Professores de Salgado continuam paralisação

29

Os professores do município de Salgado iniciaram a paralisação por tempo indeterminado nesta segunda (12). Os professores do município de Salgado iniciaram a paralisação por tempo indeterminado nesta segunda (12). A greve foi motivada pela negativa da prefeita Janete Alves Lima Barbosa em aceitar a elevação do piso salarial para R$260 e a fixação do gasto mínimo do recurso do Fundef – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – em 65%. A proposta apresentada pela administração municipal foi de 61,5%. No primeiro dia de mobilização os professores participam de uma plenária sobre financiamento na área de Educação.

O salário base dos professores em Salgado é de R$215, o menor registrado nos 65 municípios onde o SINTESE – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe, atua. “É necessário que a prefeitura se sensibilize e conceda um reajuste digno aos seus educadores, pois há condições para isso”, afirmou a diretora de Assuntos Municipais do SINTESE, Maria Barroso Vieira.

Segundo estudos feitos pelo sindicato o município tem condições de acatar as reivindicações dos educadores. Pelos cálculos, no mês de março foram gastos 70% dos recursos com o pagamento de professores e a média é de 63%. Outro problema detectado é que a folha de pagamento está repleta de irregularidades. “A categoria está apreensiva com essa proposta da prefeita. Antes já se chegou a gastar 70% e agora apresentam uma proposta de 61,5%. Será que nossos salários serão reduzidos?” questiona Ginaldo Santos, representante do SINTESE no município.

Ginaldo conta também que as condições de trabalho em Salgado também não são as melhores. Escolas estão com estrutura precária e faltam merenda escolar e material para o desenvolvimento das atividades. Alunos do Programa de Educação de Jovens e Adultos – EJA – estão sem receber o kit escolar. A prefeitura já recebeu do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação aproximadamente R$95 mil para apoio ao EJA.

Outra preocupação do SINTESE é ter acesso a prestação de contas para saber onde são realmente gastos os recursos da Educação, pois desde que esta administração assumiu os educadores e nem a população de Salgado sabe para onde foram os recursos. Do Fundef o município já recebeu nos primeiros cinco meses deste ano cerca de R$1,5 milhão o que corresponde uma média de R$314 mil mensais.

O nepotismo também é uma prática comum em Salgado, os três filhos, o marido, a nora, uma irmã, uma cunhada e sobrinhos da prefeita ocupam cargos nos primeiros escalões. “Estamos reivindicando que a lei seja cumprida. Que o Conselho do Fundef funcione e que o povo de Salgado saiba como o dinheiro que chega ao município é gasto. A educação em nosso município está cada dia pior e parece que a administração municipal não se preocupa com isso”, declara Ginaldo.