Os trabalhadores não podem pagar a conta

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No próximo dia 30, segunda-feira, na véspera do Brasil lembrar os 45 anos de início dos horrores da ditadura militar, várias centrais sindicais e movimentos populares em todo Brasil vão sair às ruas para dizer em alto e bom som que a crise do capitalismo não é culpa dos trabalhadores e, portanto, eles não podem pagar por ela.

Em Sergipe o ato será na parte da manhã, com concentração às 8h30 na praça da Bandeira. Em seguida será realizada uma caminhada até o centro da cidade, passando por bancos, órgãos públicos, Câmara de Vereadores, Assembléia Legislativa e Tribunal de Justiça. Todos os trabalhadores, empregados ou não, estudantes, todos estão sendo convocados para o dia 30.

Apesar do tema central desse dia de luta tratar de “não às demissões, pela redução dos juros, pelos investimentos públicos e em defesa dos direitos trabalhistas e sociais”, as pautas locais de luta dos sindicatos e movimentos estarão presentes, a exemplo, dos professores que lutam pelo piso salarial, dos médicos que estão em greve, dos agentes de saúde, dos policiais militares, dos comerciários, dos estudantes e o aumento da tarifa de ônibus, dos trabalhadores rurais sem terra, das mulheres, dos negros, etc, etc, etc…

Já chegou a hora da grande mobilização social contra a crise. Um dos alvos do ato são os bancos que batiam recordes e recordes de lucros antes da crise e com a crise, provocada também por eles, continuam lucrando com a miséria da maioria da população.

 

Trabalhadores da cidade e do campo marcharão em Sergipe também pela manutenção e ampliação de direitos, pela redução dos juros e da jornada de trabalho sem redução de salários, pela reforma agrária e em defesa dos investimentos em políticas sociais.

Segundo nota da convocação do ato, em vários países, entre eles no Brasil, estão sendo torrados trilhões de dólares para cobrir o rombo das multinacionais, em um poço sem fim, mas o desemprego continua se alastrando, podendo atingir mais 50 milhões de pessoas. O povo não é o culpado pela crise. Ela é resultante de um sistema capitalista que entra em crise periodicamente e transformou o planeta em um imenso cassino financeiro, com regras ditadas pelo “deus mercado”. Diante do fracasso desta lógica excludente, querem que a classe trabalhadora pague a fatura em forma de demissões, redução de salários e de direitos, injeção de recursos do BNDES nas empresas que estão demitindo e criminalização dos movimentos sociais. Basta!

A precarização, o arrocho salarial e o desemprego enfraquecem o mercado interno, deixando o país vulnerável e à mercê da crise, prejudicando fundamentalmente os mais pobres, nas favelas e periferias. É preciso cortar drasticamente os juros, reduzir a jornada sem reduzir os salários, acelerar a reforma agrária, ampliar as políticas públicas em habitação, saneamento, educação e saúde, e medidas concretas dos governos para impedir as demissões, garantir o emprego e a renda dos trabalhadores.

Infelizmente, em Sergipe, os governos estadual e municipal (Aracaju) não estão sensíveis às pautas dos trabalhadores e dos movimentos e agem de forma truculenta contra as melhorias salariais e de condições de trabalho. Em Sergipe será preciso dizer também, nas ruas, que os trabalhadores não vão pagar a conta da crise. É preciso lembrar que os trabalhadores não mudaram de lado, ao contrário de muitos. Participe do ato do dia 30!

 

Dia simbólicoO dia 30 também é simbólico, pois nesta data se lembra a defesa da terra Palestina, a solidariedade contra a política imperialista do Estado de Israel, pela soberania e autodeterminação dos povos.

Contra-ponto – Edson UlissesNa coluna da última segunda-feira, dia 23, a advogada Márcia Menezes, uma profissional das mais sérias e comprometidas com a Justiça que conheço, lamentou o artigo sobre “Para que serve um cunhado?”. Também seguiram a mesma linha as internautas Ana Duarte e Clara. Podem ler lá. Esclareço que conheço o senhor desembargador Edson Ulisses, que o tenho na minha quota pessoal de amizade como de um homem sério, correto e que tem uma história irretocável na vida sergipana. Edson é profundamente capaz, sua vida profissional deve ser um espelho para os advogados, principalmente por sua militância em defesa dos direitos humanos. Mas veja, o artigo não entra nessa questão. Não há nenhum desrespeito ao desembargador. As primeiras linhas são um registro do cotidiano familiar, de qualquer pessoa do povo, como sempre fiz. Não tem nada de específico. Não há ironia. A liberdade de crítica aqui exercida se deu apenas em um fato administrativo isolado: a não recusa de Edson Ulisses em julgar uma ação que tem entre as partes o governador que o nomeou e é seu cunhado. Pessoalmente, sempre defenderei que ele devia se manifestar impedido, como o já fez em outras ações anteriores (sabiam disso?) a bem da Justiça justa, evitando assim desgastes desnecessários para ele e para o governador. O desembargador Cláudio Déda se declarou impedido imediatamente. Além disso, será que os mesmos fundamentos da ilegalidade da greve usados por Edson Ulisses não estariam também na decisão de qualquer outro desembargador? A decisão de Edson Ulisses pode abrir um precedente perigosíssimo para a aplicação da Justiça quando o assunto for greve de servidor do Estado. Doutora Márcia e demais internautas, não costumo comentar comentários. Sou um defensor radical das manifestações em contrário às minhas. Procuro ter um profundo respeito com as visões discordantes. Aliás, elas são maioria aqui na coluna. Mas para não restar dúvidas diante dos comentários fiz questão de postar esse contra-ponto. Grande abraço.


cristiangoes@infonet