“Os responsáveis por implantar os pacotes pedagógicos deveriam ser processados criminalmente”

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Essa foi uma das declarações da professora da Unicamp, Corinta Geraldi, sobre os pacotes adotados na rede estadual de ensino, na conferência da tarde do segundo dia de trabalhos do XI Congresso. Essa foi uma das declarações da professora da Unicamp, Corinta Geraldi, sobre os pacotes adotados na rede estadual de ensino, na conferência da tarde do segundo dia de trabalhos do XI Congresso. A professora Corinta participou, como debatedora, da mesa “Políticas públicas para a educação básica: os pacotes pedagógicos implantados nas escolas estaduais e municipais de Sergipe”, apresentado pelas professoras da Universidade Federal de Sergipe, Liana Torres e Sônia Meire S. A. de Jesus.

As professoras apresentaram aos congressistas os resultados da pesquisa que fizeram encomendada pelo SINTESE e as conclusões são aterradoras. Segundo o estudo, 12 mil crianças estão expostas a métodos de ensino que implementam e reforçam preconceitos, que não levam em consideração os estudos da sociolingüística, que são artificiais e o principal, não garantem o domínio padrão da língua. “Nesses programas o papel dos alunos carentes é engolirem e dos professores é serem subservientes e repassaram o ‘conteúdo’”, disse a professora Liana. Segundo as professoras a tendência desses programas é formar analfabetos funcionais, ou seja, pessoas com capacidade de ler e até escrever, mas sem condições de compreender e apreender o mundo. .

Contra a precarização do ensino.

Seguindo a linha de rejeitar ações que tenham como objetivo desvalorizar o processo educacional e os professores, os congressistas aprovaram por unanimidade duas moções de repúdio, a primeira contra o governo João Alves que com sua política educacional demonstra nenhum interesse na implantação de uma educação pública de qualidade..

A segunda moção de repúdio aprovada foi contra os governos municipais de Salgado, Estância, Canindé dos São Francisco, Santo Amaro, Graccho Cardoso, Pacatuba, Lagarto, Arauá, Tomar do Geru e Carira pela forma intransigente como estão tratando as reivindicações dos trabalhadores em Educação..

Neoliberalismo mascarado de responsabilidade social.

O professor André Martins da Universidade Federal de Juiz de Fora, conferencista na parte da manhã, também criticou os pacotes educacionais implantados nas escolas não só de Sergipe, mas de todo o Brasil. Em sua fala ele citou também o papel da iniciativa privada. “A verdade é que ao fazer investimento em educação, ao desenvolver projetos educacionais, o que eles estão buscando é veicular uma determinada compreensão da realidade, uma determinada compreensão de Homem, de mundo, a partir da lógica mercadológica. Ou seja, estão procurando, por meio de várias estratégias, adaptar a educação, o processo de formação humana, à concepção dominante na sua versão neoliberal”, disse.

Ele contou também que a mobilização e a disseminação do conhecimento são uma das formas que os movimentos sociais e os sindicatos podem se utilizar contra a ofensiva neoliberal em todos os campos, e principalmente na Educação.