Para que serve um cunhado?

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É uma pergunta trivial e quase sem sentido. Reconhece-se. Mesmo com o fim dos parâmetros históricos da família tradicional, a figura do cunhado permanece firme. Está sempre por lá. Não tenha dúvida, mais cedo ou mais tarde, mesmo com a redução do número de filhos e assim de casamentos, o cunhado entra na família. Quando menos se espera, olhe ele aí, uma figura que não se sabe de onde apareceu e vira família.

Cunhado é como time de futebol. São de três tipos. Ou você torce, festeja, gosta como se fosse um ente familiar muito querido. Ou você torce contra, detesta, é inimigo, chama de traste, um atraso na vida da irmã e da família, um pirão perdido. Ou ainda tem aquele que nem fede nem cheira, é indiferente, se não existisse também não faria falta. O certo, certo mesmo é que o cunhado entra na família, mesmo sem você querer.

A condição de trabalho define muito a situação do cunhado na família. Se ele trabalha e ganha bem, a tendência dele ser bem recebido em casa é grande, ou seja, pense num cabra bom. Os interesses de ganhos com ele falam mais alto. Mas se o infeliz está desempregado, toma todas, fica o dia todo em casa e ainda torce pelo Confiança, veja como ele é tratado. Uma tragédia de gente. Na maioria das vezes a família é sincera com essa figura e passa na cara dele sua condição de vagabundo.

Invariavelmente nos finais de semana está lá o cunhado, batendo ponto. É figura certa na casa da sogra. Como fosse íntimo, apossa-se sem cerimônia da casa da mãe da mulher com o único objetivo: filar a bóia da velha. Toma posse do melhor lugar no sofá e se deita por horas, passa a mão no controle da tv, manda o irmão mais novo da mulher comprar cerveja e só vai embora depois da janta. E ainda sempre leva alguma sobra de comida para casa. Esse é o cunhado. 

Bom, mas afinal das contas para que serve um cunhado? Alguém poderia apresentar alguma resposta concreta? Quem sabe uma seria desencalhar uma irmã chata. Levá-la para bem longe, o que geralmente não acontece na prática. Mas será que só isso compensa tê-lo na família? Há também os bons cunhados, não restam dúvidas. Solidários, são como irmãos, inclusive mais fiéis e parceiros. Topam tudo. Devem ter outras respostas. Na verdade, sabe-se de suas ações e efeitos, mas sua finalidade mesmo…

No entanto há uma justiça que precisa ser feita com essa figura. O cunhado é sempre muito generoso com quem lhe “ajuda”. Pode testar. Ele não esquece a forcinha que você deu. Ingratidão não combina com cunhado. Pode até demorar um pouco, mas o cunhado estará lá sempre para lhe retribuir. E quando isso acontece toda família fica orgulhosa e satisfeita com o cunhado. Alguém vai dizer: “Até que fim ele serve para alguma coisa”.

Sem relação com os trechos anteriores, na semana que passou um cunhado ganhou as manchetes de jornais. Calma, não pensem no pior. É que o desembargador do Tribunal de Justiça Edson Ulisses, cunhado do governador Marcelo Déda e escolhido por ele, governador, para ser desembargador, julgou ilegal a greve dos professores da rede estadual. Não se entra aqui no debate da decisão dele contra os trabalhadores, mas a sua condição de cunhado do governador, autor da ação. Veja a “coincidência”.

O governador Marcelo Déda entrou na Justiça Estadual contra os professores exatamente no primeiro dia da greve do magistério. Anote: no primeiro dia. Segundo que o pedido de ilegalidade do movimento de paralisação feito por Déda caiu nas mãos do desembargador Cláudio Déda, irmão do governador. Imediatamente, Cláudio Déda, correto, julgou-se impedido de apreciá-lo. É claro e óbvio. Ele não podia julgar porque o autor é Marcelo Déda, seu parente, seu irmão. Vale registrar ainda que Cláudio Déda jamais julgou qualquer ação em que o Governo do Estado seja parte na gestão do irmão. Registre-se também que Cláudio Déda não foi nomeado pelo atual governador.

Mas no caso do cunhado….hum. Primeiro porque a nomeação do seu cunhado para o cargo de desembargador provocou um significativo desgaste para Marcelo Déda, que chegou a ser acusado de nepotista. O Ministério Público Federal chegou a entrar com uma ação civil contra a nomeação de Edson Ulisses por Marcelo Déda. A ação contra o possível nepotismo ainda não foi julgada, ou seja, em tese, o desembargador cunhado estaria sub judice. São fatos.

Voltando a questão central da coluna, que é descobrir a finalidade real de um cunhado, penso nem ser melhor perguntar aos professores da rede estadual para que serve um cunhado. Quem deve ter respostas bem claras e objetivas para essa questão?

Impossível não lembrarOntem, dia 22, foi o Dia Mundial da Água. Pense num dia importante e que a cada ano deveria ser motivo de grandes debates e ações. Mas para o Governo do Estado essa data deve ser marcada pelo rodízio de fornecimento de água para o povo. Ontem, 22, Dia Mundial da Água. Hoje, 23, Dia Estadual de Começar o Rodízio de Fornecimento de Água em Aracaju. A imprensa lembrou isso?

Não tomou do mesmo venenoA vida não é bela. Que diga o secretário de Estado da Saúde, Rogério Carvalho. Depois de um acidente de carro no final de semana, ele e o seu motorista foram atendidos pelo Samu e, ao contrário da orientação as equipes do Samu que é de levar, obrigatoriamente, para o Hospital João Alves, o secretário de Estado da Saúde, só ele, foi rapidamente encaminhado para um hospital privado. E o atendimento de excelência do Hospital João Alves não serve?

Ivan acertou na lataO colega Ivan Valença acertou na lata quando fez um comentário sobre a posse do competente Francisco Ferreira como secretário-adjunto na Secretaria de Comunicação do Estado. Disse Ivan: “quando é mesmo que o jornalista César Gama assume um cargo no Governo?”. Disse tudo. Chiquinho Ferreira foi secretário de Comunicação (assessor fiel) de governos do PSDB e do PFL, hoje DEMO, principalmente do ex-governador João Alves Filho. César Gama, jornalista, é também assessor do DEMO. Bom, mas sem qualquer ironia: boa sorte Chiquinho. A atual gestão do Governo do Estado precisa muito de você.
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