SINTESE questiona declarações de procurador

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Também intrigou o sindicato o fato dos denunciados terem sido ouvidos antes dos denunciantes. A matéria publicada no Jornal da Cidade no dia 01 de fevereiro com declarações do procurador Valdir Teles do Nascimento sobre as investigações das irregularidades na merenda escolar preocuparam o SINTESE, a ponto do sindicato enviar ofício a chefe da procuradoria, Eunice Dantas Carvalho.

Leia aqui o Ofício

O procurador diz na matéria que o SINTESE denunciou “sem provar nada”. A denúncia foi feita a partir das constatações do Conselho Estadual da Alimentação Escolar – CAE do qual o sindicato faz parte representando os educadores, de depoimentos de professores da rede pública, dos membros da diretoria e também da representante dos pais no conselho que é merendeira de uma escola da rede estadual. O sindicato utilizou também na denúncia, intervenções de diretores de escolas nos meios de comunicação afirmando que não receberam a carne e no caso mais notório da matéria veiculada na Tv Sergipe mostrando que mesmo sem contar com cozinha apropriada o diretor da Escola Estadual Gonçalo Rollemberg assinou guia de recebimento.

Como o sindicato não tem poderes para investigar e solicitar provas, a denúncia foi encaminhada para os órgãos fiscalizadores como Ministério da Educação, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE e para os Ministérios Públicos Estadual e Federal para que estes órgãos investiguem as irregularidades e os responsáveis sejam punidos.

Intrigou o sindicato o fato do procurador Valdir Teles do Nascimento ouvir primeiramente os denunciados, no caso a ex-diretora Maria Zeneide Aragão, do que os denunciantes. “Entendemos que o Conselho de Alimentação Escolar e o SINTESE deveriam ser ouvidos primeiro, pois eles apresentariam novos fatos que surgiram a partir das denúncias o que contribuiria e muito com as investigações”, disse o advogado e procurador do SINTESE Franklin Magalhães.

O sindicato reafirma suas denúncias e coloca o seguinte: em matérias veiculadas nos jornais tanto o ex-secretário de Educação, quanto a ex-diretora do DAE afirmam que a carne foi entregue diretamente nas escolas e que os diretores e coordenadores assinaram os comprovantes de entrega. Mas há várias guias assinadas pelos diretores das Diretorias Regionais de Educação que estão localizadas em Aracaju (DEA e DRE-8) e nas cidades de Itabaiana; Própria; Lagarto; Estância; Nossa Senhora da Glória; Nossa Senhora das Dores; Japaratuba e Gararu. “Como se explica o fato da carne ter sido ‘entregue’ nas DRE’s se nenhuma delas têm estrutura para receber alimentos”, questiona Roberto Silva, diretor de Imprensa e Divulgação do SINTESE.

Preocupou também o sindicato o fato do procurador anunciar que próxima semana estará de férias e que nenhum outro vai dar continuidade às investigações. “Nos causou estranheza a declaração do procurador, pois se as denúncias não forem apuradas rapidamente e os culpados pelas irregularidades punidos, aproximadamente 200 mil alunos da rede estadual podem ficar sem merenda escolar”, finalizou Roberto.

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