Paralisações continuam em Lagarto, Canindé e Salgado

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Os professores dos municípios de Canindé do São Francisco, Salgado e Lagarto continuam com as atividades paralisadas. Os professores dos municípios de Canindé do São Francisco, Salgado e Lagarto continuam com as atividades paralisadas. O movimento grevista nos três municípios se iniciou na quinta-feira (08). Eles reivindicam reajuste salarial, melhores condições de trabalho e cumprimento do Plano de Carreira e do Estatuto do Magistério. Nesta segunda (19) os educadores de Malhador paralisam as atividades. Dia 20 em Macambira será realizada assembléia geral e os professores votam indicativo de greve.

Canindé do São Francisco

A paralisação em Canindé se iniciou na semana passada (08) e prossegue até o dia 16 quando os educadores após audiência com o prefeito Orlando Porto de Andrade realizam assembléia geral. O movimento grevista se iniciou porque a administração não aceitou negociar com os professores que reivindicam 20% de reajuste salarial e que 75% dos recursos do Fundef – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – sejam gastos no pagamento de salários dos professores.

As primeiras respostas da administração ao movimento de paralisação vieram através de represálias e ações truculentas. A prefeitura convocou assessores (da secretária de Obras?), familiares da secretária de Educação e pessoas estranhas à prefeitura para ministrar aulas. Os professores ao tentar explicar que aquelas pessoas não poderiam exercer a função e o conteúdo ministrado não seria aproveitado, foram proibidos de entrar em seus locais de trabalho pela polícia. A secretária de Educação, Acácia Aguiar Andrade, com objetivo de desestabilizar o movimento registrou queixa na delegacia local contra os professores.

A última ação da secretaria de Educação foi antecipar as férias escolares, que estavam previstas para o dia 22, para a última terça-feira (13). Outra prova da intransigência da prefeitura com os professores é que desde o início da paralisação surgiram mensagens nos meios de comunicação do município com o objetivo de amedrontar os educadores e desarticular o movimento. “Estamos tentando negociar com o gestor municipal e só estamos recebendo ações que ferem o direito de greve do trabalhador”, explicou o professor José Dias, representando do SINTESE no município.

Salgado

Paralisados desde a última quinta-feira (08) os professores de Salgado também estão enfrentando a intransigência da administração municipal. Nesta quarta-feira (14) os educadores foram ameaçados pela secretaria de Educação de ter o ponto cortado se continuarem com o movimento grevista.

Os professores do município de Salgado iniciaram a paralisação por tempo indeterminado no dia 12. A greve foi motivada pela negativa da prefeita Janete Alves Lima Barbosa em aceitar a elevação do piso salarial para R$260 e a fixação do gasto mínimo do recurso do Fundef – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – em 65%. A proposta apresentada pela administração municipal foi de 61,5%. No primeiro dia de mobilização os professores participam de uma plenária sobre financiamento na área de Educação.

O salário base dos professores em Salgado é de R$215, um dos menores registrados nos 65 municípios onde o SINTESE – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe, atua. “Há condições da prefeitura conceder um reajuste digno aos seus educadores é uma questão de sensibilidade, pois os recursos existem”, afirmou a diretora de Assuntos Municipais do SINTESE, Maria Barroso Vieira.

Segundo estudos feitos pelo sindicato o município tem condições de acatar as reivindicações dos educadores. Pelos cálculos, no mês de março foram gastos 70% dos recursos com o pagamento de professores e a média é de 63%. Outro problema detectado é que a folha de pagamento está repleta de irregularidades. “A categoria está apreensiva com essa proposta da prefeita. Antes já se chegou a gastar 70% e agora apresentam uma proposta de 61,5%. Será que nossos salários serão reduzidos?” questiona Ginaldo Santos, representante do SINTESE no município.

Em Salgado, escolas estão com estrutura precária e faltam merenda escolar e material para o desenvolvimento das atividades. Alunos do Programa de Educação de Jovens e Adultos – EJA – estão sem receber o kit escolar. A prefeitura já recebeu do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação aproximadamente R$95 mil para apoio ao EJA.

Outra preocupação do SINTESE é ter acesso a prestação de contas para saber onde são realmente gastos os recursos da Educação, pois desde que esta administração assumiu os educadores e nem a população de Salgado sabe para onde foram os recursos. Do Fundef o município já recebeu nos primeiros cinco meses deste ano cerca de R$1,5 milhão o que corresponde uma média de R$314 mil mensais.

O nepotismo também é uma prática comum em Salgado, os três filhos, o marido, a nora, uma irmã, uma cunhada e sobrinhos da prefeita ocupam cargos nos primeiros escalões. “Estamos reivindicando que a lei seja cumprida. Que o Conselho do Fundef funcione e que o povo de Salgado saiba como o dinheiro que chega ao município é gasto. A educação em nosso município está cada dia pior e parece que a administração municipal não se preocupa com isso”, declara Ginaldo.

Lagarto

Na última segunda (12) os professores ocuparam o prédio da prefeitura em busca de uma audiência com o prefeito Zezé Rocha, e mais uma vez o gestor municipal não recebeu os educadores, saindo pela porta dos fundos. Desde o último dia 08 que os professores da rede municipal de Lagarto estão em greve. O motivo da paralisação é que sem negociar com a categoria o prefeito impôs um reajuste de 4,63% e não abre diálogo sobre a pauta de reivindicação da categoria. “A recusa em nos atender mostra o desrespeito com que a administração trata os professores”, afirma Nazon Barbosa, representante do SINTESE em Lagarto. Na segunda-feira (19) a categoria realiza nova assembléia geral para avaliar o movimento.

Além da ocupação do prédio da prefeitura os rofessores realizaram diversos atos públicos, como acampamento em frente a prefeitura, panfletagem e seminários, com objetivo de esclarecer a população sobre os problemas que a Educação do município tem enfrentado nas últimas gestões. “Estamos aqui reivindicando nossos direitos e queremos que a comunidade lagartense tenha conhecimento disso”, afirma Nazon.

Desde o ano passado que os professores tentam negociar uma extensa pauta de reivindicações. Segundo a coordenação do SINTESE alguns avanços foram conseguidos em pontos como: mudança de nível e a efetivação dos professores concursados, mas ainda faltam muitos outros. Os professores lutam por: reformulação do Plano de Carreira, gratificação de difícil acesso, redução da jornada de trabalho, pagamento de 15 dias de férias relativas ao mês de julho e a paridade entre os salários dos professores ativos e aposentados.

Os professores não entendem por que o município tem uma das maiores receitas do Fundef de Sergipe e paga um dos menores salários do estado. O professor Reginaldo Santos informou que a prefeitura possui uma reserva de mais de R$ 1 milhão de recursos do Fundef. “Isso significa que a administração pode nos dar um aumento de salário maior. Queremos uma política salarial e não abono no fim do ano”, declara Reginaldo.

Os professores reivindicam a gratificação de difícil acesso, a progressão vertical, redução da jornada de trabalho, o pagamento dos 15 dias de férias do mês de julho, acesso à folha de pagamento da Secretaria Municipal de Educação e a paridade entre os salários dos professores ativos e aposentados. A próxima assembléia do magistério de Lagarto acontecerá no dia 05 de junho, com indicativo de greve.