“Não devemos nos deixar dominar pelas máquinas”

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A política neoliberal de adoção das novas tecnologias como forma de anular o trabalho dos educadores foi discutida pelo professor Wanderley Geraldi, da Unicamp, na conferência de abertura dos trabalhos do terceiro dia do XI Congresso Estadual dos trabalhadores da Educação que teve como tema “Para além das novas tecnologias de informação: contra o desterro humano”.

Ele colocou em xeque a atual política educacional que cobra eficiência de alunos e educadores. “Máquinas são eficientes, serem humanos não são seres mecânicos. O homem é um ser “experimentante” e tem o sagrado direito de fazer as coisas sem ter a pressão de ser perfeito”, disse Wanderley.

Em sua apresentação Geraldi procurou através de reflexões filosóficas suscitar a discussão entre os congressistas de qual será o papel da escola a partir da adoção das novas tecnologias e que o atual desemprego não é conseqüência da falta de escolaridade das pessoas. “Devemos rechaçar essa política que diz que a culpa da falta estrutural de emprego é das escolas”, afirmou o pesquisador.

Outro ponto destacado pelo professor é que o neoliberalismo está utilizando as novas tecnologias da informação e da comunicação para transformar a Educação em um grande mercado consumidor. Mas, a exemplo de Arbex Jr., Alípio Freire, Nelson Breve e André Martins. Wanderley Geraldi também destacou que a Internet pode oferecer “dinamite pura” para que os movimentos sociais consegam propagar suas idéias e visões de mundo. “A tão propagada inclusão digital não deve somente dar acesso ao computador, mas ensinar as pessoas a produzir conhecimento através dele”, destacou Wanderley.