Solução é apurar

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O episódio da compra de carne para a merenda escolar da rede estadual de ensino ganha um novo capítulo. O barulhento episódio da compra de carne para a merenda escolar da rede estadual de ensino ganha um novo capítulo com as declarações do ex-secretário de Estado da Educação, Lindberg Lucena, ao JORNAL DA CIDADE. Quando indagado sobre as denúncias de irregularidades na aquisição de alimentos por sua pasta, ele afirma acreditar que não houve superfaturamento, conforme relata o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica de Sergipe (Sintese). “Ninguém, mais do que eu, quer que as denúncias sejam apuradas. Quero descobrir o que aconteceu”, argumenta.

Lindberg Lucena defende, como é natural, que os culpados sejam punidos. E é o que deve ocorrer, pois os sergipanos estão cansados de ver denúncias graves de dilapidação do patrimônio não serem apuradas com rigor, isso quando ocorre a apuração de algum fato. A Secretaria de Educação e o Ministério Público estadual, que estão no caso, têm que levar adiante a apuração e chegar a um veredicto. É inconcebível que as denúncias de desvio de mais de 120 toneladas de carne não avancem. O produto teria sido adquirido e jamais teria chegado ao prato dos estudantes.

O ex-secretário afirma que no período em que esteve comandando a Secretaria de Educação não encontrou indícios de irregularidades na gestão da ex-diretora da Diretoria de Alimentação Escolar (DEA), o que, para ele, desaprova as denúncias. Lindberg Lucena estranha o fato das denúncias virem a público agora, com alarde, após a troca de governo. Mas se há ou não cunho político na denúncia, a investigação rigorosa é necessária e o resultado da apuração tem que ser tornado público. Os sergipanos precisam saber se o erário era tratado de forma desonesta.

O Ministério Público estadual e o Tribunal de Contas do Estado devem estar interessados na pesquisa feita pelo Sintese em torno da compra de merenda escolar na gestão anterior. Os preços comparados pela instituição revelam supostas diferenças de preço de até 380%. Segundo o levantamento, 24 itens que constavam da lista de compras da secretaria estão em desacordo com a realidade. O quilo da broa de milho, que custa em média R$ 2,80 nos supermercados, teria sido adquirido por R$ 10,44. O quilo do pão de cachorro-quente mais caro custa R$ 3,85. No pregão eletrônico teria sido adquirido por R$ 5,56. Tem que ser investigado.

Os indícios de superfaturamento que o Sintese apresenta agora tornam o assunto ainda mais nebuloso. Além de enfrentar a denúncia de desvio na aquisição de carne, a gestão anterior está sendo acusada de comprar produtos com preços aviltados. Essa disparidade nos preços é tão grave quanto o fato de a carne ser adquirida e não chegar às escolas. O assunto precisa ser dissecado para que os culpados, caso surjam, sejam punidos. O ex-secretário acerta ao defender a investigação e pedir punição aos responsáveis. É isso que todos os sergipanos esperam.

fonte: Jornal da Cidade

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