Precarização marca a Educação Pública em Sergipe

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A educação pública sergipana passa por um constante processo de precarização. A educação pública sergipana passa por um constante processo de precarização. Esta é a principal conclusão do “Perfil das Escolas de Sergipe 2006” apresentado nesta terça-feira (26) pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial de Sergipe – SINTESE, na sede da CUT/SE.

Na sua quarta edição a pesquisa foi aplicada em 541 escolas da rede municipal e 206 da rede estadual abrangendo 71 municípios. As perguntas versaram sobre oito temas: Pacotes educacionais aplicados nas escolas; Projeto político-pedagógico; Gestão escolar; Condições estruturais das escolas; Material didático-pedagógico; Merenda escolar; Saúde dos profissionais do magistério; Violência e segurança nas escolas.

Um dado alarmante é que 94,2% das escolas da rede municipal e 70,3% da rede estadual não contam com biblioteca. Apesar de toda propaganda governamental de investimentos em Educação, 46% das escolas municipais e estaduais pesquisadas precisam de reforma, 43% e 34,9% de ampliação e 40,1% e 47,5% respectivamente.

O perfil mostra também que em 52,6% não existe projeto político pedagógico e que a adoção nos últimos anos de pacotes pedagógicos vindos de fora resultando num processo de precarização e despolitização do ensino, O mais grave é que estes pacotes estão substituindo o Projeto Político Pedagógico escolas que deve ser elaborado conjuntamente entre os professores e a comunidade. Os programas “5S”, “Alfa e Beto”, “Se Liga” e “Acelera” já são utilizados substituindo os projetos em 20,3%, 18,4%, 18,9% e 20,8% respectivamente.

A pesquisa constatou situações de extremo risco para os alunos, como escolas que funcionam em fábricas adaptadas e até em bares. “Os resultados da pesquisa nos preocupa, pois estamos vendo um processo de destruição da educação da rede oficial e nós como representantes dos educadores temos que reverter esse quadro”, disse o presidente do SINTESE, Joel Almeida.

Os educadores sofrem represálias por participarem do sindicato e reivindicarem seus direitos e têm hoje um dos salários mais baixos do país. Os professores de Santa Rosa de Lima paralisaram as atividades por dois dias tiveram seus salários cortados e uma professora de Frei Paulo foi até ameaçada de morte por participar do sindicato. O governo do estado de Sergipe é um dos que menos gasta com pagamento de pessoal, isso resulta num achatamento salarial dos servidores, incluindo os educadores.

O SINTESE fará a entrega do “Perfil das Escolas de Sergipe 2006” a órgãos fiscalizadores como OAB, Ministério Público Estadual e Federal, Tribunal de Contas. O Ministério da Educação – MEC também solicitou o documento. Visando mostrar ao próximo gestor estadual as condições das escolas sergipanas o sindicato convidou todos os seis candidatos a participarem do lançamento, mas somente a coligação “Sergipe vai mudar” e o Partido Comunista do Brasil – PCB enviaram representantes. “Não interessa ao SINTESE mostrar somente o diagnóstico da Educação sergipana, mas sim participar ativamente do processo de reconstrução do ensino da rede oficial, apresentando propostas e soluções”, finalizou Joel.