Um dia de luta: pelas mulheres e contra Bush

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Junto com as mobilizações do Dia Internacional da Mulher, movimentos sociais preparam protestos nas principais capitais do país para repudiar visita do estadunidense Renato Godoy de Toledo e Jorge Pereira Filho,da redação – Esquema de segurança com armas anti-míssil e helicópteros. Destacamento de 300 oficiais estadunidenses. Sigilo sobre o local que receberá a comitiva dos Estados Unidos e onde o presidente ficará hospedado. Monitoramento de movimentos sociais e do mercado de explosivos e armamentos.

A visita de George W. Bush ao Brasil, nos dias 8 e 9 de março, já ficará marcada pelo maior aparato já montado para a visita de um Chefe de Estado ao país. Mas o estadunidense também poderá ser lembrado por outra razão: motivar um dos maiores atos realizados no Brasil contra um presidente estrangeiro em passagem pelo país.

No dia 8 de março, milhares de pessoas saiarão às ruas para gritar “Fora Bush”, em protestos e marchas que estão sendo organizados por movimentos sociais em diversas capitais do país. Em São Paulo, um grande ato será iniciado às 15 horas na praça Oswaldo Cruz, na avenida Paulista. A mobilização ocorrerá em conjunto com a marcha do Dia Internacional da Mulher).

Etanol
As organizações pretendem protestar também contra os acordos comerciais que Bush traz na bagagem e pela retirada das tropas brasileiras no Haiti. A produção e a comercialização de álcool combustível serão o principal tema do encontro de Bush com Lula o que pode dar um novo impulso à monocultura da cana-de-açúcar no Brasil.

“Nosso lema é ´mulheres em defesa da vida e contra o agronegócio’. Vamos questionar e denunciar os impactos das monoculturas. Para nós, o agronegócio é o latifúndio travestido de novo, mas que continua se utilizando das mesmas coisas que sempre fez do território brasileiro: destruição do meio ambiente e mais trabalho escravo”, explica Soraia Soriano, direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta, avalia que os atos são importantes para pressionar o governo brasileiro a não atrelar o debate energético aos EUA. “Temos capacidade científica para desenvolver nossa própria tecnologia, em termos de combustível. Não precisamos atender aos interesses do Império”, diz.

Para Zé Maria de Almeida, coordenador da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), a vinda de Bush tem como objetivo frear os processos de radicalização dos movimentos sociais e as nacionalizações, levadas a cabo por Hugo Chávez e Evo Morales. “A intenção de Bush é tornar o Brasil um pólo estabilizador das lutas na América Latina, que para eles é uma região estratégica. O governo Lula sinaliza que não irá criar obstáculos para esse plano de Bush”, afirma.

Os movimentos sociais também estão preparando atos para o dia 9, quando perseguirão Bush pela cidade de São Paulo, “apesar das dificuldades geradas pelo mega-esquema de segurança”, como ressalta Petta. Tinta vermelha será espalhada pela cidade, em alusão ao sangue derramado nas guerras que Bush comanda.

Giro pelo continente
Bush escolheu o Brasil para iniciar um viagem por países com quem tem boas relações na América Latina, com o evidente objetivo de fazer um contraponto à força política dos novos presidentes da região que se opõem à agenda estadunidense, como Hugo Chávez (Venezuela) e Evo Morales (Bolívia) .

Depois do Brasil, Bush seguirá ao Uruguai para ver Tabaré Vazquez, com quem tem conseguido avançar na negociação de um tratado de livre-comércio, dividindo o Mercosul. Na Colômbia, será recebido por Álvaro Uribe – aliado preferencial do estadunidense nas suas investidas militares no continente, sobretudo por meio do Plano Patriota.

O estadunidense passará ainda pela Guatemala onde se reunirá com o presidente Oscar Berger, político que foi um dos principais interlocutores do estadunidense na bem-sucedida negociação do Tratado de Livre Comércio da América Central (Cafta), com outros países da região.

Por fim, o giro termina no México, com Bush se encontrando com o conservador Felipe Calderón, que recebeu seu apoio nas tumultuadas eleições mexicanas e manterá a afinada política pró-EUA de seu antecessor, Vicente Fox.

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