As faces do racismo no Brasil

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O IBGE divulgou uma pesquisa nesta sexta-feira (17) mostrando que a população negra no Brasil tem me-nos escolaridade e um rendimento médio equivalente à metade do que é recebido pela população branca. A conclusão é resultado de um levantamento realizado nas seis principais regiões metropolitanas do país. O IBGE divulgou uma pesquisa nesta sexta-feira (17) mostrando que a população negra no Brasil tem me-nos escolaridade e um rendimento médio equivalente à metade do que é recebido pela população branca. A conclusão é resultado de um levantamento realizado nas seis principais regiões metropolitanas do país. Entre os trabalhadores “por conta própria”, a média de rendimentos entre os negros é de R$ 533,28, contra R$ 1.046,16 para os brancos (quase o dobro). Segundo dados do IBGE, os negros são 47,3% da população brasi-leira, mas correspondem a 66% do total de pobres.

A maior diferença de salários está na construção civil: embora sejam maioria, os negros têm salário 105,6% menor que o dos trabalhadores brancos. Na indústria, a diferença salarial chega a 96%. A cidade de Salvador apresentou a maior concentração de negros e pardos entre as regiões pesquisadas, 82,1%. Já Porto Alegre possui a menor: 13,1%. Em relação ao emprego formal, 59,7% dos trabalhadores com carteira assinada são brancos e 39,7%, negros.

As mulheres negras continuam sendo as mais atingidas pela desigualdade de gênero e raça no mercado de trabalho. Relatório divulgado pela OIT mostra que a taxa de desemprego para esse segmento passou de 10% em 1992 para 15,8% em 2005, com crescimento 58%. Entre os homens negros, o desemprego passou de 6,3% para 8,5% no mesmo período (aumento de 33,9%).

Combater a violência de gênero
De 25 de novembro a 10 de dezembro, governos, ativistas, jornalis-tas e diversas entidades da América Latina e Caribe estarão mobilizando para o debate a respeito da violência contra as mulheres. A campanha aproveita também para divulgar o Informe da ONU com o maior estudo reali-zado sobre a violência contra as mulheres em todo o mundo. O documento, intitulado Fim da violência contra a mulher: fatos, não palavras, assinala que as raízes da violência contra as mulheres estão na desigualdade his-tórica das relações de poder entre homens e mulheres e a discriminação generalizada, tanto no setor público como no privado. A campanha é promovida pela AGENDE – Ações em Gênero Cidadania e Desenvolvimento, que, desde 2003, articula as ações. www.agende.org

Homicídios de jovens no Brasil
O Mapa da Violência 2006, divulgado nesta semana pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), mostra a gravidade da situação. Segundo o levantamento, a taxa de homicídios na população de 15 a 24 anos saltou de 30 (a cada 100 mil jovens) para 51,7, entre 1980 e 2004. Nas demais faixas etárias, porém, o índice passou de 21,3 para 20,8 no período. Entre 84 países, o Brasil ocupa a quarta posição, com uma taxa total de 27 homicídios em 100 mil habitantes (incluindo todas as faixas etárias) e sobe para a terceira posição quando se consideram apenas os jovens. A taxa de morte por assassinato atinge 3% da população não-jovem, enquanto entre os jovens chega a 39,7%.

A verdade sobre a Álcalis e as lutas do sindicato
Depois de matérias mentirosas e “plantadas” na imprensa para justificar algum golpe em andamento contra a Álcalis e seus trabalhadores, os companheiros do Sindicato dos Trabalhadores Químicos de Arraial do Cabo procuraram o nosso Informativo para esclarecer as falsas notícias e mostrar o que vem sendo feito pela diretoria do Sindicato. Recebemos uma grande quantidade de documentos e recortes de jornais com a história dessa luta e as conquistas até aqui alcançadas.

O material mostra que o jornal Tribuna da Imprensa estava sendo usado para divulgar matéria de interes-se dos grupos políticos da região e do próprio patrão, escondendo que no pouco tempo que esteve na gestão da empresa o sindicato conseguiu recuperar parte do patrimônio e receber uma indenização em dinheiro que ser-viu para diminuir as dificuldades financeiras dos trabalhadores. Mas, como faz todo patrão, vendo-se em perigo pela competência demonstrada pelos trabalhadores e sindicalistas, o dono da Álcalis desfez o acordo anterior e deixou de reconhecer a Comissão de Gestão da empresa.

Só para lembrar, a Álcalis era a única produtora de barrilha da América do Sul e foi privatizada em 1992. A má gestão da empresa levou a um acúmulo de dívidas e a uma grande crise que “explodiu” em 2002. Desde então, os fornecedores abandonaram a empresa e até a energia chegou a ser cortada.

Estamos agora estudando todo o material entregue pelos companheiros e, em breve, faremos um relatório sobre esta luta. Os interessados podem solicitar cópia.

Afinal, ninguém foi punido!
Como já noticiamos, o policial que matou o brasileiro Jean Charles, em Londres, ficou livre e já matou mais um “suspeito”. Nesta semana, mais um envolvido no assassinato vai “sair numa boa”! O chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Ian Blair, será absolvido da acusação de que mentiu sobre a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, informou o jornal britânico “The Sunday Times”. Uma das acusações contra o chefe de polícia é que ele “teria tentado justificar a morte dizendo, falsamente, que Jean Charles tinha sido abordado e se recusado a obedecer instruções da polícia”. Outra informação, mais tarde re-conhecida pela Polícia como falsa, era que “a roupa e o comportamento do brasileiro na estação eram suspei-tos”.

Centrais articulam luta pelo mínimo
No Brasil, 24 milhões de pessoas ganham um salário mínimo. Se depender das centrais sindicais, vão passar a receber no ano que vem R$ 420. O pedido de reajuste de 20% vai ser entregue a Lula no próximo dia 6 de dezembro, durante a terceira marcha do salário mínimo. Será a primeira manifestação pública da CUT depois da reeleição. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que o aumento do salário mínimo de R$ 300 para R$ 350 neste ano não só injetou R$ 11 bilhões na economia como também elevou a arrecadação de impostos em R$ 2,6 bilhões.

Mais de 40 trabalhadores são libertados da escravidão
A unidade móvel da Delegacia Regional do Trabalho, junto com a Polícia Federal, resgatou 44 trabalhadores que viviam em condições análogas à escravi-dão, no Maranhão. Parte do grupo foi encontrada no dia 10 de novembro e estavam na Fazenda do Prefeito de Davinópilis (MA), Francisco Pereira Lima. A área é grilada e fica dentro da Reserva Biológica (REBIO) do Gurupi, um dos últimos locais remanescentes da Floresta Amazônica no Maranhão.

Conferência faz balanço de combate ao trabalho escravo
O primeiro dia da II Conferência Inter-participativa sobre Trabalho Escravo e Super-Exploração em Fazendas e Carvoarias no Brasil contou com um relato bastante detalhado dos participantes sobre o combate ao trabalho escravo e apontou os avanços con-quistados nos últimos três anos. Cerca de 300 pessoas de 11 estados brasileiros e representantes de Organiza-ções Não Governamentais de diversos países participam do encontro, que começou na quinta-feira, em Açai-lândia (MA). O balanço afirma que a maior parte dos avanços resultou de iniciativas de entidades e movimentos sociais que impulsionam a mobilização e a conscientização da sociedade civil na luta contra a escravidão. O documento afirma ainda o que houve um maior empenho das DRTs (Delegacias Regionais do Trabalho) na apu-ração das denúncias e na repressão para coibir este tipo de abuso.

Milícia ataca sem-terra em SP
Sete homens armados atacaram, na quinta-feira, ontem um acampa-mento do MST no município de Gália, a 403 quilômetros de São Paulo. Eles deram tiros para intimidar os sem-terra. Ninguém foi atingido. A milícia teria sido formada pelo dono de uma área vizinha da fazenda Boi Bravo, que foi invadida pelo MST. No dia anterior, um integrante do MST tinha sido esfaqueado por um dos homens contratados pelo fazendeiro. A disputa se deve a uma mina de água, situada na área invadida e que abasteceria também a propriedade vizinha.

Governo do PR desapropria área da Syngenta
O governador do Paraná Roberto Requião (PMDB) desapropriou por interesse público de uma área de 300 hectares da transnacional suíça Syngenta Seeds, produ-tora de agrotóxicos e sementes transgênicas. A empresa fazia no local experimentos com organismos geneti-camente modificados e reproduzia sementes de milho transgênico, descumprindo leis federais e estaduais. A área fica em Santa Tereza do Oeste, no oeste do Paraná, a quatro quilômetros do Parque Nacional do Iguaçu, reconhecido em 1986 pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade. O novo espaço será destinado ao desenvolvimento de técnicas e experimentos voltados para a agricultura agroecológica e sustentável, compatí-vel com a vizinhança do maior parque de Mata Atlântica ainda existente no estado do Paraná.

119 entidades manifestam apoio
Depois do anúncio da desapropriação por utilidade pública da área da empresa transnacional da agricultura (Syngenta Seeds), mais de 110 entidades brasileiras e internacionais divulgam carta em apoio à iniciativa do governador. Para as entidades, a atitude do governo do Paraná recupe-ra a soberania nacional e coloca em marcha a construção de um novo modelo de produção agroecológico. Para aderir ao manifesto, escreva para viacampesinapr@terra.com.br .

Governo Bush preocupado com América Latina
Sob a desculpa de que é preciso “barrar o avanço da esquerda na América Latina”, o governo Bush está convidando 11 países para treinamento militar na já co-nhecida “Escola das Américas”. A “Escola” ficou famosa durante os anos da Guerra Fria (1945/1989) por treinar e assessorar militares como Augusto Pinochet (Chile), Hugo Banzer (Bolivia), Leopoldo Galtieri (Argentina) e os generais brasileiros (Golbery, Geisel, etc). De acordo com os documentos divulgados pelo jornal USA Today, o governo estadunidense acredita que perdeu prestígio na região e isto permitiu que “candidatos de esquerda” chegassem ao poder.

Alerta na Venezuela
Aumentou perigosamente a ingerência do governo Bush na Venezuela, segundo o alerta que está sendo divulgado por organismos internacionais. Com a proximidade das eleições presidenciais, em 3 de dezembro, o governo Bush está ampliando sua atuação contra Chávez. Segundo a advogada Eva Go-linger, autora de vários livros sobre a região, o governo estadunidense está agindo em três frentes diferentes: financiando a campanha do direitista Rosales; fazendo terrorismo diplomático através de entidades multilaterais e fazendo guerra psicológica através da imprensa.

“Dia de festa” para Lula
O presidente Chávez transformou o último domingo num “dia de festa” pela visita de Lula e para a inauguração da segunda ponte sobre o rio Orinoco, no sul do país. “A visita do presiden-te do Brasil é motivo para transformarmos em dia de festa na Venezuela” disse ele. Chávez já havia se recusa-do a inaugurar a ponte sem a presença de Lula, que se encontrava em plena campanha eleitoral.

Lula defende candidatura de Chávez à reeleição e saúda vitória de Ortega na Nicarágua
Lula declarou publicamente, em Ciudad Guayana (Venezuela), seu apoio à reeleição de Hugo Chávez e festejou o retorno do presidente eleito da Nicarágua, Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação, ao poder.

Ocupando o mesmo “palanque eleitoral” de Chávez, Lula criticou o papel da imprensa que tenta criar uma imagem desfavorável e disse que “Eu jamais imaginei que isso podia acontecer no Brasil. Aconteceu o mesmo, querido companheiro”, para depois afirmar que “O que mais consolidou a minha consciência de que nós está-vamos certos é que o povo reagiu no momento certo. O mesmo povo que elegeu a mim, que elegeu Nestor Kirchner, o Daniel Ortega, o Evo Morales, certamente, irá te eleger presidente da República da Venezuela”.

Aprovada Lei da Reforma Agrária, na Bolívia
A Câmara dos Deputados da Bolívia aprovou, nesta semana, as modificações na Lei do Serviço Nacional de Reforma Agrária e encaminhou para o Senado o docu-mento com 44 artigos e disposições transitórias. Os empresários e a oposição de direita se retiraram da mesa de negociação e anunciaram que tentarão barrar a Lei no Senado.

91% das terras nas mãos de latifundiários
Segundo informes dos organismos oficiais e da Comis-são Especial de Assuntos Indígenas, 91% das terras próprias para o cultivo, na Bolívia, está em mãos de lati-fundiários vinculados aos partidos políticos tradicionais do país. Para se ter uma noção do problema, a família Barbery Paz é proprietária de 209 mil hectares e as famílias Wilson Landívar e Alfredo Gutiérrez possuem 131 mil hectares cada uma!

Videogame para “caçar” mexicanos
Está causando muita polêmica o novo jogo que criado nos EUA. O videogame chamado “Border Patrol” (Patrulha de Fronteira) é um simulador onde o jogador tenta impedir que “mexicanos” atravessem a fronteira estadunidense. Os deputados do estado mexicano de Chihuahua (fron-teira com os EUA) solicitaram ao presidente Vicente Fox que negocie com Washington a proibição do jogo. Uma associação de advogados mexicanos está denunciando também que o videogame está sendo divulgado através de uma página racista, na internet, e incentivando o ódio aos mexicanos.

Ampliaram o bloqueio!
Depois de ser condenado pela Assembléia Geral da ONU, o bloqueio contra Cuba foi ampliado por influência do governo Bush. Agora os dois maiores bancos suíços suspenderam todas as transações comerciais com a Ilha desde o início da semana. O Union Bank of Switzerland (UBS) e Credit Suisse anunciaram a decisão alegando que Cuba é um “país sensível” e que representa risco para seus investidores.

A disputa da energia entre Rússia e União Européia
Os chefes de Estado e de governo da União Européia estão buscando uma estratégia para enfrentar o presidente russo. As relações entre os países da UE e a Rússia são piores do que se pensa, porque Moscou se aproveita da dependência energética européia. O pri-meiro-ministro francês, Jacques Chirac, advertiu: “A segurança e a estabilidade da Europa dependem em boa medida da Rússia”. O atual presidente da Comissão Européia, o português Durão Barroso, pediu “calma” a to-dos na hora de falar com líder russo e o primeiro-ministro belga, Guy Verhofstadt, recomendou “não ficar na defensiva”.

Cresce número de americanos que passam fome
O número de estadunidenses passando fome au-mentou em 2005 para 10,8 milhões de pessoas. No ano passado, no geral, 35 milhões sofriam de “insegurança alimentar”, termo adotado pelo Departamento de Agricultura para definir aqueles que não têm dinheiro ou re-cursos para conseguir alimentos suficientes para levarem uma vida ativa e saudável. O relatório mostrou que, enquanto a média nacional dos que sofrem insegurança alimentar era de 11%, nos lares onde a mulher era chefe da casa o número era 30%, para as famílias negras, 22%, e para as hispânicas, 18%.

EUA vetam condenação de Israel
Mais uma vez, o governo dos EUA usou seu poder de veto nas re-uniões na ONU para impedir a condenação de Israel pelos ataques na Palestina e no Líbano. A deliberação con-denando Israel já havia recebido 10 votos favoráveis e 4 abstenções quando o representante de Bush utilizou o “direito de veto” dos EUA e suspendeu os debates. O documento exigia que Israel libertasse os embaixadores palestinos presos e que suspendesse o bloqueio do fornecimento de combustíveis para a faixa de Gaza, permi-tindo a ação dos grupos humanitários.