mais degradantes, como carregar tonéis de herbicidas e agro-tóxicos para serem aplicados nos cultivos de eucalipto, de modo a facilitar a colheita – já que essas substâncias extinguem qualquer outra forma de vida que não o eucalipto. Em média, são jogados cerca de 250 mil litros de herbicidas por dia nas plantações de eucalipto.

Prostituição infantil
Levantamento feito pela Universidade de Brasília em parceria com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos e o Unicef constatou a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes em 927 dos 5.561 municípios brasileiros. De acordo com o levantamento, a região que mais apresenta casos ainda é o Nordeste, com ocorrências em 289 cidades (31,1% do total). Mas as regiões Sul e Sudeste tiveram ocorrências em 402 cidades, 43,2% do total nacional.

Fim de uma privatização
O governo da Argentina reestatizou o serviço de água na capital e na pro-víncia de Buenos Aires, controlado desde 1993 pelo grupo francês Suez. O decreto assinado por Kirchner res-cindiu a concessão da empresa Aguas Argentinas.
Desde que chegou ao poder, em 2003, Kirchner reestatizou os correios, uma linha do sistema ferroviário de Buenos Aires e a empresa Thales Spectrum (que vigiava o espaço radioelétrico). Ele disse que foram encon-tradas “graves irregularidades” e que a companhia não fez as obras prometidas. O governo pretende investir 400 milhões de pesos (US$ 130 milhões) em uma empresa estatal que está sendo criada para administrar es-ses serviços. A nova empresa estatal recebeu o nome de Aysa (Aguas y Saneamientos Argentinos), com 90% das ações de propriedade do Estado e 10% dos funcionários. A companhia assumirá os serviços de água e es-goto na capital e região metropolitana, o que engloba uma população de 10 milhões de pessoas.

Nações indígenas convocarão plebiscito
Revoltados com a continuação das negociações do governo equatoriano em torno de um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA, os indígenas do país se rebelaram e realizam grande mobilizações. Cidades inteiras estão paralisadas, estradas estão bloqueadas e muitas categori-as profissionais entraram em greve. Os estudantes fazem também manifestações e greves.

O vice-presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), Santiago de la Cruz, anunciou que não reconhecem mais o governo oficial do presidente Palacio e que os indígenas vão reali-zar uma consulta popular sobre o TLC.

No dia 23, o CONAIE anunciou oficialmente que “os indígenas do Equador já não reconhecem o governo de Palacio que qualificaram de “uma ditadura disfarçada que só quer atender aos interesses estadunidenses.”

América Latina tem 1.300.000 escravos
Segundo o relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho), mais de um milhão de trabalhadores são mantidos em escravidão na América Latina. O documento foi divulgado durante o seminário Conferência sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (Ciradr) que aconteceu em Porto Alegre.

Em países como Bolívia, Paraguai e Peru, a população indígena é a mais submetida às condições de escra-vidão. No Brasil, segundo o Ministério do Trabalho e a OIT, durante o ano passado foram libertadas 4.113 pes-soas submetidas a regimes de trabalho forçado em grandes propriedades rurais.

Evo inicia programa de alfabetização
Com o apoio de técnicos e professores da Venezuela e de Cu-ba, o governo da Bolívia lançou nesta semana sua campanha de alfabetização que deverá beneficiar mais de 1 milhão de cidadãos. O acordo foi assinado entre Evo Morales e Fidel Castro, em 30 de dezembro, e está rece-bendo apoio da Venezuela onde o programa foi um sucesso e, segundo a ONU, erradicou o analfabetismo.

Na Bolívia, o programa de alfabetização tem uma outra característica importante: será feito em espanhol e também nos idiomas indígenas (quíchua, aimará e guarani).

Dois bilhões de pessoas sem saneamento
Cerca de 2,4 bilhões de pessoas não têm condições bási-cas de saneamento, o que multiplica o número de mortes por causas evitáveis, como diarréia e malária. Estes são dados preliminares do segundo relatório da ONU sobre os recursos hídricos no mundo. De acordo com o relatório, atualmente 1,1 bilhão de pessoas ainda não dispõem de água potável, o que corresponde a um quinto da população.

130 milhões sem moradia
O Programa da ONU para os Assentamentos Humanos calcula que 130 mi-lhões de pessoas vivem em moradias sem títulos de propriedade na América Latina. A informação está no rela-tório apresentado no México, na abertura do IV Fórum Mundial da Água. Os dados indicam que 44% da popula-ção vivem em condições de pobreza e 19% em situação de indigência.

Ativistas de 40 países lançam movimento mundial de luta pela água
Ao final do Fórum Alterna-tivo das Águas, no México (17 a 19 de março), ativistas e organizações de mais de 40 países se compromete-ram a consolidar uma plataforma de ação comum e uma estratégia global que permita articular as muitas lutas regionais, nacionais e internacionais para conseguir que a água seja considerada um bem de todos e um direito humano.

Entre os 5 eixos principais do movimento está a declaração de que “a água deve ser considerada um bem comum”, que “deve-se garantir o seu acesso como um direito humano fundamental e rechaçar qualquer mode-lo que a veja como uma mercadoria. Sua gestão e controle devem permanecer no âmbito público, comunitário, participativo e sem fins lucrativos”.

Boicote aos produtos da Coca –Cola
Comunidades rurais da Índia, que convivem com engarrafado-ras da Coca- Cola, já sofrem com a falta de água na região. Uma fábrica é capaz de captar até um milhão de litros de água por dia. Na Colômbia, desde 1990, oito trabalhadores de fábricas da multinacional, que atuavam no Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação, já foram assassinados por grupos paramilitares com a conivên-cia da empresa. Na Turquia, 14 motoristas da empresa, atuantes nos sindicatos, já a denunciaram por intimi-dação e tortura. Coca-Cola é isso aí. Os casos estão relatados no documento “Coca-Cola – o informe alternati-vo”, divulgado na Cidade do México pela organização War on Want.

No Fórum Internacional (Paralelo) em Defesa da Água, a organização War on Want divulgou sua proposta de uma campanha internacional de boicote aos produtos da empresa. Universidades estadunidenses, como a de Michigang e de Nova York, já cancelaram seus contratos com a empresa.

Mais detalhes sobre a campanha, nas páginas www.cokejustice.org e www.waronwant.org

Aquecimento global acelerado
A advertência foi feita por Mario Molina Paquel, prêmio Nobel de Química, que assegurou que 2005 foi o ano mais quente dos últimos 1.000 anos e que a temperatura global subiu, em média, 1 grau centígrado. “O aquecimento global está acontecendo mais rapidamente do que o pre-visto”, disse ele.

Seu relatório foi apresentado no Fórum Paralelo em Defesa das Águas e destacou que os principais pro-blemas ambientais estão relacionados com este aquecimento.

Demonstração de solidariedade
Como noticiamos nos Informativos anteriores, o governo Bush ha-via tentado impedir a participação de Cuba no Torneio Internacional de Beisebol. Jogadores de algumas sele-ções ameaçaram boicotar o torneio e os organizadores tiveram que aceitar a participação dos cubanos. A sele-ção dos EUA foi eliminada pelo México, durante as oitavas-de-final, enquanto a seleção cubana chegou à final do Torneio sendo vencida pelos japoneses. Cuba, com uma seleção de amadores, enfrentou fortíssimas sele-ções de jogadores profissionais e conquistou o vice-campeonato mundial.

Segundo o regulamento do Torneio, toda a arrecadação dos jogos (transmissão, placas publicitárias, venda de ingressos, etc.) seria dividida proporcionalmente entre os 4 primeiros colocados. Ao vice-campeão (Cuba) coube, segundo cálculo dos grandes jornais, um prêmio de pouco menos de meio milhão de dólares.

Ao retornarem para Havana, encontrando-se com Fidel Castro, os jogadores cubanos anunciaram que es-tavam doando todo o prêmio recebido para ajudar as vítimas do furacão Katrina, em Nova Orleans.

Demonstração de intransigência
Na última quarta-feira, ao saber que os cubanos iriam doar o di-nheiro do prêmio para as vítimas do furacão Katrina, um porta-voz do governo estadunidense apressou-se em dizer que Cuba não tinha direito ao prêmio porque não era “oficialmente” participante do Torneio. A Federação de Beisebol dos EUA declarou que “não há prêmio em dinheiro para dividir porque não houve lucro na arrecada-ção do Torneio”.

Ricardo Alarcón, presidente da Assembléia Nacional do Cuba, declarou que “o governo Bush nega-se, pela segunda vez, a ajudar a população pobre de Nova Orleans. Não os atendeu naquela data e nega a ajuda ago-ra”. Oficialmente, sabe-se que cerca de cinco mil pessoas ainda estão desabrigadas ou desaparecidas na região atingida pelo furacão e, recentemente, os jornais noticiaram que mais sete corpos foram achados, sete meses depois da tragédia. Mas o governo estadunidense não quer permitir que a ajuda cubana chegue às vítimas.

Monoculturas de eucalipto no Uruguai
Uma única empresa estadunidense possui 120 mil hectares de plantações de eucalipto. O Uruguai está vivendo um processo de concentração da terra jamais visto. São novos latifúndios. Os uruguaios já realizaram um grande movimento para expulsar as transnacionais que explo-ram a água no país e fizeram um plebiscito que colou um artigo na Constituição que impede a privatização da água. Agora lutam contra as fábricas de celulose.

81 imigrantes “desaparecem”
81 senegaleses que foram localizados em dois barcos nas costas do Marrocos “desapareceram” misteriosamente depois de obrigados a desembarcar em terreno cheio de minas.

Os senegaleses tentavam entrar na Europa pelo mar, mas foram cercados por lanchas da polícia e tiveram que retornar à terra, desembarcando em uma região entre Marrocos e a Mauritânia onde há milhares de minas terrestres. Organizações humanitárias haviam localizado o grupo na manhã de domingo, mas eles não foram mais vistos no final da tarde, quando a ajuda seguiu para a região.

Outra Greve Geral
Depois dos massivos protestos de rua por todo o país, uma greve geral deverá pa-ralisar novamente a França no dia 28. Uma reunião de 12 organizações sindicais — entre elas, as cinco grandes centrais — deliberou por se unirem e apoiarem os grêmios dos estudantes e de universitários para convocar a greve na tentativa de forçar o governo a enterrar a tal lei que discrimina o contrato de trabalho dos jovens, chamado Contrato de Primeiro Emprego (CPE).

A França está sendo sacudida por protestos exigindo a derrubada a lei que permite que as empresas con-tratem jovens e depois demitam sem qualquer explicação ou indenização durante os dois primeiros anos do contrato. O governo alega que a lei incentiva a criação de mais empregos. Mas os jovens alegam que o efeito disso é só um emprego mais precário.

Na última sexta-feira, o primeiro-ministro Villepin resolveu receber as entidades sindicais em busca de uma solução, mas não houve acordo. Jornais parisienses divulgam uma pesquisa dizendo que 66% da popula-ção discorda da lei e o jornal Libération diz que “os sindicatos não podem renunciar à exigência de retirada da lei sem perder a credibilidade dos jovens.”

Gasoduto levará gás russo à China
China e a Rússia assinaram um acordo para a construção de uma rede de gasodutos que transportará grandes quantidades de gás dos campos da Sibéria para o território chinês. Funcionários disseram que os gasodutos, que devem estar prontos em cinco anos, poderão transportar mais de 80 bilhões de metros cúbicos de gás por ano. Os detalhes comerciais sobre o gasoduto ainda não fo-ram negociados. Segundo a agência Interfax, a construção poderia custar US$ 10 bilhões.

Energia é debatida por cúpula européia
Os líderes da União Européia se reuniram nesta semana para definir uma política energética comum e acelerar as reformas econômicas, num encontro que foi marcado por temas fora da agenda oficial. A Comissão Européia queria transformar em centro do debate a necessidade de um enfoque comum em matéria energética, mas o protecionismo econômico roubou a cena.

Guerra civil?
A invasão estadunidense do Iraque completa três anos e uma nova questão vem sendo debatida nos meios políticos: “o país já está mergulhado na guerra civil e há o risco de se desintegrar?” O ex-premier iraquiano Iyad Allawi declarou, em entrevista na BBC, que “Se isto não é uma guerra civil, então só Deus sabe o que é guerra civil”. E afirmou que o país caminha para um ponto sem volta, em que pode se desin-tegrar.

Governo Blair havia autorizado vôos da CIA
Depois de toda a pressão da sociedade e até de alguns jornais, o governo Tony Blair admitiu que havia autorizado que aviões da CIA utilizassem o espaço aéreo inglês e pequenos aeroportos no país para o transporte de prisioneiros ilegais. Segundo o jornal The Guardian, foram 73 viagens reconhecidas e autorizadas.

Soldado inglês abandona o exército
Um soldado das forças especiais do exército britânico (SAS), Ben Griffin, 28 anos, recusou-se a cumprir novas ordens do comando e abandonou o exército, desgostoso pelo uso de “práticas ilegais” por soldados estadunidenses no Iraque. Ben procurou seu comandante e disse ter pre-senciado “dezenas de atos ilegais” dos soldados dos EUA que se referem aos iraquianos como “não humanos”.

Em depoimento feito diante de oficiais, ele disse que muitos civis inocentes estão morrendo e sendo tortu-rados sem qualquer motivo aparente. Muitos são presos durante incursões noturnas das tropas e interrogados por oficiais do exército estadunidense.

A matéria está em: http://www.fromthewilderness.com/free/ww3/031606_world_stories.shtml#0

60 iraquianos morrem por dia
Três anos depois da invasão, os EUA não sabem o que fazer com re-lação ao Iraque e não apresentaram qualquer fato que justificasse a ação e as mortes. O fantástico exército estadunidense não consegue vencer a resistência iraquiana e Bush está diante de um dilema: não pode ser retirar do Iraque porque isto teria conseqüências políticas e militares piores do que a derrota no Vietnam; mas não pode continuar porque o custo em vidas e prestígio representará uma derrota ainda maior. E, além disso, devemos considerar que ele não conseguiu se apossar e fazer uso do petróleo iraquiano.