“Crise” nos grandes jornais?

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Por Ernesto Germano

Estarão caindo em descrédito? A verdade é que, segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC), os grandes jornais brasileiros estão perdendo acentuadamente os seus leitores. Por exemplo, a Folha de São Paulo, tão engajada na campanha “Serra presidente”, vendeu apenas 21.849 exemplares diários em média, nos nove primeiros meses de 2009! Para se ter idéia do desastre, em 1996 a edição dominical da Folha vendia 489 mil exemplares. O IVC pesquisou 97 jornais no país e a Folha ficou em 24º lugar, o Estadão em 19º e o Globo em 15º, o que mostra que os três estão perdendo leitores. Outra importante constatação da pesquisa: os três grandes (Globo, Folha e Estado) dependem cada vez mais das classes A e B (maioria entre os assinantes). A pesquisa do IVC mostrou também que os jornais locais e populares ocupam um espaço cada vez maior na mídia nacional. Dos dez jornais com maior venda avulsa, segundo dados do IVC, nove são claramente populares e voltados para as classes C e D.

Ø Mais empregos. O mercado formal brasileiro registrou a criação de 230.956 vagas em outubro deste ano, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados na segunda-feira pelo Ministério do Trabalho. É o melhor resultado da série histórica, que começa em 1992. Outubro foi o nono mês consecutivo em que há crescimento de vagas, puxado principalmente pela indústria de transformação. O setor da indústria da transformação (vestuário, automóveis, alimentos e outros) foi o que mais gerou empregos, com saldo positivo de 74.552 postos, crescimento de 1% em relação ao mês anterior. Segundo o ministério, o resultado é recorde para outubro. A região Sudeste liderou a geração de empregos, tendo sido criados 108.035 postos de trabalho, 69.146 em São Paulo. Em seguida vem o Nordeste, com 49.334 postos, recorde para o mês na região.

Ø Cai a desigualdade racial no emprego. Apesar de ainda existirem diferenças na ascensão aos postos de trabalho e nos ganhos salariais entre negros e brancos, no período de 2004 a 2008, essas desigualdades diminuíram nos 39 municípios da região metropolitana de São Paulo. É o que mostra o estudo Os Negros no Mercado de Trabalho da Região Metropolitana de São Paulo, feito com base na Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Segundo o levantamento, de 2004 a 2008, a participação dos negros na População Economicamente Ativa (PEA) passou de 36,6% para 37,3% enquanto a dos brancos caiu de 63,4% para 62,7%. A proporção de ocupados negros em relação à PEA subiu de 77% para 84%, a de desempregados reduziu-se de 22,5% para 16%.

Ø Fim do fator previdenciário. Foi aprovado na terça-feira (17), por unanimidade, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania o PL 3.299/08, do senador Paulo Paim (PT/RS), que acaba com o fator previdenciário, dispositivo que diminui o valor de aposentadorias. O texto ainda precisa ser aprovado pelo plenário. Há um grande impasse em torno do projeto, que tudo indica não será votado neste ano, pois o Governo é contra o fim do fator previdenciário.

Ø No Brasil, Encontro Internacional sobre Tráfico de Pessoas. O VI Encontro Internacional sobre Migração e Tráfico de Pessoas: Desafios e Possibilidades, promovido pela Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, região Sudeste do país, começa no próximo dia 25, no auditório da Procuradoria Regional da República. O evento, que termina no dia 27 deste mês, é realizado por intermédio do Núcleo de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, em parceria com o Instituto Latino-Americano de Promoção e Defesa de Direitos Humanos, WINROCK International Brasil e o Comitê Interinstitucional de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. O objetivo é consolidar a rede de combate a este crime e realizar um intercâmbio de experiências entre os países participantes, a fim de contribuir para a construção de ações de prevenção e enfrentamento ao tráfico de pessoas não só no Brasil, mas em todo o mundo.

Ø Regularizadas terras quilombolas. No dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra no Brasil, Lula assinou 30 decretos de regularização de territórios quilombolas em 14 estados brasileiros durante uma cerimônia em comemoração a data. O evento, contou com a presença do presidente do Incra. No total, mais de 342 mil hectares de área estão sendo regularizados. Com este ato, 3.818 famílias descendentes dos quilombos serão beneficiadas com o reconhecimento, por meio da declaração de interesse social, do território que ocupam e que seus antepassados ocuparam se refugiando do regime de escravidão. A partir destes decretos é possível dar inicio aos processos de avaliação dos imóveis que, após a indenização aos proprietários, permitirá que as famílias tenham acesso a todo território e posteriormente tenham o título de domínio definitivo de suas terras, que é coletivo e inalienável.

Ø Aumenta o combate ao trabalho escravo. Auditores fiscais libertaram 32 pessoas – incluindo uma mulher e três adolescentes – de trabalho escravo de duas propriedades (Fazenda São Roque e Fazenda Butiá) em Calmon (SC), no interior do Estado, a cerca de 400 km da capital Florianópolis (SC). A ação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Santa Catarina (SRTE/SC) se deu no fim de agosto em duas fazendas de extração de erva mate e contribuiu para aumentar o número de pessoas libertadas na Região Sul em 2009. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) estão registrando um aumento nas libertações nas regiões Sul e Sudeste, comprovando que o trabalho escravo também vem sendo explorado em regiões mais ricas e em culturas com maior suporte econômico (como a cana-de-açúcar). Mas registram também que houve um reforço da fiscalização por meio da atuação intensificada dos auditores fiscais do trabalho.

Ø Sem solução o golpe em Honduras. A restituição ou não do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, será discutida no próximo dia 2 de dezembro. Isso foi o que afirmou o presidente do Congresso Nacional, Alfredo Saavedra. As informações são de EFE. Em mais um golpe contra a democracia hondurenha, os golpistas cancelaram a carta de naturalização do salvadorenho Andrés Tamayo, sacerdote que estava com Zelaya na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. No dia 2 de dezembro, ou seja, após a data marcada para as eleições presidenciais, os congressistas discutirão se restituem ou não Manuel Zelaya ao poder. Vale lembrar que, com essa data, a decisão ocorrerá apenas pouco mais de um mês para o fim do mandato de quatro anos do presidente constitucional, o qual acabará no dia 27 de janeiro de 2010. O Padre Tamayo acompanhava Zelaya na embaixada do Brasil em Tegucigalpa e participava das manifestações de resistência ao golpe e de boicote às eleições de 29 de novembro.

Ø Resistência em Honduras pede que o povo não vote. A Frente Nacional Contra o Golpe de Estado de Honduras está mantendo o chamado para que o povo não vote nas eleições de 29 de novembro próximo, por considerá-las uma tentativa para legitimar a ditadura golpista. Os membros da resistência voltaram a reunir-se na segunda-feira, na praça La Merced, próxima do Palácio Legislativo, para exigir a restituição da ordem constitucional e do presidente legítimo Manuel Zelaya. O coordenador geral da Frente Juan Barahona, insistiu em que as eleições, organizadas pelos que usurparam o poder mediante as armas, são ilegais e fraudulentas.

Ø Não reconhecerão resultados eleitorais. Em comunicado oficial, os governos do Brasil e Argentina anunciaram que não reconhecerão os resultados das eleições marcadas para o dia 29, em Honduras. Os dois países exigem a pronta restituição do presidente legítimo, Manuel Zelaya, ao cargo. No comunicado, Lula e Cristina Kirchner declaram a “condenação ao golpe de Estado em Honduras” e exigem que “cessem as hostilidades contra a embaixada brasileira em Tegucigalpa”.

Ø Participação internacional. A Assembléia de Solidariedade ao Povo Hondurenho, na Catalunha, está convocando todos a denunciarem e repudiarem as eleições marcadas pelos golpistas. Em documento divulgado nesta semana, a Assembléia denuncia a violação de direitos humanos no país e exige a restituição do poder ao legítimo representante, presidente Manuel Zelaya. Para assinar a nota, enviar mensagem para: asp.hondureny@gmail.com

Ø Agricultores paraguaios denunciam “máfia da soja”. A Central Geral dos Trabalhadores do Paraguai e a Associação de Agricultores do Alto Paraná estão denunciando a ação da “máfia da soja”, composta por plantadores brasileiros e paraguaios, que está utilizando avião para pulverizar comunidades indígenas guaranis. Antes, os “sojeros”, como são chamados, tentaram expulsar as comunidades indígenas utilizando jagunços armados. Como as comunidades resistiram, com arcos e flechas, resolveram usar a “tecnologia” da “força aérea” e pulverizar com agrotóxicos a região, atingindo mulheres e crianças em suas aldeias.

Ø Paraguai: um golpe em andamento? Enquanto as atenções estão voltadas para o que pode acontecer em Honduras, um golpe semelhante pode estar em andamento no Paraguai. No último final de semana, o jornal Clarin publicou uma interessante entrevista com o senador liberal Alfredo Jaeggli que declarou, sem medo, que “há uma folgada maioria no Congresso do Paraguai que está pronta para caçar Fernando Lugo através de um julgamento político e substituí-lo pelo vice-presidente Federico Franco”. O senador foi ainda mais preciso: “Temos os votos necessários para tirá-lo do cargo e precisamos fazer isto dentro de, no máximo, seis meses”.

Ø Conferência Internacional da Juventude Sindicalista. A Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru realizou nesta semana, em Lima, a Primeira Conferência Internacional da Juventude Sindicalista. O encontro iniciou na quarta-feira (18) e seu encerramento foi na sexta-feira (20). A atividade foi organizada pela Federação Sindical Mundial (FSM) e participaram jovens de todos os continentes. As maiores delegações foram: França, Portugal, Grécia, Chipre, Nigéria, Brasil, México, Argentina, Cuba, Estados Unidos, Equador, Colômbia, e Peru.

Ø No Peru, Jornada Nacional de Lutas! A Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru está convocando para o dia 26 de novembro a “Jornada Nacional de Lutas” em defesa das jazidas de gás e dos recursos hidroenergéticos do país. Participarão da mobilização os sindicatos de trabalhadores e as federações, em todo o país, e denunciarão as armadilhas do Tratado de Livre Comércio com os EUA.

Ø Farsa para distrair atenções. O neoliberal peruano Alan Garcia, um dos poucos “capachos” estadunidenses na região, está vendo sua popularidade despencar e os movimentos sociais crescerem no país. Então, como sempre fazem os imprestáveis, resolveu montar uma farsa para ganhar espaço nos jornais. Durante a semana, anunciou a prisão de um oficial da Força Aérea, Víctor Ariza, acusando-o de espionar a favor do Chile! É um pândego, esse tal de Alan Garcia. Qual o grande segredo militar do Peru que merecesse uma “espionagem” do Chile? Além disto, o Chile já possui dois satélites militares (FASat-Alfa e FASat-Bravo) que acompanham tudo o que se passa nos países vizinhos.

Ø Na Bolívia, Morales abre vantagem. Uma empresa privada de pesquisa, a Equipos Mori, divulgou nesta semana uma pesquisa de opinião em que o presidente e candidato à reeleição na Bolívia, Evo Morales, aparece com 52% das intenções de votos, 34 pontos a mais que o segundo lugar, o direitista Manfred Reyes Villa, do partido Plano Progresso para a Bolívia (PPB). Para se eleger nas eleições do próximo dia 6 de dezembro, Morales precisa de 50% dos votos mais um ou de, ao menos, 40% caso tenha 10 pontos de diferença sobre o segundo colocado. Segundo a última pesquisa, votam em Morales 69% dos eleitores do departamento de La Paz (oeste), 66% dos de Oruro (oeste) e 69% dos de Potosí (sudoeste), os três nos Andes bolivianos. Seu favoritismo é mais moderado nos vales de Cochabamba (centro), onde possui 38% dos votos, e em Tarija (sul), onde seu favoritismo chega a 29%.

Ø Cúpula sindical do Cone Sul. Os líderes sindicais de 13 centrais da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, se reunirão no dia 7 de dezembro, em Montevidéu, para realizar a Cúpula Sindical do Cone Sul, que vai debater o processo de fortalecimento da integração entre os países, o papel da classe trabalhadora no momento atual e a disputa do modelo de desenvolvimento. Cerca de 400 sindicalistas participarão do evento, que fará uma avaliação da conjuntura e dos impactos da crise econômica no cone sul, priorizando medidas em defesa da geração de empregos, distribuição justa da riqueza e ampliação dos direitos sociais.

Ø As bases militares na Colômbia provocam encontro. Um encontro de partidos de esquerda do mundo aconteceu neste final de semana, em Caracas, para debater a criação de sete bases militares estadunidenses na Colômbia. Segundo os organizadores do encontro, estiveram presentes 26 partidos da América Latina e Caribe, 7 da Europa, 6 da Ásia e 6 da África. Ana Elisa Osorio, dirigente do Partido Socialista Unificado da Venezuela, disse que o encontro é importante para combater a agressividade dos EUA na região e entender “mais essa ameaça, no contexto da profunda crise capitalista”.

Ø Brasil e Argentina contra as bases. No encontro entre os presidentes Lula e Cristina Fernández foi também assinado um documento oficial condenando a instalação das sete bases militares estadunidenses na Colômbia. Eles destacaram, em uma declaração conjunta, que “os acordos de cooperação militar com potências de fora da região devem ser acompanhados por garantias formais de que não serão utilizados contra a soberania, a integridade, a segurança e a estabilidade dos países”.

Ø Mais um golpe armado. Nossa imprensa está dando bastante espaço para as notícias sobre a destruição de pontes na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia. Os jornais dizem que o governo de Hugo Chávez está provocando o país vizinho, mas buscam uma maneira de justificar a implantação das bases militares estadunidenses. Agora sabemos que o governo da Venezuela derrubou as pontes porque são utilizadas por contrabandistas. Em filmes e fotografias que podem ser consultados facilmente na internet, o exército venezuelano mostra as mercadorias apreendidas nas passagens clandestinas e diz que essas ações são comuns entre os dois países.

Ø GM na Europa vai demitir 10 mil. A montadora americana GM (General Motors) poderá cortar até 10 mil empregos como parte da reestruturação de seus negócios na Europa, disse o chefe-interino dos negócios da fabricante de veículos no continente, Nick Reilly, nesta terça-feira. A companhia poderá reduzir sua produção na Europa entre 20% e 25% como parte de um plano de 3,3 bilhões de euros (US$ 4,9 bilhões), disse, em entrevista coletiva em Londres.

Ø Impedir a execução de 126 mulheres no Iraque. A denúncia foi feita em Bruxelas, pela Women Will Association. A organização denuncia que na próxima semana serão executadas 126 mulheres iraquianas, condenadas pelo “tribunal democrático” criado pelas forças invasoras dos EUA. Elas jamais foram julgadas por qualquer delito, apenas pelo “crime” de terem “trabalhado para o antigo governo”. Entre as mulheres condenadas estão cientistas, pesquisadoras e até a ex-ministra do Trabalho e Assuntos Sociais.

Ø Bispos africanos denunciam neocolonialismo. Quando o Papa Bento XVI abriu os trabalhos do II Sínodo dos Bispos da África, talvez não imaginasse que estivesse destampando um caldeirão de problemas. O Sínodo, realizado 15 anos depois do primeiro, está servindo para os bispos africanos denunciarem o que significou mais de quinze anos de neoliberalismo e neocolonialismo na região. Estão participando 197 bispos do continente africano e mais de 40 de outras regiões. Philippe Ouedraogo, arcebispo de Ouagodougoy (Burkina Faso) acusou os meios de comunicação ocidentais de tentarem impor o “pensamento único” do Ocidente e de estarem “a serviço dos poderes econômicos mundiais”. Anthony Olubunmi Okogie, arcebispo de Lagos, capital de Nigéria, denunciou que “os recursos necessários para o desenvolvimento da sociedade africana estão sendo saqueados pelos neocolonizadores do mundo desenvolvido” e lembrou que seu país é membro da OPEP pela grande produção de petróleo, que não está sendo usado para o desenvolvimento do povo. O bispo Nicolas Djomo Lola, de Tshumbe, República Democrática do Congo, centrou suas denúncias nas ações das empresas transnacionais que saqueiam a região e exploram o povo. Várias outras denúncias foram feitas pelos bispos.

Ø Cúpula termina sem apontar saídas! Mais de um bilhão de pessoas passam fome diariamente em todo o mundo. Mais de 150 milhões de meninos e meninas passam fome ou são desnutridos. Outras 17 mil crianças perdem a vida por não terem o que comer. A cada 3,5 segundos morre uma pessoa de fome e a cada 5 segundos morre uma criança. Esses são os dados oficiais que mostram a dimensão do problema e do motivo de tanta expectativa com relação à Cúpula da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, que terminou nesta quarta-feira (18), em Roma, Itália. Uma reunião que terminou sem qualquer avanço concreto! Discursando no encontro Lula disse que “com menos da metade do dinheiro que as grandes nações gastaram salvando bancos falidos se poderia acabar com a fome no planeta”. Mas as discussões não resultaram em compromissos precisos e efetivos.

Ø Desemprego em Portugal. O Instituto Nacional de Estatísticas de Portugal acaba de divulgar os dados do desemprego relativos ao 3º Trimestre de 2009. E os números mostram que a situação é pior do que aquela que o governo pretende fazer crer. O desemprego oficial já atingia 547,7 mil portugueses. Mas o desemprego oficial não inclui a totalidade dos desempregados. No número oficial de desemprego, não estão incluídos aqueles, que embora na situação de desemprego, não procuraram emprego no mês em que foi feita a pesquisa (porque já estão desencorajados). E também não estão considerados no número oficial os que, para sobreviveram, fizeram um pequeno “biscate”, por exemplo, de uma hora. Tudo somado, o desemprego real em Portugal já ultrapassa 12%, na média.

Ø Drogas causam 20% dos acidentes de trabalho! É interessante o relatório divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e apresentado na Academia de Ciências Médicas de Bilbao, na Espanha: um em cada cinco acidentes de trabalho é provocado pelo consumo de drogas. A pesquisa, divulgada na palestra “Consumo de drogas, álcool e medicamentos no trabalho”, indica que os setores profissionais com as maiores taxas de acidentes são os de relações públicas, comércio e construção e o estudo se baseia na investigação de 38 empresas dos EUA, Europa e Ásia durante os últimos cinco anos. De acordo com o relatório, entre 15% e 25% dos acidentes de trabalho diários ocorrem no local onde os profissionais exercem as atividades ou em “in itinere” (deslocamentos) pela impossibilidade de manter os reflexos. E essa incapacidade de concentração e coordenação é provocada, dizem os especialistas, principalmente pelo consumo habitual de álcool, cocaína, maconha, heroína e remédios para controlar a ansiedade em profissionais numa faixa etária entre 20 e 35 anos. Uma questão não aparece no relatório: qual o percentual de acidente que ocorrem durante as jornadas extraordinárias (horas extras), quando o trabalhador já está desatento pelo cansaço ou pelo estresse?

Ø Protestos contra a “Escola de Assassinos”. Milhares de ativistas nos EUA estão realizando neste final de semana uma grande mobilização para pedir ao presidente Obama que feche, definitivamente, a Escola das Américas, conhecida na América Latina como “Escola de Assassinos”. Na “Escola” fizeram cursos conhecidos ditadores (Pinochet, Stroessner, Golbery, Videla, etc) e agora se sabe que dois dos comandantes do golpe em Honduras, o Chefe do Estado Maior – Romeo Vásquez – e o Chefe da Força Aérea – Luis Prince Suazo -, também foram “alunos”. Outros que também fizeram cursos por lá foram os generais Ramírez Poveda e Efraín Vásquez Velasco, os comandantes do falido golpe contra Hugo Chávez, em 2002.

Ø Estão “fabricando” uma ameaça terrorista. Não são apenas as sete bases militares implantadas na Colômbia. Os EUA estão tentando “fabricar” uma ameaça terrorista na América Latina para justificar uma intervenção contra os governos progressistas da região. Por exemplo, Eliot Engel (democrata de Nova York), presidente do Subcomitê para Assuntos Exteriores da Câmara dos Deputados, disse em uma audiência no dia 27 de outubro que tem “sérias preocupações pelo aumento da influência iraniana na região”. Ele disse que as relações diplomáticas e comerciais do Irã com países latino-americanos são uma ameaça para a região e para a segurança dos EUA! Eric Farnsworth, presidente do Conselho das Américas, disse que o Irã “pode estar buscando urânio na região, possivelmente na Venezuela”. Dina Siegel Vann, considerada “especialista”, citou um informe secreto do Departamento de Estado, publicado em abril, falando de terroristas na região da tríplice fronteira (Brasil, Paraguai, Argentina).

Ø Documento comprova intenções hostis! O Departamento de Estado dos EUA confirmou ser verdadeiro o documento da Força Aérea estadunidense apresentado na quarta-feira, em Brasília, pelo deputado federal José Genoino (PT-SP), que cita a base militar colombiana de Palanquero como “uma oportunidade para a realização de operações no âmbito total da América do Sul”. Baseado no documento, Genoino acredita que o polêmico acordo militar que garante o acesso dos EUA a sete bases no território colombiano poderia abrir caminho para as forças armadas estadunidenses atuarem em outros países, além da Colômbia. Elaborado antes do texto final do acordo, com o objetivo de fundamentar a destinação do orçamento de US$ 46 milhões para as operações na Base Aérea de Palanquero, no centro da Colômbia, o texto afirma que a base “fornece uma oportunidade para a realização de operações no âmbito total da América do Sul”.

Ø Recuperação sem empregos? Ben Bernanke, presidente do Banco Central estadunidense, fez importantes declarações durante a semana. Ele afirmou que “há sinais de recuperação na economia do país, mas isto não está gerando empregos”. Oficialmente, a taxa de desemprego no país é de 10,2%, mas considerando o subemprego e os que desistiram de procurar trabalho a taxa sobe para 17,5%!