Professora de Aquidabã é perseguida pela Secretaria Municipal de Educação e pela diretoria da escola em que atua

25

Tão grave quanto o descaso com os alunos é a perseguição a professores da rede municipal. O caso de Rosenira da Silva, por exemplo, professora do Ensino Fundamental numa escola do povoado Arranhento, em Aquidabã, chegou ao ponto absurdo de ela entrar em depressão e ter que recorrer à ajuda médica. A realidade da maioria das escolas no interior do Estado de Sergipe é revoltante. Tão grave quanto o descaso com os alunos é a perseguição a professores da rede municipal. O caso de Rosenira da Silva, por exemplo, professora do Ensino Fundamental numa escola do povoado Arranhento, em Aquidabã, chegou ao ponto absurdo de ela entrar em depressão e ter que recorrer à ajuda médica.

Após greve de uma semana realizada em maio deste ano para denunciar a precariedade da rede de ensino, inclusive, com alunos estudando em escola de taipa, a professora passou a receber retaliação. Nesta escola de taipa, por exemplo, a louça da merenda ficava jogada no chão, com cachorros lambendo, entre outros absurdos. Depois da divulgação dessa situação em rede midiática nacional, os alunos passaram a ter aula numa casa residencial alugada para servir como escola.

Porém, a prefeitura permitiu que, inicialmente, este local não dispunha de água. Ou seja, foi uma ação de ‘transferência do caos’ apenas. Rosenira da Silva teve uma infecção urinária por conta disto e ficou de atestado por alguns dias, comunicando ao diretor da escola. De má fé, o coordenador da escola, José Robério Nunes dos Santos, e o diretor, Creso Vieira da Cruz, reuniram alguns pais de alunos para difamar a professora. Detalhe: os pais presentes na reunião não eram nem dos alunos da classe da professora.

Em seguida, Rosenira foi solicitada para acompanhar mais uma turma, além da sua, por motivos de uma colega ter de se ausentar da escola num período de duas semanas. Na ocasião, a professora foi chamada de incompetente pela secretária de Educação do município, Lícia Cristina Souza Santana, e jamais foi acertada qualquer reposição de aulas.

Na semana passada, a professora foi solicitada para substituir outra colega. Na ocasião, uma amiga a acompanhava na escola, por motivos de se deslocar com o mesmo meio de transporte, e a sua presença, que era apenas de alguém que aguardava, foi usada novamente de má fé pelo coordenador e pelo diretor da unidade de ensino.

Em relatório elaborado pelo coordenador, cuja cópia não foi entregue à Rosenira, no dia 8 de agosto, a mesma foi acusada de estar com auxiliar, ser insegura, com aparência e fisionomia inadequadas, passar atividades fragmentadas, entre outros. Mesmo sob pressão, a professora, obviamente não assinou o termo de concordância do relatório. A coordenação da escola requisitou a presença de duas vizinhas da escola para assinarem como testemunhas, sendo que, ambas sequer conhecem o caso desde o início. Já no dia 9 deste mês, chegou aos ouvidos da professora um boato que estava sendo espalhado na comunidade, de que ela estava dando aula bêbada. Mentiras criadas pela coordenação, direção da escola, com apoio da secretária de Educação, para difamar ainda mais a imagem da professora e colocá-la como bode espiatório, para que outros professores da rede municipal permaneçam, temerosos e não denunciem mais o caos da Educação em Aquidabã.

A professora Rosenira da Silva vem tentando transferência daquela escola há bastante tempo, mas tem seu pedido negado sempre. Por motivos de saúde, criados pelo descaso quanto à higiene nas escolas e pela pressão política, conforme profissional de Medicina, a educadora não tem condições de estar em sala de aula enquanto perdurar essa pressão e perseguição política.