Sistema de transporte de Aracaju: caos à vista?

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Roberto Silva dos Santos, professor da  Rede Estadual

E da Rede Municipal de Aracaju, Direção de Comunicação

do SINTESE  e Secretário de Juventude da CUT-Sergipe

 

A falta de atenção da Prefeitura de Aracaju em relação ao transporte público da Cidade é revoltante. Apesar do Prefeito Edivaldo Nogueira (PC do B) ter anunciado hoje, dia 05, a entrega de 35 novos ônibus, o problema do transporte público da capital é caótico. Quem quiser confirmar, tal afirmação, é muito fácil. Preciso, apenas, viajar nos ônibus do Sistema Integrado de Transporte e ouvir as mais diversas reclamações dos usuários:  trabalhadores, desempregados, estudantes e donas de casas.

Por mais que a frase de efeito utilizada pelo Prefeito ser muito convincente: “Aracaju é a cidade da qualidade de vida”. Percebe-se que isso não parecer ser o sentimento dos usuários do sistema integrado de transporte: atrasos permanentes, motoristas pressionados pelas empresas para chegarem no horário e estressados, ônibus sujos e velhos na grande maioria, lotação excessiva nos horários de chegada e saída dos trabalhadores do emprego e passagens muito caras.

O que podemos observar em relação ao transporte da capital é que as políticas priorizadas pela SMTT-Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito são apenas: proibição de estacionamento e a política de multas. Sobre essa última, há denúncias feitas pelos Agentes de Trânsito municipais nos meios de comunicações da cidade, da existência de orientações para que multem os veículos deliberadamente. Apesar de a denúncia ter sido negada pelo Superintendente da SMTT Antônio Samarore, fica a dúvida no ar.

Entretanto, em relação ao transporte público ai é que o caos está cada vez mais próximo.  A Prefeitura de Aracaju não realiza licitação. O lobby dos empresários é muito forte e as gestões municipais empurram uma para outra para não se comprometerem com o “todo poderoso” SETRANSP- sindicato das Empresas de Transporte Público. Este sindicato, possui grande influência na Câmara Municipal de Aracaju e na Assembléia Legislativa que impede que aconteça qualquer tipo licitação ou ação da Prefeitura que venha melhorar a qualidade do sistema de transporte para a população. A melhoria do sistema  significa mais gastos para as empresas de ônibus e menos lucros e isso eles não aceitam e nem permitem.

O resultado disso são ônibus velhos, sucateados que quebram o tempo todo e superlotados. O sofrimento da população trabalhadora, desempregados, estudantes e donas de casas que utilizam esse meio de transporte é visível tanto nas rodas de conversas quanto dentro dos próprios ônibus.

A Prefeitura quando anuncia algum tipo de obra para “melhorar o trânsito da capital” são obras voltadas para o transporte individual através da construção de pontes e vias. Essa situação é motivada pelo poder que tem a indústria automobilística no país que movimenta bilhões e as gestões governamentais que tem implementado políticas para estimular a venda de carros de passeio. Já o transporte coletivo que é utilizado pela massa da população dos grandes centros urbanos sempre é esquecido.

Não há política para melhorar os serviços e reduzir o tempo de viajem dos aracajuanos. E, também, não há nenhuma obra que vise construir corredores de ônibus.  Em vez disso, reserva-se cada vez mais espaços para os carros de passeio.

A licitação do transporte coletivo é necessário e precisa sair das promessas de campanhas eleitorais. Durante o processo de licitação deve-se garantir a participação da população na decisão dos trajetos das linhas e no valor das passagens, pois hoje essas decisões são exclusividade da SMTT que na maioria das vezes não agradam a população. A Prefeitura precisa trocar, praticamente, todos os ônibus, pois a maioria deles não tem condições de funcionamento. Mas precisa-se, também, ocorrer o barateamento das passagens para garantir o efetivo uso dos ônibus pela população mais pobre, bem como a gratuidade para desempregados e estudantes subsidiadas pelo poder público.

É preciso reorientar a política de transporte da capital. Caso contrário, num tempo muito breve a situação chegará ao caos vivenciado, atualmente, pelos grandes centros urbanos onde o trânsito está insustentável. Sabemos que ainda é tempo para que se reorientem as políticas públicas no sentido de estimular a população a utilizar mais o transporte coletivo com a melhoria da qualidade, redução do tempo de viajem, mais linhas disponíveis e passagem mais baratas. A licitação ou a estatização do transporte público são os caminhos para que, de fato, tenhamos, um dia, qualidade de vida em Aracaju.