Emprego Formal Cresce

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O mercado de trabalho está mudando no Brasil. Apesar de um crescimento menor do pessoal ocupado, a composição está mudando. O mercado de trabalho está mudando no Brasil. Apesar de um crescimento menor do pessoal ocupado, a composição está mudando. Há maior peso do emprego com carteira assinada. Conforme estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em abril o grau de formalização do mercado de trabalho já ultrapassou 54% do total, maior taxa desde o início da nova série da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. O nível, que era de 50% em 2003, ano de baixo crescimento e piora na qualidade do emprego, deverá superar os 55% este ano.

Os resultados mostram que o emprego formal consegue reagir nas regiões que mais sofreram com o avan-ço da informalidade na década passada. Nas seis regiões – São Paulo, Rio, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salva-dor e Recife – 10,8 milhões dos 19,8 milhões de trabalhadores eram empregados com carteira no setor privado ou no setor público. A oferta de vagas formais vem crescendo em paralelo ao recuo de novas ofertas informais, reação iniciada no ano passado.
Além das garantias trabalhistas, o emprego formal traz outros benefícios: aumento da arrecadação e me-lhora nas contas do INSS.

Ato do MLST foi equívoco
O coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, criticou a ação dos in-tegrantes do MLST na invasão à Câmara de Deputados. “O MLST se equivocou com o ato porque os nossos inimigos são o latifúndio, os bancos e as empresas transacionais. Os deputados e a Câmara devem ser os nos-sos aliados”, afirmou Stédile.

A declaração aconteceu durante a 5ª Jornada de Agroecologia em Cascavel, no Paraná. O evento reúne cerca de cinco mil pequenos agricultores, sem-terra e assentados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Para ele, o quebra-quebra promovido pelos sem-terra vai prejudicar os movimentos sociais. E lembrou que o MST já enfrentou situações parecidas, como a Marcha de Brasília há dois anos, onde foram des-cobertos policiais infiltrados para espalhar a baderna entre os integrantes do movimento.

As conseqüências do modelo agrícola neoliberal
Cerca de 300 mil assalariados rurais perderam o emprego somente em 2005 e foram para a cidade. A concentração da propriedade da terra continua aumen-tando. As fazendas acima de mil hectares incorporaram, nos últimos anos, de 30 milhões de hectares. Ne-nhum indicador revela diminuição da pobreza ou da desigualdade social no meio rural brasileiro. Dez empresas transnacionais, como a Monsanto, Bungue, Cargill, ADM, Basf, Bayer, Syngenta, Norvatis, Nestlé e Danone controlam praticamente toda produção agrícola, os agrotóxicos, as sementes transgênicas e o comércio agrícola de exportação.

A indústria de máquinas agrícolas brasileiras vendia na década de 1970 cerca de 65 mil tratores por ano; com a concentração do crédito e das terras, em 2005, foram vendidos apenas 32 mil tratores. Ou seja, esse modelo não serve nem para o desenvolvimento da indústria brasileira. (João Pedro Stedile)

Troca de experiência em produção orgânica
A 5ª Jornada de Agroecologia, com o tema “Constru-indo o Projeto Popular e Soberano para Agricultura” levou para Cascavel (PR) experiências e conhecimentos adquiridos com o uso da produção sem agrotóxicos em assentamentos, comunidades tradicionais e entidades ligadas à agroecologia. Foram apresentadas 48 oficinas que trataram de temas como água e energia, agrotóxi-cos: risco à saúde e biodiversidade, uso de plantas medicinais na agroecologia e criação de animais, bioenergia, entre outros.

Uma dos espaços com mais participantes tratou do uso de plantas medicinais na agricultura e criação ani-mal. A proposta era mostrar que os animais e a lavoura, assim como as pessoas, podem ser tratados com plan-tas medicinais. Desse modo, os trabalhadores estarão diminuindo os custos de produção, preservam a sua pró-pria saúde e o meio ambiente.

Fontes de energias tiradas da natureza que tem o poder de se renovar. Essa foi a discussão da oficina de energias renováveis. O estudante do curso técnico de agropecuária com ênfase em agroecologia, André Martins da Silva apresentou a experiência da Escola Milton Santos do MST em Maringá (PR). A escola utiliza há pelo menos quatro anos fontes de energias renováveis para o aquecimento da água de toda estrutura.

Ministério do Meio Ambiente quer barrar algodão transgênico
O Ministério do Meio Ambiente quer que o plantio de sementes de algodão transgênico Bollgard seja novamente reavaliado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança.

Um parecer técnico foi encomendado ao departamento jurídico do Ministério da Ciência e Tecnologia, e de-verá ser apresentado à CTNBio na próxima reunião, nos dias 20 e 21 de junho. Especialistas dão como certa a recusa da reapreciação do assunto, uma vez que a liberação do uso das sementes foi feita com base em 23 estudos de impacto ambiental, mas apenas cinco realizados no Brasil.

Confirmadas as violências contra sindicalistas
115 sindicalistas foram assassinados em 2005 por terem defendido os direitos dos trabalhadores, revela um relatório da Confederação Internacional de Organiza-ções Sindicais Livres (CIOSL), publicado na quarta-feira. Segundo os dados da associação, mais de 1600 sindi-calistas foram vítimas de agressões violentas, 10.700 foram presos e cerca de dez mil trabalhadores foram demitidos por suas atividades sindicais.

A América Latina encabeça a lista das regiões “mais perigosas” para os sindicalistas. Segundo a COISL, a Colômbia continua a ser o país com mais assassinatos, intimidações e ameaças de morte. O relatório deste ano revela também tendências muito preocupantes, particularmente para as mulheres, para os trabalhadores mi-grantes e para as pessoas que trabalham no setor público.

A administração Bush manteve sua política contra a liberdade sindical e a negociação coletiva, contribuindo para que as campanhas de desorganização dos sindicatos continuem na ordem do dia. A Wal-Mart exportou também suas práticas para o Canadá. Várias províncias canadenses adotaram medidas para enfraquecer os direitos sindicais.

Outro sindicalista assassinado
Confirmando os índices mais recentes, ontem recebemos a informa-ção sobre o assassinato de mais um sindicalista na Colômbia. Luis Antonio Arismendi, dirigente do sindicato dos trabalhadores em alimentação e bebidas de Bogotá, estava desaparecido desde maio, segundo informação da Confederação Geral do Trabalho. Seu corpo foi encontrado na quinta-feira.

Mundo precisa de 430 milhões de emprego
O mundo precisa criar 430 milhões de postos de traba-lho nos próximos dez anos para enfrentar a crise do desemprego que afeta a economia internacional. O cálculo é da OIT.

A estimativa é baseada no crescimento da força de trabalho no mundo, principalmente nos países em de-senvolvimento: “80% da mão de obra hoje no mundo está nos países emergentes. Portanto, será nessa parte do mundo que teremos de criar postos de trabalho”, consta do informe.

Mapa das migrações
O novo Informe das Nações Unidas sobre o problema das migrações internacio-nais traz interessantes dados para uma análise do mercado de trabalho e crises sociais. Os migrantes interna-cionais chegaram a 191 milhões, em 2005. A Europa tem 34% do total de migrantes, a América do Norte tem 23%, a Ásia tem 28%, a África tem 9%, a América Latina e Caribe tem 3% e a Oceania tem 3%.

Cerca de seis em cada 10 migrantes internacionais (o que totaliza 112 milhões de pessoas) reside em paí-ses designados como de “rendas altas”. Cerca da metade dos migrantes ao redor do mundo são mulheres. Em países desenvolvidos, as mulheres superam em número os migrantes masculinos.

Entre 1990 e 2005, o número de imigrantes caiu em 72 países; os EUA ganharam 15 milhões de migran-tes, enquanto que a Alemanha e a Espanha receberam quatro milhões cada uma.

Fórum Social das Migrações
De 22 a 24 de junho, em Rivas-Vaciamadrid (Espanha), estará aconte-cendo o II Fórum Social Mundial sobre Migrações. O tema este ano é “Cidadania universal e direitos humanos” e terá a participação de 800 representantes.

Serão nove grupos temáticos para discussões: impacto da globalização; direitos; movimentos migratórios e regulação de fluxos; asilo e refúgio; modelos de convivência; políticas públicas; exclusão social e comunica-ção. O Fórum contará ainda com uma programação cultural intensa que inclui concertos, espaços de arte de rua, mostras gastronômicas e ciclos de filmes. A expectativa dos organizadores é que entre 5 de 25 mil pessoas compareçam diariamente às atividades culturais.

Morales começa programa de Reforma Agrária na Bolívia
Com muitas críticas da oposição e da grande imprensa boliviana, Evo Morales deu início no sábado (03/06) ao programa de Reforma Agrária propos-to em sua campanha eleitoral. Como primeiro passo, Morales entregou à comunidades indígenas de Santa Cruz de La Sierra, uma área do governo equivalente a 30 mil quilômetros quadrados.

A região é conhecida pela sede da federação dos fazendeiros do país. Eles são publicamente contra qual-quer ação da Reforma Agrária e afirmaram que iriam agir para impedir a transferência das terras às comunida-des, admitindo ainda a formação de “grupos especiais” para defender as propriedades.

Morales, em resposta aos latifundiários, diz que eles devem aceitar o programa, pois as terras foram rou-badas há mais de 500 anos dos índios durante a colonização espanhola, e agora devem ser devolvidas. Mesmo que a cerimônia de sábado tenha doado terras pertencentes ao governo, o presidente garante que áreas im-produtivas serão desapropriadas para cumprir as metas estabelecidas pelo programa de Reforma Agrária – que prevê que 20% do território boliviano nos próximos cinco anos sejam destinados aos camponeses indígenas.

Movimento por emancipação
Apoiados por Washington e recebendo publicamente a simpatia da se-cretária de Estado, Condoleezza Rice, empresários e fazendeiros de Santa Cruz de La Sierra, a região mais rica da Bolívia, iniciaram uma campanha pela independência. A intenção é separar toda a província e criar um go-verno independente, um novo país. Jornais de propaganda e campanhas por rádio já começaram, mas os indí-genas aymarás, originários da região, também estão se mobilizando contra a separação.

Estudantes continuam mobilização no Chile
Um milhão de estudantes continuam lutando por uma profunda reforma da educação. São 600 mil estudantes secundaristas e 300 mil universitários, apoiados pelos professores. Os estudantes secundaristas lutam pela reforma da Lei Orgânica Constitucional de Ensino, imposta pela ditadura militar, e da jornada escolar completa.

Eles reivindicam a gratuidade das provas de seleção universitária e do transporte público para os estudan-tes carentes. Na Lei Orgânica, a principal alteração pedida diz respeito ao fim municipalização do ensino públi-co. Os estudantes querem que o Estado assuma a educação do país, já que as administrações municipais não têm recurso para sustentar as escolas. A presidente do Chile, Michele Bachelet, apresentou uma série de pro-postas na semana passada, mas não atendem às reivindicações dos estudantes.

Desemprego volta a crescer na Argentina
A taxa de desemprego na Argentina passou de 10,1% no último trimestre de 2005 para 11,4% no primeiro trimestre deste ano, segundo o Instituto Nacional de Estatís-tica e Censos (Indec). Mas o indicador de desemprego teve queda de 1,6% em comparação com o primeiro trimestre do ano passado. A taxa de subemprego – na qual o trabalhador tem menos de 36 horas de trabalho por semana – caiu de 11,9% no último trimestre de 2005 para 11% no primeiro de 2006.

Cerca de 2,4 milhões de pessoas têm problemas de emprego no país, segundo o instituto de estatísticas o-ficial. Mas a inflação argentina ficou abaixo da projeção dos analistas, registrando 0,5% em maio.

Armação a caminho
Autoridades colombianas, orientadas por militares estadunidenses, afirmaram na quinta-feira que há “sérios indícios de presença de guerrilheiros colombianos das Forças Armadas Revolucioná-rias da Colômbia (Farc) no território do Paraguai, para treinamento de terroristas”. O ministro da Defesa da Colômbia, Camilo Ospina, e o promotor-geral do Paraguai, Rubén Candia Amarela, em visita a Bogotá, anuncia-ram as conclusões numa entrevista coletiva.

Esta é mais uma “armação” de Bush para justificar uma base militar no Paraguai e a ocupação da Tríplice Fronteira. Na verdade, o objetivo é o controle do riquíssimo Aqüífero Guarani.

Crise de energia na América Central?
O relatório da Comissão Econômica para América Latina e Ca-ribe (CEPAL) dá um preocupante quadro sobre a situação da energia na América Central. Os países que mais abriram seus mercados de geração elétrica encontram-se em crise e com alta dependência de petróleo. As tari-fas subiram muito e a matriz ficou cada vez mais dependente das termelétricas e do uso do petróleo.

O único país com alguma independência ainda é a Costa Rica, com alta geração hidrelétrica, enquanto Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua dependem quase totalmente de geração privada e baseada em energia térmica.

Petróleo é ameaça
A recuperação econômica nos 12 países da zona do euro pode não se manter por mais tempo devido ao aumento dos preços do petróleo, disse o FMI.

A Comissão Européia espera que a economia da área do euro registre uma expansão de 2,1% em 2006, acima da de 1,3% de 2005. Mas o FMI é mais cauteloso e diz em seu relatório que: “apesar de ser possível uma recuperação sustentável acima desse ritmo, parece improvável que isso ocorra, por causa das tendências de aumento de custos, incluindo aí preços maiores do petróleo”. No mesmo relatório, o Fundo disse esperar que a inflação fique acima de 2% pelo resto do ano, recuando só em 2007. Além dos riscos da alta de petróleo, ele cita o alto desemprego como fator que prejudica o crescimento.

Espanha tem maior taxa de presos da Europa
A Espanha tem a maior população carcerária da Eu-ropa, com uma média de 140 presos para cada 100.000 habitantes. E este número vem crescendo acentuada-mente nos últimos anos e causando preocupações às autoridades. Em janeiro passado a Espanha era a terceira colocada, com uma média de 135,1 presos, atrás de Portugal (136) e Grã Bretanha (139).

Vale lembrar o país com a maior população carcerária do planeta: Estados Unidos da América do Norte.

A outra face do Mundial!
A matéria está em alguns jornais alemães e a denúncia é apresentada pelas mais diferentes instituições e organizações internacionais: entre 30 e 60 mil prostitutas estão na Alemanha para “exercer a profissão” durante a Copa do Mundo. A Igreja Evangélica da Alemanha, maior comunidade pro-testante do país, denuncia que máfias internacionais levaram 40.000 prostitutas forçadas para o país. Outro informe diz que “cerca de 50.000 mulheres foram trazidas de países pobres do Leste Europeu acreditando que trabalharão como camareiras ou outros serviços em hotéis”.

Ataque israelense contra civis em Gaza
Enquanto as atenções da grande imprensa voltam-se para o Iraque, o exército e a marinha israelense fazem ataques contra civis palestinos em uma praia na Faixa de Gaza. Quatro incursões aéreas e um ataque por mar causaram a mote de onze civis palestinos e muitas deze-nas de feridos. Entre os mortos, duas crianças e uma mulher.

Informe mostra países que “cooperaram” secretamente
Mais de 20 países, 14 deles na Europa, cooperaram secretamente com a CIA para montar a rede de prisões secretas através do mundo e para transportar suspeitos de “terrorismo” da Ásia. O informe foi divulgado pela organização “Conselho da Europa”, com sede em Estrasburgo (França).

Entre outros detalhes, o informe cita Polônia e Romênia como “centros de detenção”; Espanha, Alemanha, Turquia, Chipre e Azerbaijão como “escalas de vôos para transporte de prisioneiros”; Irlanda, Reino Unido, Portugal, Grécia e Itália eram “escalas de abastecimento”.

O governo Bush não contestou as acusações, limitando-se a por em dúvidas a organização que divulgou. O governo inglês apenas disse que “não há provas” das acusações.

Como nos tempos de Lampião?
Os governos Bush e Blair estão comemorando o assassinato de Abu Musab al-Zarqawi, tido como um dos líderes da Al Qaeda, com muita euforia. Como se voltássemos ao tempo da morte de Lampião, a cabeça do jordaniano morto foi mostrada em vários jornais e revistas como um troféu a ser erguido em triunfo. Em páginas da internet encontramos várias fotografias.

Repete-se, desta maneira, a mesma prática usada em julho de 2003 quando os jornais mostravam as fotos de um dos filhos de Saddam Hussein morto por soldados estadunidenses. E alguns jornalistas não estão conseguindo esconder uma pergunta: por que não podem tirar fotografias de soldados dos EUA mortos e o governo de Washington pode fazer tanto espetáculo com imagens dos adversários abatidos?

Mais um escândalo?
O jornal Washington Post traz uma nova acusação sobre o Congresso estadunidense. Segundo a matéria agora divulgada, os parlamentares dos EUA, tanto Republicanos quanto Democratas, aceitaram durante mais de cinco anos presentes e viagens que superam 50 milhões de dólares. Os “presentes” foram dados por grandes corporações e grupos econômicos que disputam favores legislativos.

Entre janeiro de 2000 e junho de 2005, membros da Câmara e do Senado se ausentaram de Washington durante mais de 81.000 dias, em 23.000 viagens para centros turísticos.