O Projeto político pedagógico nas escolas públicas de Sergipe

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O projeto político pedagógico representa um dos principais caminhos para a conquista de uma educação socialmente democrática e politicamente autônoma. O projeto político pedagógico representa um dos principais caminhos para a conquista de uma educação socialmente democrática e politicamente autônoma. É através dele que a escola se constrói a partir da formulação de seu diagnóstico, suas ações por concepções, suas metas, objetivos e da avaliação do sistema educacional e de si própria.

A importância da elaboração e desenvolvimento do projeto político pedagógico por toda a comunidade escolar está na tentativa de trazer e levar a escola para a realidade social, econômica e cultural em que ela se insere.

No sentido contrário, não casual e nem ingenuamente, trilha os governos do Estado e dos municípios de Sergipe. O autoritarismo e a truculência são duas de muitas outras formas de aparelhar a escola aos ditames oligárquicos, atropelando e desrespeitando a construção de uma escola democrática.

Podemos assim facilmente constatar, como mostra o gráfico abaixo, que mais da metade das escolas sergipanas, 52,6%, não possuem o Projeto Político Pedagógico. Das 47,4% escolas que tem o Projeto, em somente 29,2% delas ele é sistematizado, em 28,6% é aplicado e em apenas 27,6% delas há a participação da comunidade escolar.

Gráfico 3
Escolas com Projeto Político Pedagógico em Sergipe


Fonte: Perfil 2006 – SINTESE

Outro dado bastante preocupante está no fato de que o Projeto Político-Pedagógico vem sendo sumariamente substituído pelos pacotes neoliberais. Na rede estadual, esta tendência à despolitização e precarização do ensino se apresenta de forma mais significativa. O “Se liga” atua em 18,9%, o “Alfa e Beto” em 18,4%, o “Acelera” em 20,8% e o “5S” atua em 20,3% das escolas públicas estaduais, substituindo o Projeto Político-Pedagógico.

Gráfico 4
Escolas da rede estadual de Sergipe que SUBSTITUEM o Projeto Político-Pedagógico por pacotes e programas neoliberais


Fonte: Perfil 2006 – SINTESE

A construção de uma escola capaz de exercer a práxis social através de sua ação política, pelo ato pedagógico, é a condição fundamental para a existência de uma educação verdadeiramente voltada para a transformação social.

A luta por uma escola objetivada em refletir sobre sua realidade social ao mesmo tempo em que age sobre essa realidade e, que agindo sobre ela, tenha novamente a condição de transformá-la, representa a única forma de fazer da educação instrumento de luta da classe trabalhadora contra a opressão ideológica e a exploração material.