A democracia seletiva da Rede Globo

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ntegrantes da Chapa 2, “Luta Fenaj”, foram impedidos de entrar no prédio da empresa para conversar com os jornalistas Mário Augusto Jakobskind – A defesa da democracia feita a todo o momento pela Rede Globo não resiste a um peteleco. Na prática, os diretores da Vênus Platinada são avessos à democracia, como demonstra um fato ocorrido nestes dias. Integrantes da Chapa 2, “Luta Fenaj!”, que se colocam em oposição à atual diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas, foram à sede da emissora para apresentar aos jornalistas que lá trabalham o seu programa, que, por sinal, passa pela defesa intransigente da democratização da comunicação.

Mas, ao chegarem à rua Von Martius, no Jardim Botânico, os integrantes da Chapa 2, liderados pelo candidato a presidente, Dorgil Marinho, não receberam autorização para entrar. Limitaram-se, desse modo, a distribuir os jornais da chapa aos jornalistas que entravam ou saíam. Depois disso, os jornalistas da Chapa 2 protocolaram uma carta ao diretor geral da Rede Globo, Carlos Henrique Schroeder, com o pedido formal de autorização para o ingresso nas redações da empresa. Foi lembrado no pedido que faz parte da democracia o contato de candidatos de uma chapa sindical com a sua base. Passaram-se mais de 20 dias, mas Schroeder simplesmente não deu resposta alguma. A eleição da Fenaj será realizada nos dias 16, 17 e 18 de julho próximo. É desta forma que a Rede Globo age para negar pedidos que não lhe agradam.

Schroeder agiu da mesma forma quando do trágico episódio que resultou no assassinato do jornalista Tim Lopes. Nenhum tipo de resposta foi dado para os jornalistas que quiseram aprofundar a questão e não aceitaram a versão oficial da Rede Globo sobre o caso do repórter. Isto é democracia? Isto é liberdade de imprensa?

A Rede Globo deu toda a cobertura às homenagens pelo quinto ano da morte de Tim Lopes, chegando a divulgar, com estardalhaço, um outdoor colocado em vários bairros do Rio — assinado pela Fenaj e pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Município do Rio de Janeiro. Quem teria bancado o outdoor, as entidades sindicais ou a própria Globo? As despesas teriam sido divididas?

Quando jornalistas da própria emissora, como os repórteres Rodrigo Viana e Luiz Carlos Azenha, questionaram a cobertura facciosa das últimas eleições presidenciais, a direção pressionou suas equipes de jornalismo para que assinassem uma nota em defesa da Rede Globo. Uma das signatárias da nota foi a atual diretora da Fenaj, Beth Costa, uma das editoras do Jornal Nacional.

Quando uma sindicalista adota esse procedimento compromete a própria diretoria da entidade que integra. Supõe-se que a jornalista tenha obtido a concordância de seus colegas diretores da Fenaj, pois integra a chapa da situação na presente disputa eleitoral da entidade.

É importante que a opinião pública, e principalmente os próprios jornalistas, estejam informados sobre todos esses fatos, para ter melhores condições de formar um juízo sobre a poderosa rede de TV que é adulada por políticos e que às vezes subordina até mesmo lideranças sindicais, que deveriam ser as primeiras a protestar contra os seus desmandos.