Brasileiro está mais satisfeito

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A satisfação com o país triplicou e o orgulho de ser brasileiro dobrou nos últimos 12 anos. É o que diz o levantamento do Instituto Sensus, sob encomenda da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Além disto, a pesquisa mostra ainda que há um novo eleitor, mais consciente, que vota seguindo percepção própria e menos por influências da família ou do pastor. E esse mesmo eleitor indica que aumentou a corrupção no país, e que o Congresso Nacional é a instituição na qual menos confia. O grau de satisfação com o Brasil subiu de 15% em 1998 para 48% em 2010. O sentimento de ter orgulho de ser brasileiro passou de 26% para 52,8%. Na hora de votar para presidente da República, 55,5% disseram que seguem a própria opinião (contra apenas 1% em 1998). Os que ouvem a família e amigos antes do voto eram 30%, agora são 14,2%.

u Luta pela redução da jornada. Aproveitando o início das atividades no Congresso Nacional e para mostrar aos parlamentares e ao Governo Federal que a classe trabalhadora não está “dormindo no ponto”, as seis centrais sindicais – CTB, CUT, Força Sindical, UGT, NCST e CGTB – realizaram, na manhã desta terça-feira (2), em Brasília uma manifestação unificada pela redução da jornada de trabalho, sem redução de salários. A mobilização foi decidida durante a última reunião do Fórum das Centrais Sindicais (composto pelas seis centrais), ocorrida no ultimo dia 21 de janeiro e foi grande a adesão de sindicalistas de todo o Brasil. Das 8 às 10 horas, deputados e senadores que desembarcavam eram recebidos por dezenas de dirigentes sindicais, aos brados de “Reduz pra 40 que o Brasil aumenta e o empresariado agüenta” e outras palavras de ordem como “Primeiro o pré-sal, o Carnaval e depois as 40 horas”. (matéria do Diap)

u Centrais defendem cotas para negros. Representantes das principais instituições sindicais do país estiveram reunidos na última terça-feira (2) com o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos. O encontro objetivou a apresentação de uma declaração de apoio ao sistema de cotas raciais na educação. O documento foi assinado por presidentes de sete centrais sindicais do Brasil: Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Força Sindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical dos Trabalhadores e Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (Inspir). (matéria do Diap)

u Alimentação, só agora, é direito social. O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira (3), em segundo e último turno, a PEC 47/03, do senador Antonio Carlos Valadares (PSB /SE), que inclui o direito à alimentação como um dos direitos sociais previstos no artigo 6º da Constituição. Atualmente, o texto constitucional prevê como direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, e a assistência aos desamparados.

u Fora Blair. Já circula na internet uma lista de adesões e um protesto a ser encaminhado ao Lula contra a presença de Tony Blair como “consultor” para as Olimpíadas de 2016. Um canalha que mentiu descaradamente para justificar a invasão do Iraque, que está sendo investigado por vários crimes em seu país, que apoiou o massacres israelenses, etc, não pode ser consultor de Jogos Olímpicos. Para ler mais sobre a campanha, veja o site: http://paulocoelhoblog.com/2010/02/02/rio-2016-x-tony-blair/

u Prêmio Nobel da Subserviência. Shirin Ebadi é advogada iraniana pró-EUA, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2003 (será coincidência?), e causou “frenesi” na direita brasileira ao declarar que “Lula não deveria fazer amizade com governos criminosos”. Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, ela se referia ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. O interessante é que ela não faz qualquer comentário, nem uma palavra sequer, contra a declaração de Israel de que pode realizar um ataque aéreo contra o seu país, o Irã. Há quem diga que Lula deveria seguir seus conselhos e romper imediatamente as relações com Israel, com os EUA, com a Colômbia, etc.

u Militarização é denunciada no Fórum. “A expansão da presença militar de EUA na região busca, além de intimidar os processos políticos de transformação na região, posicionar sua força militar nas áreas estratégicas de grande riqueza natural, como a biodiversidade da região amazônica e o petróleo que se encontra em águas profundas do Atlântico Sul, é um ataque real contra a paz, a segurança e soberania de todos os países da região”. “A militarização alcança cotas sem precedentes. Os gastos militares aumentam, multiplicam-se as armas nucleares, os Estados Unidos geram novos planos de defesa antimísseis, a Otan ratifica seu caráter agressivo, cresce a presença naval dos países imperialistas no Oceano Índico enquanto que África torna-se ainda mais vulnerável com a criação do Africom [Comando África de Estados Unidos], o comando militar dos Estados Unidos para o continente. Uma vasta rede de bases militares estende-se por todo o planeta”. Estes são alguns pontos do documento aprovado por 24 organizações e redes reunidas durante o evento comemorativo dos dez anos de Fórum Social Mundial.

u Pilhagem do Haiti. No último dia 29, diante do Conselho de Segurança da ONU, a diretora-geral da UNESCO pediu que seja votada uma resolução proibindo temporariamente o comércio de objetos de arte haitianos “a fim de não encontrá-los amanhã à venda em leilões da Christie”. A história repete-se: após a criminosa invasão do Iraque, as riquezas culturais do seu Museu Nacional e de sítios arqueológicos da Mesopotamia e Babilônia foram saqueadas e vendidas no ocidente. Atrás da tropa estadunidense chegam sempre os saqueadores de tesouros.

u As crianças tinham famílias! A diretora regional da organização SOS Village, Patricia Vargas, informou no último domingo que funcionários do Instituto de Bem Estar Social haitiano confirmaram que a maioria das 33 crianças que um grupo de estadunidenses tentava tirar ilegalmente do Haiti possui familiares sobreviventes do terremoto. Os seqüestradores são membros de uma organização religiosa, a “New Life Children’s Refuge” ou (Refúgio para Nova Vida de Crianças), e ainda estão detidos pela polícia haitiana.

u Com apoio de Washington. O governo Obama anunciou publicamente seu apoio aos 10 integrantes da New Life, acusados de traficar crianças haitianas. Washington já está pressionando para que eles sejam julgados nos EUA. O juiz interino da principal corte de Puerto Príncipe, Mazar Fortil, adiantou que eles serão processados por “tráfico de crianças, sequestro de menores e associação para delinqüir”, mas diz que “é cedo para dizer onde serão julgados”. O governo estadunidense já ofereceu “assessoria consular ilimitada” aos dez prisioneiros e o representante do Departamento de Estado, Philip Crowley, disse que sua embaixada em Porto Príncipe está dando assistência. Fonte: http://www.pagina12.com.ar/imprimir/diario/sociedad/3-139447-2010-02-02.html

u Movimento sindical faz campanha de ajuda. Na terça-feira (2), a Confederação Sindical dos trabalhadores das Américas (CSA) e a Confederação Sindical Internacional (CSI) enviaram um grupo de sindicalistas ao país para, junto às centrais sindicais locais, organizar estratégias de apoio à população haitiana. Durante a visita, os representantes das Confederações Sindicais se reuniram com a Confederação dos Trabalhadores Haitianos (CTH), central sindical afiliada, para saber como os sindicalistas estão vivendo, como estão suas famílias e qual tipo de ação é prioritária para ajudar as vítimas do terremoto de 12 de janeiro. Outros sindicatos com o qual a CSI e a CSA tem contato também foram visitados. Com ajuda dos sindicatos da República Dominicana foi possível enviar alimentos e água, não só para os sindicatos, mas também para pequenos acampamentos distantes das missões internacionais, onde a possibilidade de chegar ajuda humanitária é menor. Para enviar esta primeira remessa de subsídios, foram liberados 20 mil euros do fundo geral da CSI. (matéria em Adital)

u Nicarágua não reconhece governo de Honduras. “A Nicarágua não pode reconhecer Porfírio Lobo como novo mandatário do país, porque seu poder está baseado nas baionetas e em um golpe de Estado”, disse o presidente Daniel Ortega em entrevista à Prensa Latina. Ele também condenou a falsa anistia promulgada pelo Congresso hondurenho, deixando em liberdade os militares golpistas e políticos que se aproveitaram do golpe.

u Equador também não reconhece. O Equador não reconhecerá o atual governo hondurenho, que considera ilegítimo, anunciou o presidente Rafael Correa. Ele é o presidente pro tempore da União de Nações Sul-americanas (Unasul) e disse haver apresentado a proposta a seu homólogo dominicano, Leonel Fernández. Acrescentou que seu governo “não legitimará” governo encabeçado por Porfírio Lobo em Honduras por haver saído de um golpe de Estado, mesmo que a decisão não implique uma ruptura com o povo hondurenho, “de que somos aliados”. Disse que a ideia de fundar uma organização continental sem a presença de Estados Unidos e Canadá, diferente da Organização de Estados Americanos (OEA), poderia contribuir para solucionar crises similares que se apresentem em outros países sem a intervenção de organismos supranacionais.

u Guatemala: mais um sindicalista assassinado. A Confederação Sindical Internacional está denunciando e enviou carta ao presidente da Guatemala protestando contra o assassinato de Pedro Antonio García, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Malacatán. Ele havia conduzido, nos dias 5 e 6 de janeiro, uma greve e várias ações de trabalhadores exigindo o pagamento dos salários atrasados desde 2009, além do cumprimento do Acordo Coletivo assinado. O crime aconteceu na manhã do dia 29 de janeiro (sexta-feira), em Malacatán, no departamento de San Marcos. Segundo informações do MSICG, Pedro Antonio Garcia saía do local de trabalho em direção a sua casa quando foi interceptado por indivíduos armados.

u No país do capacho. A Federação Internacional de Sindicatos de Trabalhadores em Química, Energia, Minas e Indústrias Diversas (ICEM) encaminhou carta de protesto ao governo colombiano denunciando as graves ameaças ao Presidente da União Sindical Operária da Indústria de Petróleo, Germán Osman. A ICEM denuncia que Germán e sua família recebem constantes ameaças e que a vida dele pode estar em perigo, exigindo que o governo da Colômbia e a empresa Ecopetrol assumam a responsabilidade e garantam a vida do companheiro.

u RCTV vai para o confronto. Os proprietários da Rede Caracas Televisión Internacional (RCTVI) já definiram a estratégia de enfrentar o governo Chávez e tentar desestabilizar o país. É a única emissora venezuelana que se recusa a acatar as normas da Comisión Nacional de Telecomunicaciones (Conatel) para transmissão a cabo. Todas as outras emissoras já adotaram as novas normas técnicas e estão transmitindo normalmente, sem causar problemas nas centrais de cabos e nos canais de satélites. A RCTVI, que teve participação ativa na tentativa de golpe de Estado de 2002, estava transmitindo com sinais irregulares e se recusa a acatar as normas dos operadores de TV a cabo e dos sinais de satélites. Tudo indica que é uma política traçada para jogar a opinião pública contra o governo, porque através de seus jornais impressos diários os donos da Radio Caracas Televisión estão dizendo que “o governo quer fechar a emissora, que será obrigada a demitir trabalhadores”.

u Esclarecendo o que nossos jornais não dizem. Os seis canais de televisão que tiveram suas transmissões momentaneamente suspensas, na Venezuela, estavam violando dispositivos legais da Comisión Nacional de Telecomunicaciones (Conatel). Por exemplo: obrigatoriedade de transmitir redes oficiais, programas educacionais, símbolos nacionais, classificação etária, etc, além da normatização dos sinais enviados ao satélite. Mas nenhuma foi fechada ou desapropriada, como dizem nossos “jornalistas tão livres”. Cinco emissoras já regularizaram a situação e voltaram a operar, menos a RCTVI.

u Camponeses paraguaios se mobilizam. A Plenária Nacional de Dirigentes Camponeses do Paraguai aprovou realizar duas grandes mobilizações em fevereiro e março. É em demanda da reforma agrária e de incentivo para o pequeno produtor. A primeira será nos dias 11 e 12 de fevereiro em Asunción e reclamará o fato de os assentamentos camponeses não contarem com os serviços básicos como estradas, escolas, hospitais, água potável e eletricidade. Em março se realizará a XVII edição da grande Marcha do Campesinato Pobre na capital do país com o propósito de que o Governo cumpra suas promessas quanto à Reforma Agrária.

u No Peru, sem direitos desde 2006. O Presidente da Central Única de Trabalhadores do Peru (CUT Peru), Julio César Bazán Figueroa, alertou que existem 37 negociações coletivas sem resolução desde o ano de 2006, devido à oposição das grandes empresas respaldadas pela Confederação Nacional de Instituições Empresariais Privadas (Confiep), o que prejudica os direitos trabalhistas fundamentais de aproximadamente 12 mil trabalhadores. “Apesar dos reiterados trâmites realizados no Ministério do Trabalho e Promoção de Emprego (Mtpe), estas negociações coletivas não tiveram solução porque a Autoridade Administrativa (Ministério) tem uma atitude complacente, não faz nada e permite que a empresa continue abusando do trabalhador do setor”, disse Bazán Figueroa. Os 12 mil trabalhadores pertencem a diversas empresas filiais, criadas pela Telefônica no Peru de forma fictícia, e as empresas contratantes tercerizadoras.

u Demanda mundial de energia crescerá 35% até 2030. A demanda mundial de energia para 2030 será cerca de 35% mais alta do que em 2005, impulsionada pelo rápido crescimento dos países que não integram a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), como China e Índia, informou nesta sexta-feira a petrolífera americana Exxon Mobil. A Exxon Mobil apresentou o relatório em um ato organizado pelo Fórum de Segurança Energética Mundial da Escola de Assuntos Públicos e Internacionais da Universidade Internacional da Flórida, com sede em Miami. A empresa calculou que de 2005 a 2030 o PIB (Produto Interno Bruto) mundial crescerá a uma taxa média anual de 2,7%, enquanto a população aumentará de 6,7 bilhões para quase 8 bilhões de pessoas. As quatro áreas com maior demanda de energia serão o setor de geração de eletricidade, o industrial, o de transporte, o comercial e o residencial.

u Situação econômica preocupa. A preocupação com a situação das finanças públicas da Espanha e Portugal cresceu na quinta-feira, com a Bolsa de Madri afundando mais de 5%, em meio a advertências do FMI sobre o alcance de uma crise que suscita temores de um cenário como o da Grécia. Tanto a Espanha como Portugal têm graves problemas orçamentários, como uma dívida e um déficit públicos em forte alta. A crise “é muito forte” na Espanha, que deve fazer um “esforço considerável” para reduzir o déficit público, afirmou nesta quinta-feira o diretor geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, que comparou a situação com a atravessada pelos EUA.

u Desigualdade em alta, salários em queda! A atual crise está forçando um debate público sobre a necessidade de mudar o modelo produtivo da economia espanhola. Tanto o governo quanto entidade de empresários e centrais sindicais estão discutindo o modelo atual e buscam um novo padrão. Durante os últimos 15 anos, o Produto Interno Bruto espanhol cresceu mais de 60%, mas os ganhos deste crescimento foram divididos muito desigualmente. Enquanto as rendas do capital experimentaram crescimento extraordinário durante o período, as rendas dos trabalhadores permaneceram praticamente paradas. Segundo o instituto Barômetro Social da Espanha, entre 1999 e 2007, os lucros empresariais experimentaram um crescimento (descontada a inflação) de 50%. O valor das ações e ativos financeiros aumentou 90%; o patrimônio imobiliário se revalorizou em 125%, aproximadamente. Mas o salário médio do trabalhador cresceu apenas 1%, as pensões e aposentadorias 18% e o seguro desemprego apenas 4%.

u Gaza sem energia. A única usina elétrica de Gaza deixou de funcionar na tarde de quinta-feira por falta de combustível devido ao bloqueio imposto por Israel, segundo informaram autoridades palestinas. Com o fechamento da central elétrica, Gaza perde cerca de 70% de sua energia elétrica. Hospitais e escolas ficarão fechados e, segundo autoridades locais, “devemos estar preparados para o pior”.

u A crise nos EUA. Em 2009, pelo segundo ano consecutivo, o consumo de eletricidade nos EUA caiu. No ano passado, a queda foi de 3,6% segundo dados oficiais do Departamento da Energia. E isto demonstra de forma inequívoca a crise real que se instalou no “país mais poderoso do mundo”. Um dado importante a ser considerado é que o consumo de eletricidade não pode ser manipulado facilmente, como os dados econômicos. O consumo reflete a situação real do país, revela a depressão no setor produtivo e as dificuldades das famílias.

u Mais orçamento para energia nuclear. Estranho, muito estranho o governo Obama. Corta orçamento de serviços públicos como saúde e educação, mas aumenta o orçamento militar e agora sabemos que a nova proposta de orçamento triplica as garantias do governo para empréstimos destinados à construção de novos reatores nucleares, segundo informações de um representante da administração federal. As garantias de empréstimos no valor de US$ 54 bilhões, para “prestigiar a energia nuclear”, serão anunciadas como parte da proposta orçamentária do governo para 2011.

u Detalhes do orçamento militar. Para Obama “o mundo está cada vez mais perigoso” e isto justifica solicitar um aumento nos gastos militares, enviando para o Congresso o maior orçamento da história: 708 bilhões de dólares! O documento do Departamento de Defesa fala de “novas ameaças” ao citar a China e a Índia como superpotências emergentes, destaca a necessidade da “luta contra o terrorismo” e faz referência à América Latina dizendo que “continuará a cooperação militar com presença estadunidense”.

A economia política das drogas

(por Emir Sader)

Desde que o Richard Nixon declarou a “guerras às drogas”, nada de fundamental mudou, a não ser as somas milionárias gastas nas campanhas: um trilhão de dólares, deste então. A afirmação é de artigo do The Wall Street Journal, assinado por Davis Luhnow, republicado pelo Valor.

Um mexicano que esteve dedicado a essa luta por mais de duas décadas, resumiu o que cada vez mais especialistas declaram: “Essa é uma guerra que não é possível vencer.” Se dá voltas e voltas e se volta sempre para o mesmo lugar.

Quando um traficante importante é morto ou preso, passa-se a avaliar quem o substituirá, porque os mecanismos do tráfico não são afetados. Um número crescente de autoridades norteamericanas e mexicanas – segundo o jornalista -, em privado, consideram que o passo mais importante para enfraquecer as operações comerciais dos cartéis mexicanos seria simplesmente legalizar seu principal produto: a maconha, que representa mais de metade da receita dos cartéis.

Não se costumava combater o lado comercial dos cartéis, por exemplo, pelo sistema financeiro. (Recordar que foi por aí que se pegou Al Capone, não por suas outras atividades delitivas.)

Diz-se no artigo que, sem querer, os EUA ajudaram os cartéis mexicanos, porque no fim dos anos 80 e inicio dos 90, reprimiram vigorosamente o transporte de cocaína da Colômbia para os EUA através do Caribe, que era a rota de fornecimento mais barata. Isso simplesmente desviou o fluxo para a segunda rota mais barata: o México. O dado é impressionante: em 1991, da cocaína destinada aos EUA, 50% já entravam pelo México, mas em 2004, já tinha chegado a 90%. Isto é, instalou-se no México um corredor de chegada das drogas àquele que é, de longe, o maior mercado consumidor do mundo, unido à corrupção e à violência já existentes.

Com a mudança dos grandes cartéis – de Medellin e de Cali – para uma profusão de minicartéis, os mexicanos ganharam força, impondo os preços aos colombianos. Cínicos especialistas norteamericanos chegam a cogitar um retorno à rota do Caribe, com o argumento de que é menos grave para os EUA desestabilizar pequenos países do Caribe do que um país com fronteira de mais de 3 mil quilômetros e 100 milhões de habitantes.

Os cartéis mexicanos, considerados hoje os mais fortes do mundo, traficam quatro grandes drogas ilícitas: maconha, cocaína, heroína e metanfetamina. O México tornou-se o segundo maior produtor de maconha do mundo (o primeiro são os EUA), o principal fornecedor de metanfetamina para os EUA, a principal escala para a cocaína da América do Sul e o maior produtor de heroína das Américas. Quando uma mercadoria declina, é compensada pela comercialização da outra.

Os cartéis são – segundo o jornal – a multinacional mexicana de maior sucesso, empregando cerca de 450 mil mexicanos e gerando 20 bilhões de dólares em venda, apenas atrás da indústria petrolífera e da exportação de carros. Um dos seus chefões, Joaquin Guzman, entrou para a lista mundial dos bilionários da Forbes.

Os jovens traficantes de hoje usam ternos Armani, BlackBerrys e malham em academias. O contador de um traficante preso tinha trabalhado 15 anos no Banco Central do México.

A ilegalidade das drogas multiplica brutalmente o seu preço, gerando altos lucros para os que se aventuram ao seu transporte. Um quilo de cocaína no atacado, na Colômbia, custa 1,2 mil dólares, no Panamá 2,3 mil, no México 8,3 mil e entre 15 e 25 mil nos EUA, isto é, uma multiplicação por 20 ao longo do circuito. No varejo das ruas de Nova York, chega perto de 80 mil, elevando o cociente por quase 70 vezes. Com lucros dessa dimensão, o negócio da droga tem todas as possibilidades de se perpetuar, caso seja atacado como foi até hoje.

A legalização da maconha representaria a perda de metade dos lucros dos cartéis. Além de que, menos presos, menos superlotação e contaminação nas prisões.