Os chamados “Centros de Excelência” fracassam

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Não tardou aparecer o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2006) que ficou provado o fracasso do projeto. Cristian Góes – De um lado a insistente, volumosa e cara campanha do Governo do Estado, na gestão anterior, garantindo que as escolas da rede estadual, transformadas em centros de excelência eram a salvação do ensino público. De outro o Sintese, sindicato dos professores, mostrando que o projeto estava errado, era excludente e que não promoveria a qualidade de ensino. Não tardou aparecer o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2006) que ficou provado o fracasso do projeto.

Os alunos dos centros de excelência do Colégio Atheneu Sergipense e da Escola Estadual Marco Maciel tiveram média geral menor que outras escolas. No Atheneu a média foi 41.03 e no Marco Maciel 37.12. Escolas como Tobias Barreto e Senador Walter Franco, em Estância, tiveram médias de 41.44 e 41.42 respectivamente. “Infelizmente os resultados repetiram o desempenho observado em 2005. Está provado que a criação desses centros não trouxe nenhum benefício para a rede estadual sergipana”, afirma o professor Roberto Silva, diretor de imprensa e divulgação do sindicato.

A situação mais grave observada nos dados oficiais é a verificada no único centro de excelência do interior do Estado. Na Escola Estadual Manuel Messias Feitosa, no município de Nossa Senhora da Glória, nenhum aluno fez a prova do Enem em 2006. A escola foi “transformada” em centro de excelência em 2005. “Naquele mesmo ano os alunos fizeram a prova e também obtiveram médias inferiores a de escolas do mesmo porte que são localizadas em outros municípios sergipanos”, informa o professor.

De uma forma geral, os resultados do Enem 2006 revelam a grave crise por que passa a educação no Estado de Sergipe. A média geral dos estudantes das escolas públicas na prova objetiva ficou em 32,17 e na redação em 48,05. Na rede privada as médias foram 49,11 e 60,42 respectivamente. Em nenhum dos casos se chegou a média 5,0. “Nos últimos anos o governo estadual abandonou o ensino médio, faltaram investimentos sólidos e uma política de valorização tanto dos alunos quanto dos professores”, apontou o diretor do Sintese.

Para o sindicato, nos últimos governos a política educacional voltada para o Ensino Médio foi centrada na criação de cursos pré-vestibulares e na institucionalização dos centros de excelência. Essa “política”, segundo o Sintese, deixou os alunos das últimas séries da educação básica sem apoio pedagógico da Secretaria de Estado da Educação, sem material didático, entre outros. “Além disso, desvalorizou os professores, pois não há uma política de formação continuada”, completa Roberto.

Quanto aos centros de excelência, o diretor do sindicato lembrou que o Sintese sempre apontou que implantação deles era uma das formas do governo anterior em mascarar as dificuldades da Educação Básica e também de criar novos problemas. “Os centros de excelência na verdade são centros de exclusão, pois diferencia alunos dentro da mesma escola e fecha oportunidades”, comentou Roberto Silva.

Vai repensar
A Secretaria de Estado da Educação, pelo menos neste ano, não mexe no projeto dos centros de excelência. “Não se pode acabar o projeto de noite para o dia, mas ele vai ser totalmente reavaliado e repensado, até porque eles tiveram notas no Enem 2006 menores que de outras escolas que não são consideras de excelência. É por isso que precisam ser reavaliados. O secretário quer que todas as escolas sejam de excelência, não apenas algumas. Todas têm o direito de ter laboratório, computador, merenda de qualidade”, informa a jornalista Ofélia Onias, diretora de comunicação da Secretaria de Estado da Educação.

fonte: Central de Notícias

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