Ana Lúcia leva o debate sobre o direito à educação para Assembléia

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Mobilizar os deputados estaduais sergipanos para que participem ativamente da VII Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, que acontece de 24 a 28 de abril.

Este foi o objetivo do requerimento de autoria da deputada Ana Lúcia que levou o professor Joel Almeida, presidente do Sintese – Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Sergipe – ao plenário da Assembléia Legislativa. Apresentando dados da educação brasileira e sergipana o sindicalista espera ter sensibilizado os parlamentares a ajudar na melhoria da educação pública no estado. “Viemos mostrar aos deputados a necessidade deles participarem da campanha em defesa da educação pública de Sergipe”, explicou Joel Almeida.

Como diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação o presidente do Sintese apresentou dados mostrando que para garantir educação de qualidade são necessários, simultaneamente, financiamento, responsabilidade sistêmica, gestão democrática e valorização dos profissionais da educação. O Brasil investe pouco na educação. Hoje são investidos apenas 4,3% do PIB em Educação. A luta de décadas dos educadores e trabalhadores da Educação é fazer com esse percentual seja elevado para 10%.

Em relação ao Governo de Sergipe, Joel Almeida criticou os projetos pedagógicos e os programas adotados e impostos pelo Estado de Sergipe. “Temos um governo que desvaloriza os professores, pois importa projetos pedagógicos de outros estados e tira a autonomia dos professores sergipanos para elaborar políticas pedagógicas para nossos alunos”, criticou Joel.

Os centros de excelência implantados em Sergipe também foram criticados. Segundo dados do sindicato o número de matrículas registradas no Atheneu Sergipense vem caindo desde que foi implantado o centro. Em 2002 existiam 4 mil alunos, esse ano o número de alunos matriculados caiu para pouco mais de 1,5 mil.

A deputada Ana Lúcia contribuiu para a discussão apresentando dados sobre os salários dos educadores sergipanos e de outros estados. Mostrando que Sergipe é o estado que menos gasta com folha de pessoal, isso tendo como resultando um grande arrocho salarial.

A receita líquida sergipana aumentou 51%, o salário mínimo nacional 50%, o índice inflacionário no período chegou a 25%, mas o reajuste salarial dos professores ficou em apenas 9,78%. “Apenas neste governo a perda salarial do professorado já chega a 15%, ou seja, de cada R$100 que o professor recebe ele só pode gastar R$85. Não há qualidade da educação sem respeitar a dignidade dos professores, e sem respeitar as condições de trabalho para o profissional da Educação”, completou Ana Lúcia.

Para Joel Almeida essa é uma grande oportunidade do governo recuperar as perdas salariais que os professores acumularam durante oito anos. “Há um gama de recursos para aplicar no reajuste salarial dos professores. O que falta é vontade política da secretaria de Educação e do governador”, ratificou o professor.

Segundo dados da Organização Não Governamental Ação Educativa, os estados de Sergipe e Rio Grande do Norte são os campeões em desistência da juventude no ensino médio. Esse problema é causado pela falta de equipamentos nas escolas, que não contam com laboratórios, falta material para o funcionamento desses espaços, entre outros. “Como falar em qualidade de ensino em Sergipe se os professores não são considerados construtores do conhecimento e as relações sociais no ensino são desprezadas. E o Governo do Estado gasta uma fortuna importando pacotes pedagógicos e em consultorias achando que os nossos professores não têm competência para elaborar o conhecimento”, questionou Ana Lúcia.

Amanhã os professores sergipanos participam da paralisação nacional e da Marcha Nacional em Defesa da Educação Pública de Qualidade. A concentração é às 14h na praça da Bandeira.