Sindijor e outras entidades vão pedir impugnação da Conferência de Comunicação de Sergipe

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O Sindicato dos Jornalistas (SindijoDPPMarcoVieira0003r) e outras entidades que compõem a Comissão Pró-Conferência de Comunicação de Sergipe (CPC-SE) vão pedir a impugnação da etapa sergipana da I Conferência de Comunicação, realizada nos últimos dias 19 e 20, na Escola Técnica José Figueiredo Barreto, em Aracaju.

Segundo as entidades da Pró-Confecom, que inclusive compunham a Comissão Organizadora da Conferência de Sergipe, o processo eleitoral para a escolha dos dez delegados do Estado à etapa nacional – de 14 a 17 de dezembro, em Brasília – aconteceu com irregularidades, como a interferência direta de membros do Governo Estadual e da Comissão Organizadora Nacional (CON) na eleição.

Mais especificamente, as entidades apontam a interferência, no processo, da presidente da Fundação Rádio e TV Aperipê de Sergipe, Indira Amaral, e do representante indicado pela CON, José Sóter, presidente nacional da Abraço (Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária), este último, articulado  com o presidente da Abraço de Sergipe, José Carvalho de Menezes, o Juquinha.

“Entre tantas coisas bizarras nessa Conferência de Comunicação, a eleição de delegados do campo da sociedade civil não-governamental conseguiu superar as piores expectativas dos movimentos sociais. Ver a intromissão de Indira Amaral dentro do setor da sociedade civil não-empresarial, onde ela não podia estar, pois ela é poder público, foi grotesco. Pedimos que ela se retirasse, mas ela disse que ninguém tiraria ela dali”, conta o presidente do Sindijor, George Washington.

“O pior, porém, foi ver as articulações escrotas dessa figura das sombras, que é o senhor Juquinha, que todos tão bem conhecem as suas práticas, operando nos bastidores com a sua turma da Abraço, inclusive nacional, e do PT. Foi algo sinistro”, relata Washington, que presidiu a mesa que conduzia os trabalhos para a eleição.

Segundo ele, diante da construção feita, que culminou na escolha da eleição dos delgados por chapa majoritária, apontando membros das articulações feitas por Indira e Juquinha, ele e os demais integrantes da CPC-Sergipe se retiraram do plenário como forma de protesto.

“Saímos porque prevaleceu a forma mais antidemocrática de se eleger delegados naquelas circunstâncias. Nossa defesa era para que das dez vagas, cada movimento social pudesse ficar com uma, para contemplar mais entidades. Mas a dupla, querendo garantir os seus, construíram o critério da chapa fechada. Não concordamos e saímos do plenário”, disse.

De acordo com Washington, para se ter uma ideia do quanto o processo foi antidemocrático e viciado, das dez vagas de delegados titulares de Sergipe, quase todas as vagas ficaram com pessoas ligadas aos dois – quatro das rádios comunitárias, além da Juventude do PT, SOPAFI (PT), MST (PT) e CONAM (PT), USES (PCdoB) e o Movimento Hip-hop.

“É só dar uma olhada atenta na composição dos delegados eleitos que se vê claramente como foi construída a eleição”, aponta o sindicalista.

Esquemas antigos

Ainda de acordo com Washington, o que aconteceu na Conecom não é coisa nova nos processos de conferências em Sergipe. “Não é nenhuma novidade. Aconteceu em praticamente todas as conferências realizadas até então. O governo e seus esquemas nos movimentos sociais operam para compor a eleição de delegados por critérios e interesses políticos”, enfatiza Washington.

Segundo ele, com a brecha no Regimento da Conecom, que não estipulava critérios prévios para a participação de delegados na etapa final, a coisa foi ainda pior. Os movimentos sociais – a maior parte ligada a Juquinha, ao PT e ao PCdoB – que trouxeram mais pessoas, ditaram as regras. “Cataram, literalmente, as pessoas para fazerem número. Teve gente que já chegou perguntando onde serviriam o almoço e quando seria a hora da eleição”, diz o presidente do Sindijor.

Prática viciada

Carolina Westrup, do Coletivo Intervozes, que defendeu a proposta de que os delegados deveriam ser em número de um por entidade, mas foi engolida pelo esquema que estava armado, reforça a fala do presidente do Sindijor.

“O que aconteceu na Conferência Comunicação de Sergipe foi o retrato da total interferência do Poder Público no processo da eleição da sociedade civil. Vamos lutar, agora, pela impugnação da etapa, por entender que esse tipo de prática retira da sociedade a sua soberania e atinge diretamente o caráter constituinte da Conferência”, afirma Ana Carolina Westrup, do coletivo de comunicação Intervozes.

“E eles nem podem alegar que é choro de derrotados porque nos retiramos para justamente não participar nem homologar aquele processo de eleição, justamente porque já estava viciado e era completamente antidemocrático” , ressalta Carolina.