Três outras crises

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(Ernesto Germano Parés – setembro/2008)

Veja a apresentação em powerpoint

 

            I.1 – A crise energética mundial.

 

Devemos iniciar este ponto lembrando que, de toda a energia atualmente produzida no mundo, 20% é consumida pelo setor de transporte; pouco mais de 30% se destina à iluminação, refrigeração, calefação, transmissão/recepção de informações, uso doméstico, comércio e edifícios públicos; o restante, pouco menos de 50%, é consumida pela indústria. Portanto, indústria e transporte são as principais beneficiárias da produção de energia.

Do total de energia produzida no mundo, 38% provém do petróleo; 26% do carvão; 22% do gás natural; 7% da geração nuclear e os 7% restantes da geração hidráulica, solar, eólica, etc. Ou seja, a produção de energia do planeta é fortemente dependente das reservas finitas (petróleo, carvão, gás e água).

Para iniciarmos então nossa análise, devemos assinalar que o dado mais importante, recentemente divulgado e confirmado pelas organizações internacionais, é que as reservas totais de petróleo do planeta chegam, atualmente, a 1 trilhão e 200 bilhões de barris. Ou seja, pouco mais da metade de todo o petróleo que a natureza produziu em milhões de anos e guardou no subsolo. E, obviamente, este petróleo vai se tornando cada vez mais caro, uma vez que as jazidas em locais de fácil exploração vão se esgotando. O que devemos ter claro é que, se o mundo continuar consumindo petróleo na mesma quantidade consumida em 2004 (29 bilhões e 300 milhões de barris), a reserva mundial (1,3 trilhão) acabaria em pouco mais de 40 anos.  

O “Pico” do petróleo ou “Pico de Hubbert”, um estudo que procura demonstrar que a descoberta de novas reservas já não acompanha a exploração das existentes e que o mundo gasta mais petróleo do que pode ser dado pela natureza, é uma teoria polêmica mas que tem mais adeptos a cada dia. A ASPO (Association for the Study of Peak Oil and Gas), baseada em novas pesquisas geológicas, avalia que o “pico” ocorreu em 2007/2008. Mas seus números mostram também que cerca de 50 países produtores de petróleo já ultrapassaram esta marca e que apenas pouco mais de 10 países ainda tem capacidade de ampliar sua produção.

Um caso paradigmático, bem próximo de nós, é o do México. As reservas mexicanas estimadas são de 15 bilhões de barris, dos quais são extraídos 1 bilhão e 400 milhões por ano (45% exportados para os EUA). Nesta proporção, as suas reservas estarão esgotadas em 11 anos e já podemos notar este risco com uma simples e conhecida realidade: a produção na terceira maior jazida de petróleo do mundo e a principal do México, Cantarell, está em queda acentuada: produzia cerca de 2 milhões de barris diários e chega a 2008 com uma produção de pouco mais de 600 mil barris diários.

Os EUA, com apenas 5% da população mundial, consomem 25% de todo o petróleo produzido no planeta e metade deste total é importado. Pelo que o país é fortemente dependente da importação do petróleo, seja lá de onde ele estiver, o que justifica as intervenções militares no Oriente Médio e em outras regiões do planeta.

Com isto, também não é muito difícil de entender o poder e a ação das grandes empresas petrolíferas no mundo, em particular a influência que têm no atual governo dos EUA. Aliás, entre os três negócios mais lucrativos do planeta, segundo publicações especializadas, estão a indústria militar, o narcotráfico e a energia (petróleo/gás). Não temos qualquer prova sobre o envolvimento com o narcotráfico, mas sabemos que praticamente todos os membros do primeiro escalão de Bush estão ou estiveram vinculados a empresas de petróleo e energia ou ao chamado “complexo industrial-militar”, uma mistura muito explosiva.

            Por fim, ainda neste ponto, vale ressaltar que há uma importante relação desta crise com a matriz energética mundial. Para uma rápida visão da situação atual, vejamos um quadro mostrando a participação dos principais setores na produção de energia elétrica nos principais países. Deixamos de lado a geração eólica e a solar, por representarem pouco no panorama geral.

           

País

Nuclear

Hidráulica

Térmica

Canadá

12,5 %

61,0 %

25,0 %

EUA

20,2 %

6,8 %

70,8 %

Espanha

27,8 %

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