SINTESE realiza ato reprovando a política educacional da rede pública

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Nesta quarta-feira, 28, a partir das 7h no calçadão da João Pessoa o SINTESE realiza o último ato público do ano. A proposta do sindicato é mostrar a sociedade sergipana a sua reprovação à política educacional implantada na rede pública durante os últimos anos e apresentar suas propostas para uma educação pública de qualidade social. Nesta quarta-feira, 28, a partir das 7h no calçadão da João Pessoa o SINTESE realiza o último ato público do ano. A proposta do sindicato é mostrar a sociedade sergipana a sua reprovação à política educacional implantada na rede pública durante os últimos anos e apresentar suas propostas para uma educação pública de qualidade social.

A política educacional proposta pelo SINTESE tem como premissas: gestão democrática; qualidade de ensino; valorização do professor; pagamento dos passivos trabalhistas; garantia dos direitos aos professores; formação continuada; realização de auditoria ns contas das SEED e das escolas; reestruturação do IPES Saúde; suspensão dos pacotes educacionais; escolas com boas condições de funcionamento e merenda escolar de qualidade.

A educação sergipana ainda terá que passar por muitas mudanças para chegar a ter a excelência tão propagada nos últimos anos. Segundo Roberto Silva, diretor de Imprensa e Divulgação do SINTESE a propaganda foi a grande arma do atual governo para mascarar os problemas da Educação. “Vimos neste último governo um marketing maciço de que os problemas educacionais em Sergipe estavam resolvidos, mas sabemos que a realidade é bem outra”, sentenciou.

Avaliação de Desempenho:

O Sistema de Avaliação de Desempenho – SAPED desde o início foi mal formulado, pois não leva em conta todo o sistema educacional e quer atribuir a responsabilidade aos professores de todos os problemas da educação sergipana. Do jeito que foi aplicada o SAPED estimula o individualismo e promove a competição entre os professores dentro das escolas estaduais.

Ameaça aos educadores

A atual política educacional fechou seu ciclo da pior forma possível, ameaçando professores da 1ª a 4ª série a fraudarem os diários de classe. Nas últimas semanas, técnicos da SEED visitaram escolas e pressionaram os professores a fecharem as cadernetas como se tivessem dado aulas de Educação Física. Quem se recusasse poderia ter dificuldade em receber férias, solicitar licença prêmio, aposentadoria, etc. O SINTESE levou as denúncias ao Ministério Público e espera providências.

Autoritarismo nas escolas

A atitude da SEED em relação aos professores revela ainda mais a face autoritária que dominou as políticas educacionais. Diretores que não consultam os professores na confecção do projeto político pedagógico e uma total exclusão da comunidade em torno da escola para definir como a unidade de ensino vai atuar foram constantes nos últimos anos.

Desvalorização dos profissionais de Educação Física

A ameaça aos professores de 1ª a 4ª série surgiu depois que a SEED removeu sem critério e base legal, todos os professores da Educação Física das primeiras séries do Ensino Fundamental. Ao invés de chamar os aprovados no concurso a SEED simplesmente colocou os professores da 1ª a 4ª série para ministrarem as aulas. Uma das conseqüências foi que os profissionais tiveram que se dividir entre três ou quatro escolas para completar a carga horária e muitos agora dão aulas em até três municípios diferentes.

Pacotes Educacionais

Estudos mostraram que a adoção de programas como “Alfa e Beto”, “Se Liga”, “Acelera” “5S” pioram a situação de aprendizado das crianças e ainda tiram a autonomia do professor, pois os programas não permitem que o educador formule as aulas ou pense no projeto pedagógico da escola. Os pacotes educacionais transformam os professores em meros monitores em sala de aula. Outra conseqüência é que o aluno perde a identidade com a escola, prejudicando seu processo de aprendizagem.

Estrutura Física das Escolas

Apesar dos propagandeados R$30 milhões em investimentos na estrutura das escolas. O Perfil das Escolas de Sergipe 2006 mostra que 46,6% precisam de reforma, 47,5% de manutenção e 34,9% dos estabelecimentos escolares precisam de ampliação. O documento produzido pelo SINTESE revela também que 71,4% das escolas estaduais têm problemas na rede elétrica, 75,1% na rede hidráulica, em 66,1% o telhado precisa de reparos e/ou troca e em 71,5% a pintura está desgastada. Um dos dados mais graves mostra que 70,3% das escolas da rede estadual não têm biblioteca.

Material didático-pedagógico

É preciso material de apoio para que o processo de ensino/aprendizagem seja mais dinâmico. A sala de aula não deve se resumir somente ao professor e giz. Mas essa é a realidade das escolas da rede pública estadual em Sergipe. Faltam mapas, atlas, réguas, calculadoras, tabela periódica. O resultado dessa deficiência de material é que os alunos não conseguem ter compreensão total dos conteúdos ministrados.

Merenda Escolar

Durante os últimos anos o SINTESE fez várias denúncias com relação a falta de planejamento na gestão da merenda escolar na rede estadual. Superfaturamento de preços, má distribuição e pouca variedade, além de que em muitas escolas não ter local adequado para a preparação da merenda. A conseqüência disso é que quase metade dos alunos (46%) da rede estadual ficou sem merenda até 3 dias, 16% de 15 dias a 1 mês, 27% de 1 mês a 2 meses e 11% acima de 2 meses. Cerca de 1/3 das escolas não têm local adequado para o preparo da merenda. E em 1/4 das escolas pesquisadas foram verificados problemas nos cardápios como pouca variedade e excessiva repetência de alimentos.

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