Relatório mostra que DAE forjou recebimento de carne nas escolas da rede estadual

28

O SINTESE teve a confirmação das denúncias que fez sobre o preenchimento irregular das guias de recebimento de carne bovina dos tipos bife e músculo. O SINTESE teve a confirmação das denúncias que fez sobre o preenchimento irregular das guias de recebimento de carne bovina dos tipos bife e músculo. Em 29 de dezembro a diretora Maria da Conceição Rezende dos Santos, da Escola Estadual Ministro Geraldo Barreto Sobral, que funciona no CAIC do bairro Industrial, protocolou documento no Departamento de Alimentação Escolar – DAE afirmando que não recebeu carne do tipo bife e músculo durante o ano de 2006 e que a coordenadora Maria Auxiliadora Melo foi convencida, pela diretora do DAE do governo anterior, Zeneide Aragão, a assinar a documento como se tivesse recebido o produto.

Veja aqui a cópia do documento

O documento foi disponibilizado ao Conselho Estadual de Alimentação Escolar e diz que no dia 27 de dezembro de 2005 a escola recebeu um telefonema do DAE solicitando que alguém da equipe diretiva comparecesse ao departamento para assinar um documento. A coordenadora foi ao departamento e ao chegar lá a então diretora do DAE, Zeneide Aragão, disse para que ela assinasse um cronograma de entrega de 142kg de carne bovina tipo bife na escola, feita pelo fornecedor MSS.

A diretora diz em seu relatório que a coordenadora apontou que não sabia se a escola tinha recebido o produto, pois tinha assumido o cargo em novembro. A argumentação da então diretora do DAE era que não haveria nenhum problema em assinar o documento, pois se tratava de “despesas referentes e cursos de capacitação”. A coordenadora disse também que ao ver outras pessoas assinando documentos semelhantes, não teve mais dúvidas e assinou a guia de recebimento.

O sindicato denunciou no final do mês passado que diretores e coordenadores de escolas públicas estaduais assinaram guias de recebimento de carne bovina dos tipos músculo e bife, mas a carne não tinha sido entregue nas escolas. Uma das escolas citadas na denúncia foi a Ministro Geraldo Vieira Sobral. “Esse relatório mostra que houve desvio da carne ou dos recursos. É preciso que os órgãos fiscalizadores tomem providências e que os culpados sejam punidos”, frisou o vice-presidente do SINTESE, Carlos Sérgio Lobão que também é um dos representantes dos professores no Conselho de Alimentação Escolar.

Audiência com Lima

Em reunião ocorrida semana passada com o secretário de Educação, José Fernandes Lima, o SINTESE questionou quais as providências que a SEED já tinha tomado sobre as denúncias de desvio, no governo anterior, dos recursos da alimentação escolar. O sindicato atentou para o fato das mesmas empresas ganharem as concorrências e sobre a denúncia publicada no jornal Cinform de que o dono da MSS, empresa que efetuou a distribuição da maioria da carne, afirmou que outras empresas também deveriam ser investigadas. “O secretário nos disse que está fazendo um levantamento para ter informações mais precisas. Agora com esse fato novo é necessária uma ação mais enérgica da SEED. Os culpados devem ser punidos”, disse o Joel Almeida, presidente do SINTESE. Ele também ressaltou que o processo de compra e distribuição da merenda escolar em 2007 tenha a devida transparência, conforme determina a legislação.

Veja também o que já foi publicado sobre
Merenda Escolar
Superfaturamento
FNDE