Professores de Salgado paralisam atividades segunda

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Os professores do município de Salgado decidiram em assembléia geral realizada na última quinta-feira (08) que vão paralisar as atividades a partir desta segunda-feira, dia 12. Os professores do município de Salgado decidiram em assembléia geral realizada na última quinta-feira (08) que vão paralisar as atividades a partir desta segunda-feira, dia 12. A greve é em virtude da prefeitura não aceitar a reivindicação dos professores que solicitam um piso salarial de R$260 e que 65% dos recursos oriundos do Fundef – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério sejam utilizados no pagamento dos professores da 1ª à 8ª série. A prefeita Janete Alves Lima Barbosa propõe um gasto de 61,5%.

Os professores da rede municipal de ensino de Salgado têm como salário-base R$215, valor muito aquém do salário mínimo nacional. “Esse é o menor piso salarial dos 65 municípios que atuamos. É necessário que a prefeitura se sensibilize e conceda um reajuste digno aos seus educadores”, afirmou a diretora de Assuntos Municipais do SINTESE – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe, Maria Barroso Vieira.

Segundo estudos feitos pelo SINTESE o município tem condições de pagar um piso salarial de R$260 e ter um gasto de 65% dos recursos do Fundef com pagamento dos salários. A folha de pagamento está repleta de irregularidades. “O SINTESE apurou que em março deste ano o gasto do Fundef foi da ordem de 70% e a média já alcança os 63% e como é que agora não há condições de chegar aos 65%”, questiona Ginaldo Santos, representante do SINTESE no município.

Além do aumento de salário os educadores de Salgado reivindicam também melhores condições de trabalho. Algumas escolas estão com a estrutura precária, os alunos ficam com medo. Ginaldo relatou também que falta material didático nas escolas e os alunos do Programa de Educação de Jovens e Adultos – EJA – não recebem kit escolar, mas a prefeitura recebe dinheiro do Governo Federal para comprar esse material. Entre os meses de janeiro e maio deste ano, a Prefeitura de Salgado recebeu mais de R$ 1,5 milhão de recursos do Fundef, o que corresponde a uma média de R$ 314 mil por mês.

Administração não apresenta documentos que comprovem onde são gastos os recursos da educação e o Conselho do Fundef não funciona. O nepotismo também é uma prática comum em Salgado, os três filhos, o marido, a nora, uma irmã, uma cunhada e sobrinhos da prefeita ocupam cargos nos primeiros escalões. “Estamos reivindicando que a lei seja cumprida. Que o Conselho do Fundef funcione e que o povo de Salgado saiba como o dinheiro que chega ao município é gasto. Por causa do descaso da administração municipal a educação está a cada dia pior”, declara Ginaldo.