Professores enterram a política de educação de Salgado

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Os professores do município de Salgado fazem nesta quarta (21) o enterro simbólico da administração municipal. O ato pretende repudiar a política educacional do município. Os professores do município de Salgado fazem nesta quarta (21) o enterro simbólico da administração municipal. O ato pretende repudiar a política educacional do município que tem desrespeitado os educadores e faz parte da programação que os professores participam desde que a greve foi iniciada no último dia 12. “Apesar da nossa paralisação a administração não tem se manifestado em negociar conosco e O motivo da paralisação por tempo indeterminado é a intransigência da administração da prefeita Janete Alves Lima Barbosa em elevar o piso salarial dos educadores e para R$260 e fixar em 65% como mínimo para os gastos do Fundef – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – em 65%. A proposta apresentada pela administração municipal foi de 61,5%. Os professores de Salgado lutam por melhores condições de trabalho e de salário. Eles têm atualmente como salário-base R$215. O SINTESE – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe – elaborou estudos, com dados fornecidos pela prefeitura, e chegou a conclusão que o município tem condições de acatar as reivindicações dos educadores. Pelos cálculos, no mês de março foram gastos 70% dos recursos com o pagamento de professores e a média até maio está na faixa de 63%. “Os professores temem que com a nova proposta da prefeitura os salários sejam reduzidos e a situação fique pior”, afirma Ginaldo Santos, representante do SINTESE no município. Ele conta também que foram constatadas diversas irregularidades na folha de pagamento. As condições de trabalho em Salgado também não são as melhores. Escolas estão com estrutura precária e faltam merenda escolar e material para o desenvolvimento das atividades. Alunos do Programa de Educação de Jovens e Adultos – EJA – estão sem receber o kit escolar, apesar da prefeitura ter recebido do FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação aproximadamente R$95 mil para apoio ao EJA. Salgado é outro município onde a prestação de contas não é transparente. O Conselho do Fundef não funciona e apesar das solicitações do SINTESE a prefeitura não envia sua planilha de gastos. A situação permanece desde o início da atual gestão, ou seja, a população de Salgado não sabe como foram gastos os recursos que nos cinco primeiros meses de 2006 chegou ao patamar de R$1,5 milhão. O nepotismo tem se mostrado uma prática comum em Salgado, os três filhos, o marido, a nora, uma irmã, uma cunhada e sobrinhos da prefeita ocupam cargos nos primeiros escalões. “Só queremos que lei seja cumprida, que os professores tenham salários justos e condições dignas de trabalho e que os alunos que freqüentam a escola pública tenham um educação de qualidade. Do jeito que está estamos colocando em risco a formação dos futuros cidadãos do nosso município”, afirma Ginaldo.