Fórum Mundial da Educação

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O encontro, realizado em Nova Iguaçu (RJ), terminou no domingo (26) com críticas às políticas neoliberais e defesa da integração latina. O encontro, realizado em Nova Iguaçu (RJ), terminou no domingo (26) com críticas às políticas neoliberais e defesa da integração latina. Mais de 30 mil pessoas participaram do encontro, que contou com 320 atividades organizadas por entidades da sociedade civil e com a apresentação de 450 trabalhos, pesquisas e teses de edu-cadores. Durante quatro dias, cerca de 700 artistas se apresentaram nos quatro palcos montados em diferentes pontos da cidade. O FME teve também uma feira de economia solidária, por onde circularam mais de 17 mil pessoas. Veja partes da Carta do Fórum:
“Nova Iguaçu, Rio de Janeiro (23, 24, 25 e 26 de março de 2006) (…) O Fórum Mundial de Educação de Nova Iguaçu foi um espaço aberto e plural, onde se reafirmaram os princípios e lemas que nos convocaram nas edições anteriores, realizadas em Porto Alegre, São Paulo, Córdoba (Espanha) e Caracas. Contribuímos aqui para a construção de um processo de mobilização e de luta pela defesa irrestrita do direito à educação como um direito humano e social; como um requisito fundamental para a construção de uma sociedade justa, iguali-tária (…) Nós (…) reafirmamos nosso compromisso com a defesa e a transformação democrática da escola pública, gratuita, laica e de qualidade para todos e todas. Repudiamos as políticas neoliberais, conservadoras e oligárquicas que privatizam e mercantilizam o direito à educação (…). Repudiamos qualquer forma de precari-zação do trabalho docente e todas as políticas que degradam o exercício da docência, violando seus direitos e, junto com eles, o direito de todos os meninos e meninas a receber uma educação de qualidade. (…) Repudia-mos também as políticas econômicas que, sob a falácia do equilíbrio fiscal, priorizam o pagamento de uma dívi-da externa ilegítima e impagável, gerando a permanente drenagem de recursos públicos a grupos econômicos nacionais ou transnacionais. Repudiamos toda forma de imperialismo e colonialismo (…). Nós que nos reunimos em Nova Iguaçu defendemos a construção de um projeto educacional emancipatório, onde os Estados assu-mam, sem concessões, sua responsabilidade inalienável no financiamento da educação pública, destinando, pelo menos, 6% de seu PIB para sustentá-la. Defendemos a educação como uma efetiva e imprescindível forma de inclusão social e trabalhamos todos os dias para eliminar o analfabetismo e as causas que o produzem. (…)”

Salários sobem mais que o PIB em 2005
A massa salarial – soma de todos os salários recebidos por trabalhadores brasileiros – teve aumento de 5,3% no último ano, segundo cálculo divulgado nesta quinta-feira, pelo IBGE. Com isso, o PIB per capita – quanto cada cidadão teria da riqueza brasileira se ela fosse dividida igualmente – foi a R$ 10,5 mil por ano.

O aumento da massa salarial resultou, segundo o IBGE, em um aumento do consumo das famílias. Ao lon-go de 2005, as famílias brasileiras gastaram R$ 1,075 trilhão. Isso faz com que o consumo seja responsável por mais da metade do PIB brasileiro, que ficou em R$ 1,9 trilhão.

Segundo o IBGE, outro indicador do consumo apresentou boa elevação: as operações de crédito cresceram 36,7%. O efeito colateral, segundo o instituto, foi a queda na taxa de poupança do país, que foi de 23,2% para 22,2% do PIB. Foi a primeira queda do nível de poupança, após quatro anos seguidos de crescimento.

Nanotecnologia e as transnacionais
A nanotecnologia é o mais novo perigo entre as tecnologias de ponta da indústria comercial. Baseada na medida métrica “nano”, consiste na manipulação da matéria viva e não-viva em um nível atômico, dividindo-a em um bilhão de vezes. A matéria fica tão pequena, que ultrapassa qualquer barreira física. No caso do ser humano, os efeitos são os mesmos. “As partículas nano passam pela pele, pela proteção do cérebro e a placenta. E nem sabemos os efeitos que causam no organismo”, relata a ambientalista brasileira Maria José Guazzelli. Já existem produtos feitos a base da nano, como é o caso dos protetores solares, cremes para combater rugas e alguns tipos de asfalto.

A ativista mexicana Silvia Ribeiro, do Grupo ETC, afirma que a nanotecnologia permite entrar no genoma das plantas, onde estão suas características e propriedades e efetuar mudanças. Com isso, estão abertas as possibilidades de criar novos tipos de transgênicos e, até mesmo, de elementos artificiais até então não encon-trados na biodiversidade do planeta. “Assim a matéria-prima natural cede lugar às sementes e elementos fabri-cados em laboratório, como os casos de alguns tipos de borracha e de algodão já criados”, afirma Ribeiro. Um caso verídico é o da transnacional de sementes Syngenta, uma das maiores fabricantes de medicamentos do mundo. Recentemente, a empresa tentou patentear uma parte do genoma do grão de arroz, que retirou por meio da técnica da nanotecnologia. O gene da semente é o mesmo de outros 40 cultivos, entre eles banana e milho. Neste caso, se ela conseguisse a propriedade intelectual sobre o gene do arroz, teria automaticamente o mesmo direito sobre os outros 40 cultivos.

Lula condena a semente Terminator
Discursando nesta segunda-feira, na abertura da Conferência sobre Diversidade Biológica promovida pela ONU, em Curitiba, Lula criticou a semente transgênica. Justificando a razão do voto brasileiro contra as sementes Terminator, Lula disse que “a biodiversidade é o maior tesouro do nosso planeta” e que “nada que ameace a vida ou que represente um monopólio do acesso a seus recursos serve para a humanidade”.

Policiais militares envolvidos em tortura.
O presidente da Comissão Especial de Combate à Violência no Campo da Ouvidoria Agrária Nacional, disse nesta semana que, diante da gravidade das denúncias apresen-tadas e do histórico de violência de policiais militares de Cabrobó (PE), pedirá o afastamento imediato dos en-volvidos em atos de tortura e prisão arbitrária de trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra em 8 de março.

Florisvaldo de Araújo Néri, da direção estadual do MST, foi um dos cinco trabalhadores rurais a depor du-rante a audiência. Ele narrou com detalhes a chegada violenta dos policiais ao acampamento e as torturas e espancamento sofridos por ele. Segundo Florisvaldo, ele recebeu diversos golpes de cassetetes e coronhadas, e foi jogado por policiais militares em uma cerca de arame farpado, quando feriu gravemente o olho direito. Caí-do e algemado, Florisvaldo continuou sendo espancado e ameaçado de morte pelos policiais, apesar dos apelos de mulheres e crianças que presenciavam a cena para que os policiais parassem com a violência. Todos os mais de 200 trabalhadores e trabalhadoras que se encontravam no acampamento foram levados para a delegacia de Cabrobó. Florisvaldo, algemado e sangrando, foi exposto e humilhado publicamente nas ruas da cidade, junto com outros agricultores detidos.

Acampamento do MST é atacado por capangas na Paraíba
Nesta quinta-feira, o acampamento 17 de Abril, localizado no município de Riachão do Poço (PB), foi alvo da ação de capangas. Os homens atiraram durante 15 minutos em direção às 45 famílias acampadas dentro do imóvel Imaculada. Para o MST, a violência tem como objetivo mascarar o imóvel como produtivo, antes da vistoria do Incra, prejudicando o processo de desapropriação da área.

Conforme negociação firmada ontem entre o MST e o Incra, técnicos do Instituto devem realizar a vistoria na fazenda Santo André dos Angicos e foram impedidos de entrar no imóvel por capangas da fazenda.

Ollanta Humala assume bandeiras da integração
O candidato presidencial peruano Ollanta Humala passou a receber apoio de organizações e partidos de esquerda, subiu nas pesquisas e está assumindo um dis-curso progressista e de unidade latino-americana. Em entrevista na televisão, segunda-feira, disse que a Amé-rica Latina necessita de uma revolução na educação, na saúde e no desenvolvimento econômico e social dos povos. Respondendo às acusações de membros do governo Bush, disse que seu projeto não faz oposição a ninguém, em particular, mas é de unidade regional.

Depois de elogiar o processo bolivariano, na Venezuela, Humala disse estar trabalhando uma agenda co-mum com Caracas, La Paz e Brasília a respeito da questão energética, para fortalecer a unidade latino-americana.

Movimento indígena equatoriano define novas lutas
Reunido nesta sexta-feira, em Assembléia Na-cional, o movimento indígena do Equador traçou planos para novas ações de resistência contra a assinatura do TLC com os Estados Unidos. O governo equatoriano ameaçou impedir a realização da reunião convocada pela Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE).

Em comunicado oficial, os indígenas denunciaram a “violência e autoritarismo do governo de Alfredo Pala-cio”, dizendo também que “estas ameaças são uma tentativa de intimidar ou amedrontar o movimento indígena e demonstram a verdadeira disposição do regime”. O documento termina dizendo que “Em vez de aplicar a lei para defender a soberania nacional e declarar a suspensão do contrato com a empresa petroleira estadunidense Oxy, o presidente utiliza a ameaça e a violência contra os próprios equatorianos.”

Cem mil casas subsidiadas
Chávez anunciou, nesta semana, seu novo programa social: a revolução da moradia. No primeiro trimestre do ano, o governo já entregou 15.921 casas a preços acessíveis para a po-pulação, em comunidades com todas as necessidades atendidas (transporte e saneamento). Até o final do ano, a meta é entregar 100.000 casas.

Outro susto para Bush
O jornal The Wall Street Journal, em sua edição de segunda-feira, traz uma matéria que causa tremores e pesadelos na Casa Branca: “graças aos avanços tecnológicos na indústria de petróleo, especialmente na área de recuperação de poços, a Venezuela já ocupa o primeiro lugar na classifica-ção dos países com as maiores reservas petrolíferas do planeta”. A Agência Internacional de Energia, em rela-tório recente, também reconheceu a plena recuperação da produção venezuelana, depois das sabotagens de 2002 e 2003.

Uruguai e Argentina “rompem” com Escola das Américas
Os governos do Uruguai e da Argentina enviaram mensagem anunciando que não enviarão mais tropas para treinamento na Escola das Américas, tra-dicional reduto onde foram formados torturadores e golpistas nas décadas de 1960 e 1970. A Venezuela já tinha tomado a mesma decisão, em 2004.

Em 1996 o Pentágono desclassificou documentos sobre a Escola e tornaram-se conhecidos os manuais de treinamento que defendiam a tortura e execuções de opositores, pelo que passou a ser chamada de “Universi-dade de Assassinos” e várias instituições começaram a pedir o seu fechamento.

Fim de crimes contra sindicalistas
O Conselho de Administração da Organização Internacional do Trabalho (OIT) encaminhou documento solicitando ao governo da Colômbia que intensifique a apuração dos crimes cometidos contra sindicalistas no país e a adotar medidas que acabem com a violência. Em 2005, 40 sindicalistas foram assassinados no país.

Apesar de haver uma diminuição nos crimes – em 2002 foram assassinados 196 sindicalistas – a Escola Na-cional Sindical da Colômbia divulgou documento mostrando que o número é maior do que o oficial: foram 70 sindicalistas mortos, 260 receberam ameaças de morte, 56 foram presos ou sequestrados e 7 foram vítimas de atentados com explosivos.

A história de um atentado
Os familiares das vítmas do atentado com explosivo contra um avião cu-bano, em 1976, estão lançando uma página na internet para divulgar as informações sobre o caso e, principal-mente, sobre o autor do atentado: Luis Posada Carriles. A página (www.familiesforjustice.net.) descreve toda a história do atentado tramado por militantes anti-castristas e a explosão do avião matando 73 pessoas.

Posada Carriles, mentor e autor do atentado, foi preso na Venezuela em 1985 e estava sendo julgado quando fugiu em circunstâncias estranhas. Ficou “escondido” durante algum tempo e depois apareceu no Pa-namá, onde tramou um atentado contra Fidel, em 2000. O atentado falhou e Carriles foi preso, depois indultado pela presidente Mireya Moscoso no último dia de seu mandato!

Depois disso, Carriles apareceu nos EUA onde está sendo mantido por Bush, apesar de uma resolução da ONU que determina que ele seja extraditado para a Venezuela, onde estava sendo julgado pelo atentado.

Greve parou a França
A greve convocada por sindicatos e estudantes contra a reforma trabalhista do governo francês paralisou as maiores cidades francesas na terça-feira e mobilizou mais de 3 milhões de pesso-as. O metrô parisiense operou lentamente, provocando filas nas estações. No aeroporto de Lyon cerca de 30 vôos foram cancelados e trens sofreram atrasos.

Somente em Paris, mais de 700 mil pessoas participaram do protesto. A polícia usou bombas de gás lacri-mogêneo, munição de borracha e jatos d’água para conter os manifestantes na Place de République, no Centro de Paris. Cerca de 500 pessoas foram presas na França. Só na capital, foram 105. A ordem dada pelo ministro do Interior, Sarkozy, era de prender os “delinqüentes”. Mais de 4 mil policiais foram mobilizados.

Presidente francês desafia movimentos
O presidente francês, Jacques Chirac, disse nesta sexta-feira que assinará a Lei do Primeiro Emprego, contrariando todas as manifestações de estudantes e trabalhado-res do país. Para reduzir o impacto da lei, Chirac disse que vai fazer uma única alteração: segundo o projeto original da Lei, os patrões podem demitir os empregados com menos de 26 anos de idade, sem justificativa, durante os dois primeiros anos de trabalho e ele disse que vai reduzir o prazo para um ano.

O presidente da União Nacional dos Estudantes da França, Bruno Julliard, disse que ficou espantado com a decisão e que o governo está deixando de ouvir os estudantes e trabalhadores que já julgaram e condenaram a tal Lei.

Reino Unido em greve
Mais de um milhão de funcionários públicos de governos locais fizeram, nesta terça-feira, uma greve nacional no Reino Unido para protestar contra as mudanças no sistema previdenciário. A mobilização fechou as escolas e parou o transporte público contra a decisão do governo Blair de aumentar de 60 para 65 anos a idade mínima para receber a aposentadoria integral. Foi a maior paralisação do país desde 1926.

Os trabalhadores bloquearam o acesso a escolas, universidades, escritórios, delegacias, bibliotecas, museus e estabelecimentos esportivos de todo o país. A greve também parou o serviço de coleta de lixo e o transporte público em várias cidades. Na Irlanda do Norte, todos os trens e ônibus pararam. A greve foi convocada por 11 sindicatos.

Greve na Alemanha
Mais de mil trabalhadores do setor automobilístico, filiados ao sindicato IG-Metall, deflagraram uma greve na montadora da BMW em Leipzig, que marcou o início de uma série de greves preven-tivas para exigir aumento dos salários. As greves foram organizadas pelo sindicato da indústria metalúrgica e elétrica, depois do fracasso das negociações com a patronal.

Petróleo: novo recorde de preço
A cotação do petróleo atingiu novos recordes nesta semana. De 24 a 31 de março os preços médios de referência chegaram a US$ 65,62/barril.

China tem o primeiro lugar mundial de reserva de divisas
A China ocupa agora o primeiro lugar mundial de reservas de divisas, deslocando o Japão. O gigante asiático acumulou, no segundo mês do ano, reservas que alcançam 853,7 bilhões de dólares, superando os 850,1 bilhões do Japão.

Meio milhão nas ruas!
Uma imagem que deve ter aterrorizado Bush e sua equipe: meio milhão de pes-soas saem às ruas em várias cidades para protestar contra a lei da imigração nos EUA. As imagens divulgadas pelas agências internacionais (quase nada foi divulgado no Brasil) são impressionantes e mostram multidões percorrendo as ruas. As maiores manifestações aconteceram em Los Angeles, mas aconteceram também em outras cidades estadunidenses: Chicago, Milwaukee, Atlanta, Denver e Phenix. Com cartazes dizendo “Basta de Humilhação”, “Chega de Abusos” e muitos outros, milhares de migrantes protestaram contra a nova lei.

Alguns jornalistas e analistas estão considerando este movimento como um “resgate” das mobilizações so-ciais nos EUA, como não acontecem há muitos anos.

A polícia de Los Angeles calculou que participaram do protesto mais de meio milhão de pessoas, na que po-deria ser a maior manifestação de imigrantes da história estadunidense, e a maior passeata de protesto nessa cidade.

Bush preocupa-se com a China
O governo dos EUA fala muito de “livre comércio” mas está prepa-rando um pacote de medidas protecionistas para limitar o avanço da China sobre a sua economia. O Senado já está debatendo um Lei que elevaria as tarifas para 27,5% sobre todas as importações de produtos chineses.

O déficit comercial dos EUA com a China alcançou valores alarmantes. No ano passado superou 200 bilhões de dólares (quase a terça parte do rombo da balança comercial).

Embaixadas têm tropas de elite
Embaixadas estadunidenses estão recebendo tropas de elite e gru-pos especializados em “captura e assassinato de terroristas”. Donald Rumsfeld anunciou que a CIA e o Pentá-gono alertaram para “riscos” em vários países, inclusive na América Latina, e que o governo resolveu “prote-ger” seus funcionários.

Rede internacional ajuda desertores
Cerca de 9.000 soldados estadunidenses que estavam no Ira-que já desertaram e abandonaram o país. Oficialmente, o Pentágono reconhece apenas 5.000 desertores. O FBI tem uma lista com os desertores e uma ordem de prisão que não prescreve com o tempo.

Informações recentes divulgadas na internet mostram que a própria resistência iraquiana montou uma rede de informações e colaboradores para ajudar os soldados que desejam abandonar o exército estadunidense e fugir do país. Os soldados entregam suas armas e equipamentos individuais para os militantes da resistência e recebem dinheiro para deixar o país. A matéria está em www.iraqsolidaridad.org