Centrais sindicais fazem seminário nacional

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As sete principais centrais sindicais brasileiras, com apoio do Dieese, realizaram nos dias 3 e 4 o seminário nacional “Desenvolvimento, Distribuição de Renda e Valorização do Trabalho”. As sete principais centrais sindicais brasileiras, com apoio do Dieese, realizaram nos dias 3 e 4 o seminário nacional “Desenvolvimento, Distribuição de Renda e Valorização do Trabalho”. Entre os debatedores convi-dados para o primeiro dia estiveram os professores Luiz Gonzaga Belluzzo (Unicamp), Márcio Pochmann (Cesit/Unicamp), Luiz Werneck Vianna (Iuperj), Emir Sader (Uerj), Azuete Fogaça (UFJF), José Antonio Martins (FGV-SP), Nilson Araújo (Instituto do Trabalho Dante Pelacani) e Sadi Dal Rosso (UNB). Também participou do debate Laís Abramo, diretora da OIT (Organização Internacional do Trabalho) no Brasil. O seminário é resultado da ação conjunta das centrais na III Marcha Nacional do Salário Mínimo, ocorrida em 6 de dezembro. Naquela oportunidade, passou a ser discutida a possibilidade de realizar uma atividade que mostrasse à sociedade quais propostas econômicas, sociais e políticas são consenso entre as centrais.

Centrais sindicais contra “reforma disfarçada”

As sete centrais sindicais ratificaram nesta quarta-feira (4) o plano de pressão sobre o Congresso para manter a decisão do Lula sobre manter a autorização para fiscais multarem empresas que contratam trabalhadores como pessoa jurídica (PJ) para fugir da carteira assinada. Numa plenária com mais de mil dirigentes, as entidades reafirmaram a intenção de promover paralisações na próxima terça-feira (10), de constranger deputados e senadores em aeroportos e gabinetes e de ocupar o Congresso. “O acordo que se tenta é para não votar o veto e assim termos tempo de negociar uma solução para a emenda 3”, disse o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos.

População cresce acima da média

O Brasil continua com uma taxa de crescimento demográfico bem acima da média dos países ricos. Os dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que a taxa de fertilidade nos países ricos já está abaixo do índice de reposição da população e que apenas a imigração pode compensar agora a falta de mão-de-obra. Segundo a OCDE, o crescimento da população brasileira em 2005 foi de 1,4% contra 0,69% em média nas economias desenvolvidas. Entre 1992 e 2005, o Brasil ainda apresentou o quinto maior crescimento entre os 35 países avaliados pela entidade. A média de crescimento desde 1992 foi acima de 1,8% por ano. Já a Rússia vem enfrentando um crescimento negativo na última década que tem assustado as autoridades. Nos países ricos, o crescimento médio desde 1992 foi de apenas 0,7%.

Enfrentar os “grandes”

Em 27 de fevereiro, a Organização de Estados Iberoamericanos (OEI) divulgou um estudo elaborado junto ao Ministério de Saúde do Brasil, mostrando que as áreas de maior violência no país coincidem com aquelas onde existe conflito por terras, desmatamento florestal e trabalho escravo. Dados da CPT e da ONG Repórter Brasil revelam que, entre os 100 municípios mais violentos do Brasil, pelo menos 15 deles se detectam casos de trabalho escravo. Estas localidades se concentram em quatro estados: Mato Grosso, Pará, Roraima e São Paulo.

Brasil: 18% dos jovens entre 15 e 17 anos estão fora da escola

Um trabalho divulgado pelo Centro de Políticas Sociais (CPS), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), intitula-do “Equidade e Eficiência na Educação: Motivações e Metas”, revela que 18% dos jovens de 15 a 17 anos no Brasil estão fora da escola. Desse percentual, 11,9% integram o estrato de renda dos 20% mais pobres da população. Um detalhe da pesquisa informa ainda que 8% desses jovens não vão à aula “porque não querem”, destaca Marcelo Nery, diretor do CPS e autor do estudo. Segundo ele, dos 10% restantes, 4% não vão à aula porque trabalham, 2% não comparecem porque a escola se situa em locais inacessíveis, e 4% não estudam por outros motivos.

MTE liberta 25 trabalhadores em Marabá

O grupo móvel de fiscalização do Ministério de Trabalho e Emprego (MTE) libertou 25 pessoas que traba-lhavam em condições análogas à escravidão em duas fazendas em Itupiranga (PA), município vizinho a Ma-rabá, também no Pará. Em ação que começou dia 22 e terminou sexta-feira (30), a equipe encontrou situações degradantes de alojamento e indícios de restrição de liberdade em duas fazendas. Na Rio Grande foram libertados 20 peões e na Cachoeirinha cinco pessoas ganharam a liberdade. Em ambas as propriedades havia retenção dos documentos e dos salários. Além disso, as fazendas tinham difícil acesso, impedindo que os trabalhadores deixassem o local. Entre os peões, foram libertadas três mulheres que cozinhavam para o grupo. Uma delas era casada com um trabalhador e eles moravam com a filha de dois anos.

Mais 59 trabalhadores libertados

Os 59 trabalhadores libertados na terça-feira (03) estavam em fazendas de gado no Maranhão, na região nor-deste do país, e não recebiam salário desde dezembro. No grupo tinham menores de idade e mulher grávida. As indenizações chegam a R$ 144 mil. O grupo de auditores do Ministério do Trabalho estava desde o dia 20 de março na região, onde foi investigar denúncia de trabalho análogo à escravidão contra o fazendeiro Alme-rindo Nolasco das Neves, dono da fazenda Uberlândia, em Açailândia. No local, foram encontrados 27 traba-lhadores instalados em condições precárias. Os fiscais encontraram nove espingardas na propriedade o que demonstra indícios de cerceamento de liberdade. Em depoimento à Polícia Federal, os trabalhadores disseram que eram ameaçados por um segurança, caso tentassem fugir. Nos três primeiros meses do ano, em apenas 17 operações de fiscalização, foram lavrados 483 autos de infração e libertados 583 trabalhadores que viviam em condições desumanas.

Intercâmbio reúne trabalhadoras do Brasil e Canadá

Entre os dias 16 e 29 de março, uma comitiva de oito mulheres canadenses do CAW (Canadian Auto Wor-kers Union) esteve no Brasil para conhecer de perto a organização sindical das mulheres brasileiras. Esta é a primeira vez que uma grande delegação de mulheres do CAW – que realiza a parceria com sindicatos brasi-leiros desde 1990 – viaja ao Brasil para conhecer ‘in loco’ como é feito o processo de organização com as mu-lheres no país. Quando chegou ao Brasil, o grupo se dividiu em dois. Algumas canadenses visitaram as cida-des de Porto Alegre, Erechim, Caxias do Sul e São Leopoldo, enquanto outras estiveram em Belo Horizonte. Foram realizadas visitas nos sindicatos para que as representantes do CAW soubessem mais sobre a partici-pação das mulheres sindicalistas do país. As sindicalistas canadenses queriam conhecer como as mulheres metalúrgicas se organizam dentro dos sindicatos, como são realizados os diálogos e seminários. Entre os di-versos assuntos que entraram em pauta durante o encontro, temas como a situação da mulher contemporânea no mercado de trabalho, a violência doméstica e a Lei Maria da Penha ganharam um destaque especial.

Sem Terra preso no “8 de Março” ganha liberdade provisória

O agricultor Iroílton Pereira de Morais, preso no último dia 8 de março, durante a Marcha das Mulheres or-ganizada pela Via Campesina, teve seu pedido de liberdade provisória deferido na terça-feira (3), pelo Juiz da 2ª Vara do Tribunal do Juri da Comarca de Recife (PE). Iroílton foi preso depois de uma ação violenta da PM de Pernambuco contra militantes da Via Campesina que voltavam de uma ocupação contra os transgênicos feita na sede da Associação de Avicultores de Pernambuco. Durante a ação, que foi reprimida com tiros dis-parados pela polícia na Avenida Caxangá, trabalhadoras e trabalhadores rurais ficaram feridas(os) e três pes-soas foram presas. Apenas Iroílton, que foi acusado pelos policiais de ter tentado ferir um deles com um fa-cão, ficou preso.

Sindicalista é ameaçada de morte no Pará

Maria Ivete Bastos é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém e tem se destacado na resistência contra o processo de grilagem de terras, expulsão de pequenos agricultores e desflorestamento para a plantação de soja no Pará, e foi homenageada em Nova Delhi, na Índia, em setembro do ano passado, com o prêmio Mahatma Gandhi, tanto por esta luta quanto por representar o ativo papel das mulheres da Amazônia. Por isto, também, Ivete está marcada de morte pelos “grandes” da região. A sindicalista chegou a fazer um depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra, quando fez denúncias públicas contra latifundiários, homens públicos e um delegado local. “Os empresários estavam todos lá. Depois disso, vi um dos pistoleiros bem próximo da casa onde eu estava morando”.

Nota de esclarecimento

A Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República informou que a sindicalista Maria Ivete Bastos está sob proteção desde 16 de março deste ano. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria, a sindicalista está aos cuidados da Coordenação Estadual do Pará do Programa Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos. Maria Ivete Bastos é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém, o maior da Amazônia, e tem se destacado na resistência contra o processo de grilagem de terras, expulsão de pequenos agricultores e desflorestamento para a plantação de soja nessa região do Pará. Por estas denúncias foi ameaçada de morte por latifundiários e políticos da região.

Declaração dos Povos Originários

No encerramento do encontro de Povos Originários da América Latina, ocorrido na Guatemala, foi lida a declaração do encontro e os pontos de luta aprovados. Entre eles: “Exigir das instituições financeiras interna-cionais e dos governos o cancelamento de suas políticas de promoção das concessões (mineração, petrolíferas, florestais, de gases e aqüíferas) nos território indígenas para as indústrias extrativistas. Condenar as políticas do presidente Bush e do governo dos Estados Unidos, expressas na exclusão demonstrada com a construção do muro na fronteira com o México, políticas que se apropriam dos bens comuns da Mãe Natureza, e de todos os povos de Abya Yala (América), implementando planos e ações expansionistas e de guerra. Condenar a atitude intolerante dos governos dos Estados-nação que não reconhecem os direitos dos povos indígenas, em particular aos que não ratificaram e não garantiram a aplicação do Convênio 169 da OIT. Condenar as democracias impostoras e terroristas implementadas pelos governos neoliberais, que se traduzem na militarização dos territórios indígenas, e na criminalização das lutas indígenas e dos movimentos sociais em todo o Abya Yala.

Encontro define próximos passos

Entre as resoluções do encontro: a) Fortalecer o processo organizativo e de luta dos povos indígenas com a participação das mulheres, crianças e jovens; b) Convocar o Encontro Continental de Mulheres indígenas de Abya Yala e o Encontro Continental da Criança, Adolescência e Juventude das Nacionalidades de Abya Ya-la; c) Convocar a marcha continental dos povos indígenas para salvar a Mãe Natureza dos desastres que o capitalismo está provocando, e que se manifesta no aquecimento global, a realizar-se em 12 de outubro de 2007; d) Iniciar a missão diplomática dos povos indígenas para defender e garantir os direitos dos povos in-dígenas; e) Apoiar a candidatura a Prêmio Nobel da Paz de nosso irmão Evo Morales Ayma, presidente da Bolívia; f) Exigir a descriminalização da folha de coca.

Lula recebe Correa

O presidente equatoriano, Rafael Correa, chegou a Brasília na terça-feira (3) em uma visita oficial de três dias. O encontro com Lula é uma declaração de apoio a Correa na crise política equatoriana, onde um bloco de parlamentares da oposição de direita se opõe ao plebiscito de 15 de abril para convocar uma Assembléia Constituinte. A pauta da visita destaca as questões energéticas, do petróleo aos biocombustíveis.

“Cadáveres políticos” obstruem plebiscito

Correa deixou o país em meio a uma crise política que se instalou desde fevereiro. Um grupo de 57 deputados conservadores tentou impedir a convocação de uma Assembléia Constituinte, por meio de plebiscito marcado para o dia 15, terminou entrando em choque com o Judiciário e perdendo os seus mandatos. Antes de embarcar para o Brasil, Correa chamou esse grupo de “cadáveres políticos”.

Manifestação de profissionais em educação na Argentina

Milhares de trabalhadores da educação na Argentina foram às ruas reivindicar seus direitos, em várias pro-víncias. Em Arroyto houve repressão e a polícia perseguiu manifestantes depois de lançar bombas de gás. Em Santa Cruz, a mobilização reuniu mais de 10 mil pessoas. A Frente de Recuperação Sindical e Luta concla-mou os trabalhadores de todo o país a seguir o exemplo de Santa Cruz que, como nas províncias de Buenos Aires, Salta, Neuquén, estão lutando por suas reivindicações.

Chantagem da máfia deu certo

A chantagem da máfia de Miami deu certo: a juíza Kathleen Cardone, de El Paso, Texas, autorizou a liberta-ção sob fiança de Luis Posada Carriles, o terrorista mais perigoso do continente, enquanto o governo Bush continua negando-se a acusar de terrorismo este velho agente da CIA e informante do FBI. Luis Posada Car-riles foi recrutado como agente da CIA quando o pai do atual presidente participava da organização da fra-cassada invasão à Baía dos Porcos, em Cuba. Nas quatro décadas seguintes ele trabalhou para a organização. Carriles ordenou o atentado a um avião da Cubana de Aviação em 1976, com Orlando Bosch, onde morreram 73 pessoas.

Sarkozy ganharia no segundo turno

Nicolas Sarkozy, o candidato de direita apoiado pelo atual governo da França, ganharia o segundo turno das eleições presidenciais francesas com 54% dos votos válidos contra 46% do candidato do Partido Socialista, segundo recentes pesquisas do Instituto Ipso. A pesquisa foi feita por telefone, entre os dias 28 e 30 de mar-ço, utilizando uma amostragem de 1.277 pessoas. No primeiro turno das eleições, no dia 22 de abril, partici-parão 12 candidatos.

Europa: alimento que vem de fora

Quase 80% de todo o alimento de origem vegetal consumido na Europa vem de fora! O trigo e a cevada che-gam do Oriente Próximo; a soja e o arroz são da China; o café vem da África; a batata, o milho e o tomate chegam da América; a banana e a cana-de-açúcar chegam da Ásia.

Contra a privatização do ensino

Alunos e professores da Universidade Paris VIII, em Saint-Denis, temem que o novo presidente da França ceda às pressões européias pela privatização do ensino universitário. A faculdade lidera a campanha pela resistência às medidas globalizantes. Indignados, alunos e professores organizam palestras para discutir o caso e exigir a punição daquele que consideram um traidor e oportunista.

Ku Klux Klan contra os imigrantes

A conhecida organização racista Ku Klux Klan reapareceu na localidade de Nova Jersey com a finalidade de recrutar pessoas para o que chamam “uma luta contra a imigração nos Estados Unidos”. Uma investigação jornalística, conduzida pelo El Diario-La Prensa e os informes de duas organizações nacionais confirmam que em Nova Jersey há pelo menos três células da Ku Klux Klan.

EUA: cresce a diferença entre ricos e pobres de Los Ângeles

A diferença é semelhante a que se verifica em países “em vias de desenvolvimento”. Los Ângeles está muito perto de ser comparada com a desigualdade econômica que existe nas cidades pobres do México, por exem-plo, disse o pesquisador Jerry Nickelsburg. Ele participou dos estudos feitos pela Universidade da Califórnia (UCLA). “Los Ângeles está dividida em dois segmentos distintos: um que representa os profissionais e ge-rentes com altos salários e uma classe inferior formada por trabalhadores com pouca qualificação e mal pa-gos”, disse.

Tropas nem descansaram

Pela segunda vez desde o início da guerra, o Exército dos EUA enviará uma unidade de volta para o Iraque sem que tenha tido um descanso de pelo menos um ano. A decisão mostra o esgotamento das tropas estadu-nidenses no país árabe. Uma brigada de Nova York e uma unidade de um QG do Texas retornarão no meio deste ano para o Iraque a fim de manter durante agosto o reforço militar anunciado por Bush no começo do ano. O Pentágono anunciou que 7 mil soldados serão enviados para o Iraque nos próximos meses, como parte do esforço de manter 20 brigadas no país. Uma brigada tem por volta de 3 mil soldados. A unidade do Forte Hood, no Texas, retornará ao Iraque depois de pouco mais de sete meses em casa – a maior quebra até agora do objetivo do Exército de dar às unidades um descanso de pelo menos um ano depois do cumprimento de nova missão de um ano.

Acabou o dinheiro?

O exército dos EUA tem dinheiro para manter a guerra do Iraque só até agosto. A informação foi divulgada depois de um estudo do Congresso estadunidense. O estudo foi feito pelo Serviço de Investigações do Con-gresso e enviado à Comissão de Orçamento do Senado, com data de 28 de março.

Legitimaram o terror!

A Corte Suprema dos Estados Unidos legitimou na segunda-feira (2) a detenção de 400 pessoas na base naval de Guantânamo, ao não aceitar solicitações de vários presos que pretendiam levar seus casos para tribunais federais. O órgão máximo de justiça dos EUA respaldou, desta forma, a decisão de Bush de manter estes prisioneiros sem direito a defesa legal.

O tamanho do Império: 737 bases militares

Segundo o relatório Base Structure Report, do Departamento de Defesa dos EUA, entre 2002 e 2005 houve um sensível crescimento no número de bases militares estadunidenses no planeta. Entre bases permanentes e bases temporárias, em 2005, eram 737 espalhadas em quase todos os países. O total de pessoal (soldados) mantidos no exterior, em 2005, chegou a 1.840.062 militares e 473.306 funcionários civis. Em uma rápida comparação, o Império Romano, no auge do seu domínio (117 a.C.) tinha 37 grandes bases militares para controlar suas possessões desde a Bretanha até ao Egito.